A Juventus saiu de campo com aquela sensação de “poderia ter sido melhor”. O empate com o Sporting pela Champions League deixou um gosto agridoce: o desempenho foi animador, mas o placar não ajudou nada. O time de Luciano Spalletti até mostrou evolução e vontade, mas continua longe dos líderes do grupo e com a vaga nas oitavas cada vez mais complicada.
Com três pontos em quatro partidas, o caminho mais realista parece ser mesmo o play-off, como aconteceu com o PSG na última temporada. Ainda assim, dá pra dizer que o torcedor tem motivos pra ficar um pouco mais confiante. A Juventus voltou a mostrar garra, intensidade e aquele espírito competitivo que parecia perdido há um tempo.
O jornalista Sandro Sabatini resumiu bem: “A impressão é boa, o resultado não”. E ele tem razão. O time voltou a correr, brigar por cada bola e se sacrificar em campo. Pode até não ter vencido, mas mostrou alma.
Vlahovic volta a ser protagonista na Juventus
Um dos grandes destaques da partida foi Dusan Vlahovic. O atacante sérvio não só marcou presença nas jogadas ofensivas, como também mostrou liderança e confiança — algo que vinha faltando há um bom tempo. Spalletti tem conseguido extrair o melhor dele, e o camisa 9 está voltando a ser aquele centroavante decisivo que assusta qualquer defesa.
Com 9 gols em 20 jogos de Champions na carreira, Vlahovic mostrou mais uma vez que pode carregar o time nas costas. Ele foi o líder técnico e emocional da equipe e mostrou que, mesmo em uma noite sem vitória, o torcedor pode confiar nele.
Mas não foi só o sérvio que chamou atenção. O técnico da Juventus Spalletti também mexeu bem nas peças. Um exemplo é Teun Koopmeiners, que foi recuado para um papel mais defensivo e deu conta do recado. O holandês mostrou segurança, boa saída de bola e parece ter se encontrado na nova função.
Defesa mais firme e meio-campo ajustado
Na defesa, a Juventus também mostrou sinais de melhora. Di Gregorio teve altos e baixos — chegou a deixar dúvidas no gol sofrido por Araujo —, mas de forma geral fez uma partida segura. Gatti foi responsável e menos impulsivo que de costume, enquanto Kalulu se destacou novamente, fazendo o simples e ajudando muito na marcação.
Cambiaso foi o mesmo de sempre: solidário e participativo. Mesmo com uma advertência duvidosa no primeiro tempo, o lateral seguiu firme, apoiando bem e ajudando na recomposição. Locatelli, por sua vez, tentou ser mais ousado, arriscando alguns passes verticais e finalizações de média distância.
No meio, Thuram foi um dos melhores. Dominante, forte e intenso, ele controlou o ritmo das ações e deu sustentação pro time. Já McKennie foi aquele motor incansável que a torcida adora — correu o campo todo, alternou posições e foi peça-chave pra manter o equilíbrio entre defesa e ataque.
Juventude, energia e boas opções no banco
Na frente, os jovens Yildiz e Conceição começaram meio tímidos, mas cresceram bastante na segunda etapa. Yildiz, em especial, mostrou evolução técnica e criou boas chances, arrancando aplausos da torcida. Mesmo sem brilho individual, o ataque foi mais participativo e coletivo do que nas últimas rodadas.
Spalletti também tentou mudar o jogo com as entradas de Kostic, Miretti, David e Zhegrova. O problema é que o time já estava num ritmo mais lento, e o Sporting soube segurar o resultado. Ainda assim, ficou a impressão de que há mais opções no elenco do que parecia antes.
Chiellini, que acompanhou o jogo e comentou a nova fase do time, foi direto: “Spalletti é um homem digno de um grande projeto. Ele sabe o que quer e faz os jogadores acreditarem nisso”. Palavras que refletem o que muita gente na Juventus tem sentido desde a chegada do novo treinador.
Ainda dá pra sonhar?
A classificação direta para as oitavas está bem mais difícil, mas a Juventus finalmente mostra sinais de vida. O time voltou a ter intensidade, movimentação e, principalmente, vontade. Há pouco tempo, a equipe parecia desanimada, sem identidade e sem padrão de jogo. Agora, é visível que Spalletti está conseguindo dar uma nova cara ao elenco.
Claro que ainda há muito a ajustar — a falta de gols é um problema real e as falhas defensivas custam caro. Mas, se continuar nessa pegada, dá pra sonhar com algo mais adiante, nem que seja um caminho alternativo pelos play-offs.
Como bem disse Sabatini, “a Juve pode até não ter vencido, mas voltou a ser Juventus”. E essa é, talvez, a melhor notícia que o torcedor poderia ter. O time voltou a correr, voltou a acreditar e, acima de tudo, voltou a competir. Se o desempenho continuar evoluindo, os resultados logo devem acompanhar.


