Futebol Serie A

Juventus perde pênalti, empata com o Lecce e perde chance de entrar no G-4 da Serie A

O ano de 2026 começou longe do ideal para a Juventus. Atuando em casa, diante de um adversário que luta contra o rebaixamento, a Velha Senhora ficou apenas no empate por 1 a 1 com o Lecce, em partida válida pela 18ª rodada da Serie A. O resultado manteve a invencibilidade da Juve em seus domínios, mas deixou um gosto amargo pela forma como o jogo se desenhou, especialmente pelo pênalti desperdiçado que poderia ter mudado o rumo da noite em Turim.

Com o empate, a Juventus chegou aos 33 pontos, mesma pontuação da Roma, mas segue fora da zona de classificação para a próxima Champions League. A equipe ocupa a quinta colocação, atrás dos giallorossi nos critérios de desempate e ainda com um jogo a mais disputado, o que amplia a pressão sobre o elenco e a comissão técnica. Já o Lecce, com 17 pontos, permanece na 16ª posição, abrindo cinco de vantagem para o Verona, primeiro time dentro da zona de rebaixamento.

O jogo

Empurrada pela torcida, a Juventus começou o jogo com postura agressiva e dominando territorialmente o adversário. A primeira grande chance veio cedo. Antes mesmo dos dez minutos, Jonathan David recebeu em boas condições e finalizou com força, mas acertou a trave, arrancando suspiros das arquibancadas. O lance deu o tom do primeiro tempo: pressão juventina, mas sem a eficácia necessária.

O Lecce, por sua vez, se fechava como podia, apostando em linhas compactas e na tentativa de explorar os erros da saída de bola adversária. Aos 16 minutos, Falcone começou a construir sua noite inspirada. Cambiaso arriscou um chute de fora da área que tinha endereço certo, mas o goleiro do Lecce se esticou e desviou com a ponta dos dedos, evitando o gol.

Mesmo com maior posse de bola e presença ofensiva, a Juventus pecava na tomada de decisão no último terço. Faltava velocidade na circulação, mais agressividade entre linhas e, principalmente, contundência. O castigo veio pouco antes do intervalo. Cambiaso, que havia sido um dos jogadores mais participativos da Juve, errou na entrada da área ao tentar conduzir a bola. Lameck Banda foi mais rápido, recuperou a posse e finalizou cruzado, vencendo Di Gregorio e silenciando o estádio.

O gol do Lecce expôs um problema recorrente da Juventus na temporada: a dificuldade em lidar com erros individuais e a fragilidade na transição defensiva. Mesmo controlando o jogo, a equipe voltou para o vestiário em desvantagem, sob vaias pontuais da torcida.

A resposta, no entanto, foi rápida. Logo no início do segundo tempo, a Juventus conseguiu empatar. Yildiz tentou a finalização pela lateral da área, mas foi bloqueado. A bola sobrou limpa para McKennie, que bateu colocado no canto, sem chances para Falcone. O gol renovou o ímpeto da Velha Senhora, que passou a pressionar de forma ainda mais intensa.

A virada parecia questão de tempo. A Juve empilhou escanteios, cruzamentos e finalizações. O momento mais decisivo veio quando o VAR chamou a arbitragem para revisar um toque de mão de Kaba dentro da área. Após a revisão, o pênalti foi assinalado, levando o estádio ao delírio. Jonathan David, porém, não correspondeu à expectativa. O atacante bateu mal, sem convicção, facilitando a defesa de Falcone, que se tornava o grande personagem da partida.

Mesmo após o pênalti perdido, a Juventus não desistiu. Continuou rondando a área adversária e criou novas chances. David voltou a parar no goleiro do Lecce em finalização cara a cara, enquanto Yildiz acertou a trave ao buscar o cantinho em chute preciso. Faltou sorte, mas também sobrou ansiedade.

Do outro lado, o Lecce se defendia como podia, gastando o tempo, esfriando o jogo e celebrando cada corte defensivo como um gol. Ao apito final, o empate foi recebido com alívio pelos visitantes e com frustração pelos donos da casa.

Domínio sem eficiência e um empate que pesa muito para a Juventus

O empate contra o Lecce escancara um dilema que acompanha a Juventus ao longo da temporada: o time até consegue controlar jogos contra adversários teoricamente mais fracos, mas tem extrema dificuldade para transformar domínio em vitória. A posse de bola, o volume ofensivo e o número de finalizações não se converteram em três pontos, muito por conta da falta de precisão e da dependência excessiva de ações individuais.

Jonathan David simboliza bem esse cenário. O atacante se movimentou, criou espaços, acertou a trave e teve o pênalti decisivo. Mas saiu de campo sem marcar, desperdiçando a melhor chance da partida. Em jogos equilibrados como esse, a margem de erro é mínima, e a Juventus pagou caro pela falta de frieza.

Outro ponto preocupante é a recorrência de erros individuais em zonas perigosas do campo. O gol sofrido nasce de uma falha clara de Cambiaso, em um momento no qual o time precisava de controle emocional. Esse tipo de erro tem custado pontos importantes e revela um problema de concentração que precisa ser corrigido.

Apesar disso, o cenário não é completamente negativo. A Juventus mostrou capacidade de reação, criou chances suficientes para vencer e manteve sua invencibilidade em casa. O desempenho de jogadores como McKennie e Yildiz oferece sinais positivos, principalmente na dinâmica ofensiva.

O Lecce, por sua vez, sai fortalecido. Conseguiu um ponto precioso fora de casa, mostrou organização defensiva e teve em Falcone um verdadeiro salvador. Para um time que luta contra o rebaixamento, empates como esse fazem diferença ao final da temporada.

Para a Juventus, o resultado deixa um alerta claro. A briga por vaga na Champions League exige menos desperdício e mais contundência. O empate pode não parecer desastroso isoladamente, mas, no contexto da tabela e diante do adversário, representa uma oportunidade perdida, daquelas que fazem falta quando o campeonato entra em sua reta decisiva.

(Foto: Getty Images)