Lutas UFC

Após derrotas, Kai Asakura decide mudar de divisão; dá para crer nele?

Kai Asakura derrotou o ótimo Juan Archuleta para conquistar o título peso galo do RIZIN. Essa vitória credenciou o japonês para estrear no UFC contra o campeão  peso mosca Alexandre Pantoja logo de cara. Pantoja finalizou Asakura no segundo round, dando um choque de realidade no calouro.

Após perder para o campeão, Kai Asakura enfrentou Tim Elliott para mostrar que era um dos melhores pesos mosca do mundo, mas foi finalizado no segundo assalto novamente. Depois de mais esse revés, Asakura revelou que subirá para o peso galo.

Entretanto, a categoria de cima traz desafios enormes para o lutador japonês, o que gera muitas dúvidas sobre como ele se sairá no peso galo. Mais pesado, numa divisão onde encontrará ótimos grapplers, a tendência é que Asakura também não se crie.

Kai Asakura não inspira confiança no peso galo

A mudança de categoria de Kai Asakura para o peso galo do UFC levanta sérias dúvidas sobre seu futuro na organização. Apesar do bom cartel no RIZIN, Asakura teve uma dura realidade no UFC expondo uma fragilidade já conhecida de seu jogo: a deficiência no grappling defensivo.

Kai Asakura, em sua estreia no UFC, foi finalizado por Alexandre Pantoja
Kai Asakura, em sua estreia no UFC, foi finalizado por Alexandre Pantoja (Imagem: Wade Vandervort/Las Vegas Sun via AP)

No peso galo, Asakura naturalmente terá mais força física e não precisará sofrer tanto com o corte de peso. No entanto, a nova divisão não promete vida mais fácil. O peso galo do UFC é uma das categorias mais profundas e exigentes do esporte, recheada de lutadores que combinam excelente trocação com grappling sufocante.

Enfrentar adversários como Merab Dvalishvili, Umar Nurmagomedov, Petr Yan ou mesmo Cory Sandhagen, todos com jogos muito completos, representará um desafio ainda maior do que nos moscas.

A subida de peso, por si só, não corrige os erros técnicos que levaram Asakura a ser finalizado duas vezes de maneira semelhante. Pelo contrário, os problemas tendem a se agravar diante de atletas mais fortes fisicamente e com melhor capacidade de controle posicional.

Kai Asakura tem qualidades indiscutíveis. Sua trocação é afiada, seu timing ofensivo é bom e ele é um striker criativo, capaz de nocautear em qualquer momento. No entanto, sua falta de evolução no grappling, mesmo após anos no circuito profissional, é preocupante.

Não se trata apenas de ter sido vencido por grapplers de elite, isso acontece com muitos, mas sim de apresentar as mesmas vulnerabilidades sem sinais claros de adaptação ou melhoria. No UFC, onde a margem de erro é mínima, esse tipo de deficiência técnica costuma ser explorado implacavelmente.

Portanto, embora a mudança para o peso galo possa aliviar o desgaste físico e trazer algum benefício atlético, é difícil imaginar Asakura tendo sucesso na nova categoria sem uma reformulação profunda em seu jogo de solo. Se continuar dependente exclusivamente da trocação, enfrentará limitações claras diante de oponentes mais completos.

A falta de defesa de quedas, a passividade quando colocado por baixo e a ausência de transições eficientes no chão indicam que, se não houver uma mudança estrutural em sua preparação, a tendência é que sua passagem pelo UFC continue marcada por derrotas contra os grapplers mais dominantes da divisão.

(Imagem de capa: Reprodução UFC)