O meio-campista James Rodríguez é, em mais uma Copa do Mundo, um dos grandes destaques da seleção colombiana. Aos 35 anos e atualmente sem clube, James mostra mais uma vez no maior palco do futebol mundial que, se por um lado não consegue ter grandes atuações em clubes, na seleção ele é o líder e o grande craque de toda uma geração — aquela que viu a Colômbia se tornar uma das maiores forças do futebol sul-americano de seleções.
No mundial da América do Norte, a Colômbia se classificou em primeiro no Grupo K, que contava com Portugal, após empatar com a seleção lusitana em um jogo no qual foi muito superior, com o camisa 10 tendo mais uma exibição de gala com a camisa amarela. Se por clubes James Rodríguez jamais conseguiu se firmar de forma duradoura — mesmo jogando em gigantes como Real Madrid e Bayern de Munique —, pela seleção de seu país ele se tornou um ídolo incontestável e uma verdadeira lenda dos cafeteros.
James Rodríguez e sua transformação quando veste a camisa 10 da Colômbia
James Rodríguez teve seu primeiro grande momento no futebol mundial justamente em uma Copa do Mundo: em 2014, no Brasil. Naquela edição, o então jogador do Monaco foi o artilheiro do torneio com 6 gols e o grande destaque de uma Colômbia que caiu apenas nas quartas de final para a seleção brasileira. Após o brilhantismo em solo brasileiro, James foi comprado pelo Real Madrid para ser o grande camisa 10 dos merengues, mas uma passagem marcada por lesões não permitiu que o craque alcançasse as expectativas no Santiago Bernabéu.
Após não render o esperado na Espanha, James rodou por clubes da Europa, como Everton e Bayern de Munique, sem o mesmo protagonismo. Teve também uma passagem bastante curta pelo São Paulo em 2023, onde não entregou o que se esperava e acabou tendo seu contrato rescindido. O último clube do meia foi o Minnesota United, da MLS, mas em maio ele deixou a equipe norte-americana para se concentrar exclusivamente na Copa do Mundo.
Mas se por clubes James nunca conseguiu manter a constância de seu talento, a história é completamente diferente pela seleção da Colômbia. Sob o comando de Néstor Lorenzo, o meia é a engrenagem principal do time e o símbolo de uma Colômbia protagonista na América do Sul. Diante disso, uma pergunta inevitável fica no ar: por que James não consegue atuar bem por clubes, mas pela seleção se transforma no craque do torneio?
A resposta passa diretamente pela estrutura do jogo. O futebol de clubes atual é extremamente baseado em sistemas táticos rígidos, posicionalismo e mecanismos engessados. Já o futebol de seleções opera em uma rotação diferente: trata-se de um ambiente moldado pelo talento bruto e pela sintonia rápida entre os atletas que, por não terem muito tempo de treino, precisam buscar o chamado “relacionismo” dentro de campo para obter resultados. O futebol de seleções é mais sobre aproximar os grandes talentos para que interajam de forma livre do que sobre impor uma estrutura tática mecânica.
Outro fator que impulsiona o desempenho de James pela Colômbia é o fato de o futebol de seleções ser mais cadenciado e proporcionar mais espaços. Nesse cenário, James Rodríguez, como um camisa 10 clássico, consegue desfilar sua categoria, ditando o ritmo da seleção e gerando situações de gol com seus passes milimétricos.
Além disso, o momento do calendário (fim de temporada na Europa) precisa ser levado em conta. Jogadores desgastados, somados ao calor de diversas cidades-sede da Copa do Mundo, ajudam a diminuir o ritmo dos jogos. Isso aumenta os espaços e gera mais erros coletivos, abrindo o cenário perfeito para as individualidades aparecerem.
Com isso, o grande mérito de Néstor Lorenzo é reunir, próximos a James Rodríguez, jogadores que o potencializam, como Gustavo Puerta, Jhon Arias e Luis Díaz. Contra Portugal, James criou dez chances de gol — mais do que Bruno Fernandes e Vitinha juntos, que criaram sete oportunidades para a seleção portuguesa.
Nessa partida contra os lusitanos, James ditou o ritmo do confronto sem precisar correr grandes distâncias; apenas trotando, achando passes verticais e abrindo a defesa adversária. O camisa 10 dominou o meio de campo, fazendo com que praticamente todas as ações ofensivas da seleção colombiana passassem pelos seus pés.
Devido às exigências do futebol moderno por transições físicas intensas, James não conseguiu explorar todo o seu teto jogando por clubes na Europa ultimamente. Mas ele não deixa de ser um talento geracional que, vestindo a camisa 10 e a faixa de capitão da Colômbia, carrega o sonho de todo um país que vive a expectativa de ver essa geração de ouro liderada por ele enfim conquistar o mundo.
(Foto: Getty Images)