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Sem camisa 9, Juventus vê futuro ameaçado após queda na Copa Itália

A eliminação da Juventus na Coppa Italia escancarou um problema que já vinha sendo empurrado para frente há meses. O time até cria, compete, tenta ser agressivo em alguns momentos, mas esbarra sempre na mesma limitação: falta um centroavante capaz de decidir quando o jogo aperta. O relógio não marcou meia-noite, como no clássico de Manuel Vázquez Montalbán, mas às 20h01 de uma segunda-feira fria de fevereiro, quando a janela de transferências se fechou e, junto com ela, qualquer chance real de reforçar o ataque.

Luciano Spalletti, experiente e conhecido por extrair o máximo de seus elencos, segue tentando encontrar soluções dentro do que tem em mãos. Ele inventa jogadas ensaiadas, busca variações em bolas paradas, aposta em movimentos pouco convencionais para surpreender. Foi assim no lance em que Thuram saiu cara a cara com Carnesecchi e também no escanteio curto para David, desperdiçado depois por McKennie. Ideias não faltam, execução sim.

O problema é que, quando o nível sobe, criatividade sem contundência não resolve. Contra a Atalanta, no Gewiss Stadium, a Juventus até tentou competir de igual para igual, mas ficou claro que existe uma diferença qualitativa importante, principalmente no ataque. Não só em relação a Inter, Milan e Napoli, mas também diante de um rival direto como a Atalanta, que hoje tem opções mais confiáveis no banco e no time titular.

Os limites individuais aparecem

Spalletti jamais vai apontar o dedo publicamente para seus jogadores. Pelo contrário, segue protegendo o grupo e cobrando mais intensidade e coragem nos momentos decisivos. Só que os defeitos individuais, antes disfarçados por um sistema coletivo bem montado, voltaram a aparecer de forma cruel. E não tem a ver com falta de criação ou de organização ofensiva.

David é um atacante generoso, se movimenta bastante, ajuda fora da área e participa do jogo. Mas, perto do gol, não assusta. O mesmo vale para Openda, que vive uma fase apagada e parece sempre um segundo atrasado nas decisões. Para um treinador acostumado a trabalhar com nomes como Dzeko, Icardi e Osimhen em seus melhores momentos, a comparação pesa, e muito.

O lance final da partida, com Openda mandando a bola para longe, resume bem o drama. Não faltou chance, faltou qualidade. E quando se olha para o investimento feito, mais de 40 milhões de euros em um empréstimo com obrigação de compra praticamente automática, o prejuízo técnico vira também um problema financeiro. A conta não fecha dentro de campo nem fora dele.

Decisões custosas e banco improdutivo

A situação fica ainda mais incômoda quando se analisa o banco de reservas. Entre David, Openda e Koopmeiners, a Juventus tem algo próximo de 100 milhões de euros em jogadores que, juntos, não estão resolvendo. McKennie acaba sendo usado como alternativa ofensiva, mas perde impacto longe da função que melhor exerce, chegando de trás e atacando espaços.

As escolhas de Spalletti na reta final do jogo, por volta dos 70 minutos, acabaram expondo ainda mais essa fragilidade. Precisando do resultado, a Juventus lançou mão de opções que pouco acrescentaram. Faltou peso, faltou presença na área, faltou alguém que resolvesse com uma finalização simples.

A comparação com a Atalanta é inevitável. Como bem observou Massimo Paganin após a partida, os jogadores que saem do banco do time de Bergamo hoje entregam mais do que os da Juventus. Isso diz muito sobre o momento dos clubes e sobre o erro de planejamento da Vecchia Signora.

O futuro da Juventus também entra em jogo

Esse presente pesado interfere diretamente no que vem pela frente. A expectativa pelo retorno de Yildiz cresce a cada rodada. O jovem é mais agressivo, mais ousado e cria situações de perigo mesmo quando o time está travado. Ainda assim, seus números de gols não são animadores, e os quatro chutes na trave na temporada mostram que falta transformar promessa em realidade.

Outro nome que passou a ser visto com outros olhos é Dusan Vlahovic. Criticado duramente em temporadas anteriores, o sérvio ganhou valor justamente na ausência. Sem ele, ficou evidente que, mesmo com limitações, sua presença oferece algo que hoje não existe no elenco: referência, força física e ameaça constante dentro da área.

A questão é que Vlahovic parece cada vez mais distante de Turim. E sem a classificação para a próxima Champions League, o cenário fica ainda mais complicado. O dinheiro da competição europeia será fundamental para permitir que a Juventus vá ao mercado e compre, finalmente, um centroavante de alto nível.

Sem centroavante não há projeto

A eliminação na Coppa Italia não foi um acidente isolado. Foi consequência direta de um elenco mal equilibrado, especialmente no setor ofensivo. Spalletti segue tentando esconder as falhas com ideias, trabalho e variações táticas, mas o futebol cobra soluções simples quando o jogo aperta.

Sem um camisa 9 confiável, a Juventus continuará rodando em círculos. Pode competir, pode lutar, mas dificilmente vai dar o salto necessário para voltar ao topo do futebol italiano e europeu. O futuro do treinador, do elenco e do clube passa, obrigatoriamente, pela contratação de um centroavante de verdade.

Enquanto isso não acontece, a Juventus segue presa ao próprio limite. E no futebol, quando o gol não vem, todo o resto perde sentido.