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Juventus quer um novo atacante, mas precisa pensar antes; Entenda

A Juventus tomou uma decisão clara e até fácil. Nesta janela de transferências de inverno, o clube vai ao mercado em busca de um centroavante de ofício. A avaliação interna é de que falta um camisa 9 mais “clássico”, capaz de ocupar a área com constância e oferecer soluções diferentes no último terço do campo, algo que se encaixe nos desejos de Luciano Spalletti. Nomes como Jean-Philippe Mateta surgem como prioridade, enquanto En-Nesyri e Zirkzee aparecem como alternativas em caso de dificuldades no Plano A.

No entanto, a possível chegada de um novo atacante não pode ser analisada apenas sob o ponto de vista técnico. Caso o negócio avance, o reforço se tornará oficialmente o quinto centroavante de referência do elenco, inflando ainda mais um setor que já é o mais pesado do ponto de vista financeiro. Em um momento no qual a diretriz da Juventus é clara, reduzir custos e equilibrar o balanço, a operação levanta questionamentos importantes.

Simplesmente se trata de um: pra alguém chegar, é necessário que alguém saia.

Cinco atacantes na Juventus e um impacto pesado no balanço

Atualmente, a Juventus já conta com quatro centroavantes no elenco principal: Dusan Vlahovic, Jonathan David, Lois Openda e Arkadiusz Milik. Apesar de terem perfis distintos e ocuparem papéis diferentes dentro da rotação ofensiva, todos eles contribuem de forma significativa para o peso do ataque no balanço do clube, agora chegamos no ponto que nem todos gostam de falar: os valores.

O maior impacto individual é, sem surpresa, o de Dusan Vlahovic. O atacante sérvio custa à Juventus 41,75 milhões de euros por temporada, considerando a soma entre 19,55 milhões de euros de amortização, valor que será totalmente zerado ao fim da temporada e 21 milhões de euros de salário bruto. Trata-se do jogador mais caro do elenco em termos de custo anual e um dos símbolos do atual desequilíbrio financeiro do setor ofensivo.

Já foi considerado uma peça para deixar a Velha Senhora em inúmeras oportunidades, algo que se não ocorrer nesta janela, deve ser considerada iminente para a próxima.

Mesmo chegando sem custo de transferência, Jonathan David também representa um investimento relevante da Juventus. O canadense gera um impacto anual de 13,6 milhões de euros, sendo 11,1 milhões de euros referentes ao salário bruto e 2,5 milhões de euros de amortização, ligados a bônus de assinatura e comissões pagas no momento da contratação. Um exemplo claro de como “custo zero” nem sempre significa impacto reduzido no balanço, dá até para dizer, que não pagou por um meio, mas fará por outro.

A situação de Lois Openda merece atenção especial. Nesta temporada, o belga pesa 10,7 milhões de euros nas contas da Juve, resultado de 7,4 milhões de euros em salários e 3,3 milhões de custo histórico, já que ainda está oficialmente emprestado. No entanto, esse valor tende a crescer de forma considerável a partir da temporada 2026/27, quando entrará em vigor a obrigação de compra fixada em 40,6 milhões de euros, além de bônus.

Já Arkadiusz Milik é o atacante de menor impacto financeiro do grupo, sendo diretamente proporcional ao que entrega dentro das quatro linhas. Após renovar contrato e diluir seus custos até 30 de junho de 2027, o polonês pesa aproximadamente 3,6 milhões de euros por temporada, sendo 1,3 milhão de amortização e 2,3 milhões de euros em salário bruto. Ainda assim, mesmo o menor custo do setor segue relevante dentro do contexto geral do elenco.

A soma dos custos e o efeito do possível novo reforço da Juventus

Somando apenas esses quatro atacantes, a Juventus já compromete cerca de 69,6 milhões de euros por temporada em salários e amortizações. Um valor elevado, especialmente para um clube que há meses reforça a necessidade de reduzir custos estruturais e melhorar a sustentabilidade financeira. Depois de passar por uma era completamente vitoriosa, viu as questões financeiras levarem a Velha Senhora para o fundo do poço.

E agora, tentam fazer tudo o que é possível, para devolver a glória e as vitórias da Juventus, tanto no cenário nacional, quanto no mundial.

A esse montante, ainda precisaria ser acrescentado o impacto do novo reforço desta janela de inverno. No caso de Jean-Philippe Mateta, por exemplo, as condições discutidas envolvem um empréstimo oneroso de 2 milhões de euros, com opção de compra fixada em 30 milhões de euros. Até 30 de junho de 2025, o impacto imediato seria acrescido ainda do salário do jogador, estimado em cerca de 3 milhões de euros brutos, valor inferior ao que recebe na Premier League por conta de um acordo semestral antes do possível resgate definitivo.

Ou seja, a chegada de mais um centroavante aumentaria ainda mais o peso de um setor que já é, disparado, o mais caro do elenco da Juventus. Uma escolha que pode ajudar dentro de campo, mas que inevitavelmente amplia o desafio fora dele: equilibrar competitividade esportiva e sustentabilidade financeira. Então, vale pensar, o que a Velha Senhora deve fazer futuramente, quem precisa sair, e se os nomes que estão para chegar, são realmente importantes para o grupo.

Foto: Stefano Guidi/Getty Images