A Juventus tem se mexido de todas as formas para se manter no topo do futebol italiano, assim como vivia no passado. Entretanto, hoje com Luciano Spalletti tem se apresentado dentro de uma realidade mais louca, mais intensa, como foi na última vitória contra o Bodo/Glimt, pela Champions League por 3 a 2 na Noruega. Nesta ocasião, se tratou de mais um episódio do que já virou marca registrada, a Velha Senhora maluca, imprevisível, emocionante e, às vezes, perigosa até para o próprio torcedor.
E olha que fazia mais de um ano que a biancoceri não sabia o que era vencer como visitante na competição. A última vitória também foi por 3 a 2, contra o RB Leipzig, em outubro de 2024. Desde então, a equipe colecionou empates e derrotas que deixariam qualquer torcedor nervoso, reforçando aquela sensação de que cada viagem europeia se transformava numa experiência mais emocional.
Um ano depois, a Juventus continua igual e isso diz muito
Comparando a Juventus de agora com a de treze meses atrás, pouco mudou. O time mantém o mesmo estilo: jogos tensos, placares apertados e partidas que mudam completamente de roteiro em poucos minutos, talvez o único fator de dfierente são os jogadores presentes no elenco.
O curioso é que isso aconteceu mesmo com a troca constante de treinadores. Thiago Motta deixou o cargo, Igor Tudor assumiu por um período, e agora é Spalletti quem comanda a Velha Senhora. Ainda assim, a Juventus segue com o mesmo DNA turbulento, aquele que faz o torcedor segurar a respiração até o apito final.
Essa persistência no estilo caótico mostra que a identidade do time, por mais imprevisível que seja, continua sendo uma marca registrada. Não importa quem esteja no comando: a equipe parece sempre pronta para virar o jogo, ou ser virada, no início desta temporada, chegou a mostrar um nível interessantíssimo no quesito defensivo, só que os desfalques fizeram com que essa premissa caísse por terra.
A Juventus maluca não é acaso. É identidade
Os jogos mais malucos da Juventus, viradas inesperadas, gols nos minutos finais e defesas que parecem de gelatina não são acidentes isolados, porque acaba sendo algo muito comum. Eles acontecem com frequência suficiente para provar que fazem parte do caráter da equipe atualmente, ninguém quer ter uma realidade tão alterável assim, porém, é assim que estão conseguindo se comportar no momento.
A Juventus rende melhor quando o jogo é imprevisível, quando a partida sai do controle e tudo parece possível. Esse caos não é apenas risco: é uma característica que pode ser explorada. A famosa faca de dois gumes, assim como pode ferir um forte adversário, tem chance de cair por terra contra um oponente considerado mais fácil, ou até vice-versa, o que deixa de lado a palavra a consistência.
Mesmo que gere ansiedade para os torcedores, a Velha Senhora maluca também revela um enorme potencial. Saber lidar com isso pode ser justamente o que transforma o estilo da equipe em uma vantagem estratégica.
Juventus jovem, talentosa e… desequilibrada
A base da equipe é jovem e cheia de energia, o que naturalmente traz velocidade e coragem, as vezes, até a ausência do medo pode ser citada nesta conversa. Por outro lado, essa juventude também gera desequilíbrios. Oscilações no desempenho e falhas defensivas aparecem com frequência, e é exatamente isso que torna a Juventus imprevisível.
Outro ponto crítico é a ausência de um maestro, o jogador que organiza o meio-campo, dita o ritmo e evita que a equipe se descontrole. Já foi falado em diversas alturas da temporada, sobre a necessidade de buscar uma peça dessas para o elenco, não se sabe ao certo se esse problema tentará ser resolvido em janeiro, ou na campanha seguinte. Sem esse “cérebro” central, a Juventus passa a depender do talento individual e da criatividade para se sobressair, tornando o ataque ainda mais decisivo.
E se a Juventus assumir isso como plano?
Ao invés de tentar corrigir o que não dá para corrigir no momento, a Juventus pode abraçar o caos e transformá-lo em estratégia. Essa não é a cara de Luciano Spalletti, porém, pode ser uma válvula de escape momentânea para o cenário atual, deixando para ele impor mais o seu trabalho em outro momento. Nem todos os profissionais são abertos a essa situação, então, é difícil imaginar que isso continue assim.
Se não dá para controlar o jogo, que a equipe marque mais gols. Se não há equilíbrio, que a Juventus se apoie na força dos atacantes. Se a defesa ainda oscila, que o ataque compense. É uma filosofia meio inconsequente, algo que foge do controle do treinador, e pode render uma demissão. E na situação de Spalletti, não dá para dizer que ele cogita essa possibilidade de vivenciar o mercado de transferências novamente.
O técnico italiano tem histórico de montar times ofensivos, intensos e criativos. Sob seu comando, a Juventus pode transformar essa imprevisibilidade em identidade positiva, virando um diferencial competitivo.
A “nova Juventus” pode nascer dessa escolha
A grande questão é: Spalletti vai transformar a Juventus maluca em projeto consciente?
Se ele aceitar o estilo vibrante, ofensivo e imprevisível como a cara da equipe, ao invés de tentar montar uma Juventus controlada que ainda não existe, o time poderá finalmente encontrar consistência. Seria o profissional que já conquistou o scudetto com o Napoli, decidindo se colocará uma coleira em seus profissionais, ou deixará eles livres para trabalhar da forma como desejarem, mas não tão soltos assim.
A vitória por 3 a 2 na Noruega mostrou que, quando a Juventus entra no caos, ela sabe viver nele. Sabe sofrer, reagir e competir. Com ajustes e planejamento, esse caos pode se tornar uma arma poderosa. Se Spalletti transformar essas partidas malucas em padrão estratégico, a Velha Senhora pode não só vencer mais, como se tornar muito mais perigosa na Europa. Ser a “Juventus maluca” não precisa ser um defeito. Pode muito bem ser o início de uma Juventus vencedora.
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