Se não fosse por Joan García, o Barcelona poderia ter vivido em Montilivi uma noite tão dolorosa quanto a do Metropolitano semanas atrás. A derrota para o Girona FC expôs fragilidades, mas também reafirmou algo que já se tornou rotina nesta temporada: o goleiro azul-grená é um dos grandes responsáveis por manter o time competitivo.
Depois de uma atuação irregular diante do Atlético de Madrid — quando falhou no primeiro gol sofrido — Joan García deu resposta imediata. Grandes goleiros também erram, mas os diferenciados reagem. E foi exatamente isso que aconteceu. Em Girona, o arqueiro voltou a ser decisivo, protagonizando defesas espetaculares que impediram um placar ainda mais elástico.
Joan Garcia: Muralha em Montilivi
O Barcelona sofreu defensivamente durante boa parte da partida. O Girona encontrou espaços, acelerou pelos lados e criou oportunidades claras. Especialmente Varnat, que parou três vezes em intervenções impressionantes de Joan García. Joel e Bryan Gil também testaram o goleiro, mas encontraram uma muralha.
Nos dois gols sofridos, pouco pôde fazer. Foram lances de difícil defesa, fruto mais de desorganização coletiva do que de erro individual. Ainda assim, o desempenho reforça sua candidatura à seleção espanhola e o coloca como forte concorrente ao Troféu Zamora, prêmio dado ao goleiro menos vazado de LaLiga.
Arbitragem sob os holofotes
A semana já vinha carregada de tensão por conta da arbitragem. Após polêmicas envolvendo Munuera no Atlético x Barça e a carta oficial de protesto do clube, todas as atenções estavam voltadas para Soto Grado. E o árbitro voltou a ser protagonista.
O segundo gol do Girona foi cercado de reclamações por parte dos catalães, que pediram falta prévia sobre Jules Kounde. As discussões se estenderam após o apito final, ampliando o clima de insatisfação que ronda o clube nas últimas rodadas.
Mudanças que não surtiram efeito
A lateral esquerda do Barcelona foi um verdadeiro laboratório. Inicialmente, Gerard Martín assumiu a posição, com Raphinha mais avançado. A dupla substituía Alejandro Balde e Dani Olmo, que não haviam ido bem contra o Atlético.
No segundo tempo, novas alterações: Balde e Roony entraram, mas o cenário pouco mudou. A instabilidade defensiva persistiu, e o Girona continuou encontrando espaços, principalmente nas transições rápidas.
Cubarsí deixa sua marca
Nem tudo foi negativo. Pau Cubarsí marcou seu primeiro gol na LaLiga com a camisa do Barcelona. O jovem zagueiro subiu no ponto do pênalti e cabeceou com precisão após cruzamento de Koundé. Curiosamente, os defensores têm sido decisivos contra o Girona. No turno anterior, Ronald Araujo marcou o gol da vitória nos acréscimos.
O pênalti que mudou o rumo
O Barça teve a chance de encaminhar o jogo ainda antes do intervalo. Dani Olmo sofreu pênalti nos acréscimos do primeiro tempo. A expectativa era de que Raphinha assumisse a cobrança, mas, em gesto curioso, o brasileiro entregou a bola a Lamine Yamal.
A decisão não deu certo. O jovem camisa 10 acertou a trave, aumentando uma estatística incômoda: o Barcelona já soma 32 bolas no poste em 38 partidas oficiais na temporada. O lance simbolizou a noite: talento, iniciativa, mas falta de precisão nos momentos decisivos.
Entre a frustração e a esperança
Apesar do resultado negativo, a atuação de Joan García oferece um ponto de apoio. Em meio a debates sobre arbitragem, oscilações táticas e oportunidades desperdiçadas, Joan Garcia reafirma sua importância. Se o Barcelona ainda sonha com objetivos maiores na temporada, passa inevitavelmente pelas mãos seguras de seu arqueiro.
Montilivi não foi palco de uma nova humilhação graças a ele. Mas também deixou claro que, para evitar noites como a do Metropolitano, o time precisa oferecer a Joan Garcia algo mais do que aplausos: precisa de equilíbrio, eficiência e menos dependência de milagres sob as traves.