O clima em São Januário era de confiança. A torcida do Vasco empurrava o time desde o apito inicial, e o começo animador parecia sinal de uma tarde tranquila no Rio de Janeiro. Só parecia. Depois de sair na frente com Rayan, o Cruz-Maltino viu o Juventude reagir, virar o jogo ainda no primeiro tempo e fechar a conta com mais um gol na etapa final. Placar final: 3 a 1 para os gaúchos, que foram mais eficientes e souberam aproveitar os erros dos donos da casa.
COMEÇO ANIMADOR, MAS A NOITE MUDOU DE RUMO
O Vasco começou pressionando, dominando as ações e criando boas oportunidades. A torcida empolgava, os cruzamentos apareciam, e o gol parecia questão de tempo. E ele veio. Após cruzamento de Lucas Piton pela esquerda, Rayan subiu mais que todo mundo e cabeceou firme. O goleiro Jandrei até tentou, mas a bola entrou. O bandeirinha chegou a marcar impedimento, mas o VAR confirmou o gol, e São Januário explodiu.
Parecia que o Vasco ia deslizar para uma vitória tranquila, mas bastaram alguns minutos para tudo mudar. O Juventude se encontrou em campo, começou a explorar os espaços e empatou com um belo gol de Marcelo Hermes, que pegou de primeira um cruzamento preciso de Taliari. O lateral pegou em cheio e não deu chance para Léo Jardim.
E quando a torcida ainda digeria o empate, veio o balde de água fria. Léo Jardim tentou sair jogando curto, mas errou feio. Jadson interceptou e tocou para Nenê — sim, o velho conhecido e ídolo vascaíno — que, com toda a calma e categoria, driblou Hugo Moura e mandou para o fundo da rede. Ironia do destino: o jogador que tantas vezes foi herói de São Januário agora fazia o torcedor lamentar.
SEGUNDO TEMPO AMARRADO E DESASTRE COMPLETO
Na volta do intervalo, o jogo ficou truncado. Muita falta, pouca criatividade e uma tensão crescente no ar. O Vasco até tentava reagir, mas esbarrava na forte marcação gaúcha e na própria ansiedade. Fernando Diniz tentou mexer, colocou sangue novo em campo, mas nada parecia surtir efeito.
A situação, que já não era boa, ficou ainda pior quando Paulo Henrique fez uma falta boba em Taliari e levou o segundo amarelo. Expulso. Com um a menos, o Vasco praticamente entregou as esperanças de reação. E o Juventude, esperto, não perdoou.
Poucos minutos depois, veio o golpe final. Em um rápido contra-ataque, Giovanny arrancou pela direita, invadiu a área e cruzou rasteiro. Ewerthon apareceu livre e só empurrou para o gol vazio. O bandeira levantou a bandeira, marcando impedimento, mas o VAR — mais uma vez — confirmou o lance. 3 a 1, e o silêncio tomou conta das arquibancadas.
CLIMA PESADO EM SÃO JANUÁRIO
Depois do terceiro gol, o que se viu foi um Vasco perdido em campo e uma torcida incrédula nas arquibancadas. Os gritos de incentivo deram lugar à revolta. “Time sem vergonha!”, “Olé!” irônico e até xingamentos ao técnico Fernando Diniz ecoaram pelas arquibancadas. A paciência, que antes era sinal de confiança, virou impaciência e frustração.
Há poucas rodadas, o torcedor comemorava uma sequência de quatro vitórias consecutivas, que pareciam afastar o fantasma do rebaixamento e dar novo fôlego ao time. Agora, o cenário é bem diferente: três derrotas seguidas — para São Paulo, Botafogo e Juventude — e um futebol que não convence.
O Vasco vive um momento de instabilidade. O time até mostra lampejos de bom futebol, mas erra demais nas finalizações e comete falhas bobas na defesa. A expulsão de Paulo Henrique e o erro de Léo Jardim simbolizam bem a falta de concentração que tem custado caro nas últimas rodadas.
Já o Juventude, por outro lado, mostrou maturidade e frieza. Mesmo saindo atrás no placar, o time de Roger Machado manteve a calma, aproveitou as falhas adversárias e garantiu três pontos importantíssimos fora de casa. Com a vitória, o Juventude respira na tabela e volta a sonhar com uma posição mais confortável no campeonato.
No fim, restou ao Vasco amargar mais uma derrota em casa — e ouvir sua torcida desabafar a frustração de um time que não consegue embalar. Foi uma daquelas tardes em que tudo começou bem, mas terminou com gosto amargo. O velho ditado se encaixa perfeitamente: o jogo só acaba quando termina — e o Juventude mostrou isso da maneira mais dolorosa possível para o torcedor vascaíno.
Placar final Vasco 1 x 3 Juventude
Situação na tabela
Com a vitória em São Januário, o Juventude segue na 18ª posição da tabela, mas encurtou a distância para deixar o Z-4 – são 32 pontos, dois a menos que o Vitória, que encara o Botafogo neste domingo. Na volta da Data Fifa, o Ju vai receber o Cruzeiro pela 34ª rodada.
O Vasco, por sua vez, caiu para a décima posição com 42 pontos, visto que o Atlético-MG venceu o Sport por 4 x 2 na Ilha do Retiro neste sábado e subiu para nono. Na próxima rodada, o time vai enfrentar o Grêmio em Porto Alegre.
Foto: Matheus Lima/Vasco