Encontrar o sucessor de Robert Lewandowski no Barcelona não é uma missão simples. Afinal, estamos falando de um dos maiores centroavantes da história recente do futebol, dono de centenas de gols e responsável por liderar o ataque da equipe catalã desde sua chegada ao clube. Porém, o tempo passa para todos, e a diretoria catalã já trabalha há meses para evitar que a saída do polonês deixe um buraco difícil de preencher.
E entre tantos nomes analisados nos últimos anos, um parece ter conquistado praticamente todos dentro do Camp Nou: Julián Alvarez.
O atacante argentino do Atlético de Madrid se transformou no principal alvo do Barcelona para liderar o projeto ofensivo da próxima década. Não por acaso. Aos 26 anos, campeão do mundo, vencedor da Champions League e dono de características cada vez mais valorizadas no futebol moderno, a “Aranha” reúne atributos que vão muito além dos gols.
O Barcelona quer mais do que um centroavante
Quando se fala em substituir Lewandowski, muita gente imagina que o Barcelona procuraria outro camisa 9 clássico. Um jogador que viva dentro da área e transforme qualquer cruzamento em oportunidade de gol. Mas a ideia da diretoria e da comissão técnica liderada por Hansi Flick parece ser diferente.
O futebol atual exige atacantes cada vez mais completos. E é justamente nesse aspecto que Julián Alvarez ganha força.
O argentino consegue atuar como centroavante, segundo atacante, meia ofensivo e até em alguns momentos aberto pelos lados do campo. Sua mobilidade é uma das características que mais agradam ao departamento esportivo do clube.
Enquanto Lewandowski construiu sua carreira sendo uma referência fixa no setor ofensivo, Julián oferece algo diferente. Ele sai da área para participar da construção das jogadas, se aproxima dos meio-campistas, cria espaços para os companheiros e ajuda a acelerar a circulação da bola.
É exatamente o tipo de jogador que costuma encaixar naturalmente em equipes que valorizam posse de bola e movimentação constante. E existe outro detalhe importante: o argentino não é daqueles atacantes que descansam quando o time perde a bola.
A intensidade que Hansi Flick procura
Se existe uma marca registrada dos times de Hansi Flick, ela é a pressão alta.
O treinador alemão gosta que seus atacantes sejam os primeiros defensores da equipe. E nesse quesito, Julián Alvarez recebe nota máxima.
Durante sua passagem pelo Manchester City de Pep Guardiola e posteriormente sob o comando de Diego Simeone no Atlético de Madrid, o argentino mostrou uma capacidade impressionante de pressionar adversários durante os 90 minutos.
Não é exagero dizer que ele corre como se estivesse disputando uma final de Copa do Mundo em praticamente todas as partidas.
Os números ajudam a explicar isso. Na última edição da Champions League, apenas Désiré Doué, do PSG, cometeu mais faltas entre os jogadores ofensivos do que Julián Alvarez.
Pode parecer um dado estranho para um atacante, mas ele demonstra justamente a agressividade na marcação e a intensidade sem bola que os treinadores tanto valorizam.
Para Flick, isso vale quase tanto quanto marcar gols.
Os números podem crescer ainda mais
Apesar de atuar em um Atlético de Madrid conhecido por seu equilíbrio defensivo, Julián segue apresentando ótimos números ofensivos.
Foram 29 gols na temporada passada e outros 20 nesta campanha, marcas bastante expressivas considerando o estilo de jogo da equipe de Diego Simeone. Dentro do Barcelona existe a sensação de que esses números poderiam ser ainda maiores.
O raciocínio é simples: o time catalão cria mais oportunidades de gol, joga mais tempo no campo adversário e costuma oferecer um volume ofensivo superior ao dos colchoneros.
Além disso, Julián traz uma arma que poucos atacantes possuem atualmente. As cobranças de falta.
Desde sua chegada ao Atlético, o argentino marcou cinco gols em cobranças diretas. Três deles aconteceram justamente nesta temporada, incluindo tentos contra Espanyol, Real Madrid e Barcelona.
Em uma era em que especialistas em bola parada estão cada vez mais raros, esse diferencial pesa bastante.
Fome de títulos e mentalidade vencedora do Barcelona
Outro aspecto que chama atenção dos dirigentes do Barcelona é a mentalidade do jogador.
Julián Alvarez já conquistou praticamente tudo que um atleta pode sonhar antes mesmo dos 27 anos. Foi campeão do mundo com a Argentina, levantou a Champions League e conquistou duas Premier Leagues com o Manchester City.
Mesmo assim, continua demonstrando ambição. Desde que chegou ao Atlético de Madrid, ainda não conquistou títulos relevantes. E essa ausência de troféus parece ter aumentado sua motivação.
O Barcelona acredita que essa fome competitiva pode ser decisiva para manter o elenco em constante busca por conquistas.
Afinal, um jogador acomodado dificilmente se torna o líder de um projeto vencedor.
Muito além do campo
Se o aspecto esportivo já é suficiente para justificar o interesse, existe também um componente comercial que não passa despercebido.
Julián Alvarez é um dos rostos mais populares do futebol sul-americano atualmente. Campeão mundial, ídolo na Argentina e admirado em diversos mercados internacionais, ele possui enorme capacidade de atrair atenção midiática. Mas talvez o detalhe mais interessante seja sua identificação com o Barcelona.
O atacante nunca escondeu a admiração pelo clube catalão. Em diferentes momentos de sua carreira, demonstrou carinho pela instituição e por alguns de seus jogadores.
Recentemente, por exemplo, destacou Pedri como um dos melhores atletas do mundo. Esse tipo de afinidade costuma facilitar processos de adaptação e integração ao elenco.
Claro que transformar o interesse em contratação é outra história. Julián possui contrato com o Atlético de Madrid até 2030 e dificilmente sairia por menos de 100 milhões de euros.
Ainda assim, dentro do Barcelona existe uma convicção cada vez maior de que ele representa a combinação perfeita entre presente e futuro.
Substituir Robert Lewandowski nunca seria uma tarefa simples. Mas se existe um nome capaz de tornar essa transição menos traumática, a diretoria azul-grená acredita que ele atende pelo nome de Julián Alvarez.
Foto: Divulgação/Atlético de Madrid