A Copa do Mundo costuma despertar lembranças especiais nos torcedores da Juventus. Afinal, poucos clubes possuem uma ligação tão forte com o principal torneio do futebol quanto a Velha Senhora.
Não por acaso, o clube de Turim lidera um ranking histórico impressionante: a Juventus é a equipe que mais teve jogadores campeões mundiais em seu elenco durante o ano em que conquistaram a Copa do Mundo. Ao todo, são 27 atletas que levantaram a taça defendendo as cores bianconeras.
A lista começou em 1934, quando nove jogadores da Juventus integraram a seleção italiana campeã: Combi, Rosetta, Caligaris, Ferrari, Bertolini, Monti, Varglien, Orsi e Borel. Quatro anos depois, outros dois atletas do clube participaram da conquista do bicampeonato mundial da Itália: Foni e Rava.
Décadas mais tarde, a influência juventina voltou a ser determinante. Na campanha do tricampeonato italiano em 1982, seis jogadores da Juventus estavam presentes na equipe campeã: Zoff, Cabrini, Gentile, Scirea, Tardelli e Paolo Rossi.
A tradição seguiu com nomes internacionais de peso. Em 1998, a França campeã do mundo contava com Didier Deschamps e Zinedine Zidane. Em 2006, ano do tetracampeonato italiano, Buffon, Cannavaro, Del Piero, Camoranesi e Zambrotta representavam a Juventus. Mais recentemente, Blaise Matuidi conquistou o título com a França em 2018, enquanto Ángel Di María e Leandro Paredes foram campeões pela Argentina em 2022.
Com 27 campeões mundiais, a Juventus aparece à frente de gigantes como Bayern de Munique (24), Inter de Milão (21), Roma (17), Santos (15), Peñarol (14), Nacional-URU (13), São Paulo (13), Barcelona (11), Botafogo (11) e Real Madrid (11).
A espinha dorsal da Azzurra

O levantamento reforça uma característica marcante da história do futebol italiano: nos momentos de maior sucesso da seleção, a Juventus costumava formar a base da equipe nacional.
Isso aconteceu em três dos quatro títulos mundiais da Itália. Em 1934, 1982 e 2006, o chamado “bloco da Juve” serviu como espinha dorsal da Azzurra. A forte identificação entre clube e seleção foi um dos pilares das campanhas vencedoras.
Além dos italianos, a Juventus também se destacou por reunir jogadores estrangeiros que marcaram época em Copas do Mundo. Casos de Zidane, protagonista do título francês em 1998, e Di María, decisivo para a Argentina em 2022, ajudam a explicar a presença constante do clube nos grandes momentos do torneio.
O peso da ‘Juve’ em Copa do Mundo
Mesmo quando seus jogadores não terminaram campeões, a influência da Juventus continuou evidente.
Na Copa do Mundo de 1978, por exemplo, oito dos onze titulares da seleção italiana pertenciam ao clube de Turim. Já nos anos 1980, craques como Michel Platini e Zbigniew Boniek brilharam em Mundiais enquanto defendiam a camisa bianconera.
Mas talvez nenhum episódio represente melhor a importância da Juventus para a história das Copas do que a final de 2006, entre Itália e França, disputada em Berlim.
Entre titulares e reservas, 18 jogadores que passaram pela Juventus estiveram envolvidos naquela decisão. Pela Itália, nomes como Buffon, Cannavaro, Zambrotta, Camoranesi, Del Piero, Toni e Iaquinta fizeram parte do elenco. Do lado francês, Thuram, Vieira, Zidane, Henry, Trezeguet e Boumsong também possuíam ligação com o clube. No banco italiano, o comandante era Marcello Lippi, outro personagem histórico da Velha Senhora.
O contraste com o presente

Se o passado é motivo de orgulho, o presente desperta reflexão. A Itália ficou fora da Copa do Mundo pela terceira edição consecutiva, enquanto a Juventus atravessa um período distante do protagonismo que marcou sua história recente. O clube não conquista o Campeonato Italiano desde 2020 e tenta recuperar espaço entre as principais potências do futebol europeu.
Ainda assim, a Juventus mantém representantes importantes no Mundial de 2026. Gleison Bremer (Brasil), Jonathan David (Canadá), Teun Koopmeiners (Holanda), Francisco Conceição (Portugal), Kenan Yildiz (Turquia) e Weston McKennie (Estados Unidos) defendem suas seleções na competição.
A reconstrução, porém, parece inevitável. Para voltar aos tempos em que dominava a Itália e exercia influência decisiva nas Copas do Mundo, a Juventus precisará equilibrar duas missões: investir novamente nos principais talentos italianos e recuperar força financeira para competir pelos grandes nomes do mercado internacional.
O caminho é longo, mas a própria história mostra que poucos clubes possuem uma relação tão íntima com a Copa do Mundo quanto a Velha Senhora.
Créditos da foto de capa: Divulgação/Reuters

