Johnny Walker UFC Xangai
Lutas UFC

Johnny Walker sobe de categoria no UFC e pode finalmente resolver um problema que perseguiu sua carreira

Por muito tempo, Johnny Walker foi uma das figuras mais imprevisíveis do UFC. E isso vale para absolutamente tudo. O brasileiro já apareceu dançando após vitória, já tentou comemoração que quase lesionou o próprio ombro, já conseguiu nocautes absurdos em segundos e também acumulou derrotas dolorosas daquelas que fazem o fã olhar para a tela pensando: “o que aconteceu aqui?”.

Agora, talvez venha aí a maior mudança de toda sua trajetória dentro da organização.

O UFC anunciou oficialmente que Johnny fará sua estreia na categoria peso-pesado contra Ante Delija no UFC Fight Night 283, marcado para agosto, em Belgrado, na Sérvia. Será a primeira vez desde 2018 que o brasileiro competirá acima da divisão dos meio-pesados, categoria onde construiu praticamente toda sua carreira internacional.

E sinceramente? Essa mudança faz bastante sentido.

Há anos existe uma discussão em torno do desgaste físico de Johnny Walker para bater o limite dos 93 kg. Apesar da estrutura gigantesca, da altura absurda e do porte físico naturalmente mais próximo de um peso-pesado moderno, o brasileiro insistiu durante muito tempo em permanecer entre os meio-pesados. Só que o preço disso parecia aparecer justamente dentro do octógono.

Não foram poucas as vezes em que Johnny entrou visivelmente drenado nas lutas. E no MMA, principalmente em alto nível, isso costuma cobrar uma conta pesada. Resistência diminui, absorção de golpes piora, recuperação fica mais lenta e o corpo simplesmente não responde da mesma maneira.

Coincidentemente, ou talvez nem tão coincidentemente assim, muitas das derrotas mais duras da carreira do brasileiro vieram por nocaute.

O problema do corte de peso sempre rondou Johnny Walker

Desde o começo da passagem de Johnny pelo UFC, o potencial sempre esteve lá. O brasileiro tem envergadura absurda, criatividade ofensiva, joelhadas perigosíssimas, chutes rápidos e uma agressividade natural que transforma qualquer luta em caos, ficou claro que era um profissional que caia de cabeça na oportunidade, algo interessantíssimo aos olhos de Dana White. O problema é que seu estilo também exige explosão física constante.

E cortar muito peso não ajuda exatamente nisso.

O próprio Valter Walker, irmão de Johnny e atual peso-pesado do UFC, já comentou diversas vezes que acreditava que o irmão deveria subir de categoria. Segundo Valter, o desgaste para atingir o limite dos meio-pesados acabava afetando diretamente o desempenho de Johnny dentro do cage.

O curioso é que olhando friamente, essa análise nunca pareceu exagerada.

Johnny frequentemente aparentava perder potência defensiva após absorver golpes mais limpos. Em várias derrotas, o brasileiro parecia desligar completamente após ser atingido, algo que muitos associam justamente ao impacto do corte severo de peso na capacidade de absorção.

Além disso, o cenário atual dos meio-pesados também ficou extremamente complicado. A divisão possui atletas mais técnicos, mais pacientes e melhores estrategistas do que na época em que Johnny surgiu atropelando todo mundo. Hoje, qualquer erro defensivo custa caro.

E Johnny Walker sempre foi um lutador que vive perigosamente.

Subir para os pesados pode diminuir parte desse desgaste físico e permitir que ele lute de maneira mais natural. Talvez menos drenado, menos preocupado com balança e mais focado apenas na luta em si. E honestamente? O peso-pesado atual do UFC não exige velocidade, e até dá para dizer que o nível está baixíssimo, mas não testa tomar uma marmota limpa na cara de um Derrick Lewis, ou de um Sergei Pavlovich pra você ver se os passarinhos não aparecem.

A relação com Valter Walker também virou assunto nos bastidores

Só que existe um detalhe interessante nessa história toda: apesar de Valter ter defendido durante anos a mudança do irmão para os pesados, os dois aparentemente vivem uma relação mais conturbada atualmente.

Nos últimos meses, fãs começaram a perceber algumas indiretas, afastamentos e sinais de desgaste entre os irmãos. Nada completamente explosivo em público até agora, mas claramente existe uma tensão diferente daquela parceria extremamente próxima que ambos demonstravam no início das carreiras, parece que as besteiras que Valter costuma dizer, começaram a irritar bastante Johnny Walker.

E claro… estamos falando de UFC. Se existe qualquer possibilidade minimamente caótica, automaticamente ela vira assunto.

Por isso, já começou a surgir entre fãs a especulação sobre uma possível luta entre Johnny e Valter Walker no futuro. E por mais bizarro que isso pareça num primeiro momento, sinceramente, não seria algo impossível dentro do contexto atual do MMA.

O UFC já promoveu confrontos entre amigos, ex-companheiros de equipe e até parentes distantes em outras ocasiões. Se ambos permanecerem relevantes dentro da divisão e seguirem criando interesse do público, é o tipo de luta que Dana White provavelmente ouviria sem descartar imediatamente.

Até porque convenhamos: uma encarada entre os irmãos Walker teria potencial de virar uma das histórias mais malucas da divisão dos pesados.

Ante Delija é um teste perigoso para estreia nos pesados

Mas antes de qualquer possível drama familiar, Johnny terá um desafio complicado logo de cara.

Ante Delija talvez não seja um nome gigantesco para o público casual, mas está longe de ser uma estreia tranquila. Campeão da PFL em 2022, o croata possui experiência, força física e um estilo muito perigoso para alguém estreando numa nova categoria.

Apesar de chegar embalado por duas derrotas consecutivas, Delija já mostrou potência real no UFC ao nocautear Marcin Tybura em sua estreia na organização. Ou seja: Johnny não terá tempo para adaptação lenta ou luta “segura”.

E talvez isso seja até melhor.

Walker sempre funcionou melhor no caos do que no controle. Quando tenta lutar excessivamente calculando movimentos, normalmente parece travado. Já quando transforma o combate numa bagunça violenta, vira um dos atletas mais imprevisíveis do elenco.

A dúvida agora é descobrir qual versão aparecerá nos pesados.

A mais saudável, mais resistente e mais confortável fisicamente? Ou apenas o mesmo Johnny Walker maluco de sempre… só que agora pesando mais de 110 kg?

De qualquer maneira, uma coisa parece garantida: tédio provavelmente não fará parte desse retorno.