O armador Josh Giddey está vivendo um grande momento no Chicago Bulls, e meio que cresce uma dúvida quanto ao futuro da franquia. A chegada do australiano foi interessantíssima para o elenco, que de uma hora pra outra, se apresentou para o “tank”. Diante da despedida de Zach LaVine e DeMar DeRozan, o atleta teve mais espaço para trabalhar com o tempo, e hoje, essa movimentação tem dado frutos.
Por se tratar de um jovem profissional sedento por um contrato valioso, Giddey tem dado motivos para uma extensão. Desde o fim do All-Star, o australiano tem emplacado uma exímia sequência, chamando atenção sobre a possibilidade dele colocar um ponto final na longa procura da franquia, por um armador de qualidade.
Se trata de uma posição que o Chicago Bulls é refém a anos, esteve próximo de terminar essa busca com Lonzo Ball. Entretanto, o armador sofreu com sérios problemas físicos, e não teve condições de atuar por um grande tempo no time feito para vencer jogos, sendo essa a expectativa da época. Nos dias atuais, Lonzo se encontra mais como um SG, assim como é a situação de Coby White.
Coby White era outra profissional que carregava consigo, essa mística de armador passador. A questão é que, ele não faz esse papel, não o mesmo que Josh Giddey. No início, era um entrave para o australiano, encontrar formar de criar seus arremessos, sempre se tratou de um atleta que encontra seus companheiros melhores posicionados, e se não tiver como, partirá para um bandeja ou um arremesso de média distância.
Ele tinha algumas jogadas interessantes, e até brilhou por um tempo no Oklahoma City Thunder. Entretanto, as luzes se apagaram, quando a franquia tomou a decisão de encontrar uma peça que fazia mais sentido ao elenco, e ela acabou sendo Alex Caruso, um monstro defensivo. Josh Giddey nunca chamou atenção pelas suas qualidades defensivas, mas sabia se posicionar dentro de quadra e atacar certos espaços.
O problema principal dele não ter ficado no Thunder, era o papel que seria dado a ele. Mike Daigneult considerou Giddey um sexto-homem no elenco. Na visão do australiano, seu talento estava sendo desperdiçado, não teria tantos minutos quanto gostaria, nem poder e muito menos o dinheiro almejado por ele. Por essa questão, o australiano tem jogado com a vida no Chicago Bulls, quer provar seu valor.
A busca dele é para provar a franquia, que é possível criar um time em volta dele, uma equipe vencedora. No Thunder, o foco estava longe de ser ele, pelo crescimento de Jalen Williams, Shai Gilgeous-Alexander se apresentando como um extraordinário “franchise player”, sem esquecer do potente Chet Holmgren, não sobraria dinheiro para pagar o sexto-homem da forma como desejava.
Josh Giddey e Chicago Bulls

Nesta última partida contra o Los Angeles Clippers, o Bulls não conseguiu sair vencedor, mas Josh Giddey ainda sim, fez uma exímia atuação dentro de quadra. Diante de uma sequência avassaladora do armador, ele se tornou o primeiro PG da franquia desde Michael Jordan, a ter quatro duplo-duplos seguidos com 20 pontos.
Seus primeiros passos em Illinois eram modesto, seu estilo de jogo era o mesmo da época do Oklahoma City Thunder. Gostava de ter a posse da bola para si, ditar os jogos e encontrar os melhores profissionais. Não buscava tentar muitos arremessos, aí dava para pensar na possibilidade dele confiar no seu potencial de encontrar atletas melhores posicionados, ou era só sua falta de confiança mesmo.
Tinha jogos de 20 pontos, 24, mas sua média está na casa dos 13 pontos. Só que, desde o retorno do All-Star, parece que virou da água para o vinho. Josh Giddey mantém suas qualidades como playmaker, porém, ainda é capaz de encontrar espaços para efetuar seus arremessos. A quantidade de bolas tentadas simplesmente dobrou, e para surpresa de poucos, as cestas começaram a aparecer.
Contra o New York Knicks, foram 27 pontos, em 18 tentativas com 11 convertidas, e estamos falando de quatro bolas triplas tentadas, e nenhum erro. Junto de 16 rebotes e quatro assistências, nesta situação, colocou a bola debaixo do braço, e disse: “Vamos lá, confiem em mim!”. A diferença entre os dois times falou mais alto, e uma diferença de dois pontos permitiu que os nova-iorquinos saíssem vencedores.

A questão é que, uma melhora foi explicitamente apresentada. No confronto seguinte, pegou o Phoenix Suns. Josh Giddey não teve 50% de aproveitamento em seus arremessos, mas mesmo assim, não parou de tentar. O australiano saiu da partida com 24 pontos, 3/5 nas bolas do perímetro, oito rebotes e 10 assistências. Na próxima noite, teve o Philadelphia 76ers, e o assunto vai para 25 pontos feitos, junto de mais de 50% de aproveitamento no FG.
Novamente, 3/3 nas bolas triplas, 100% é um nível absurdo para qualquer atleta. Transbordando de confiança, Josh Giddey pegou 16 rebotes nesta partida de novo, e deu seis assistências. É bom não esquecer de alguns pontos: “Ah, mas o Caruso saiu e não chegou um atleta defensivo”, então toma, três tocos neste confronto diante da equipe de Filadélfia, se isso não é defesa, acabou.
Para fechar com chave de ouro essa sequência, teve o Clippers como oponente, um exímio time defensivo, que tem feito chover nesta temporada. 21 pontos feitos, 8/14 nos arremessos de quadra, 4/4 nas bolas triplas, SIM, ele virou tudo isso do perímetro e não é o Stephen Curry não. Sem esquecer dos oito rebotes e 12 assistências no duelo contra os californianos.
Então, se existe uma dúvida sobre a qualidade de Josh Giddey, teremos de esperar até o término da temporada, porque até então, está se posicionando como um profissional capaz de ser rodeado de estrelas no futuro. As chances dele colocar um ponto final nesta longa busca por um armador de qualidade no Chicago Bulls, tem chances de estar bem próxima do fim.
Foto: Matt Slocum/AP