Kamaru Usman
Lutas UFC

Kamaru Usman: qual deve ser o próximo passo do ex-campeão no UFC?

Kamaru Usman voltou a viver um momento de incerteza no UFC. Depois de tentar reescrever sua trajetória entre os médios, o ex-campeão dos meio-médios acabou dominado por Dricus du Plessis na luta principal do UFC Oklahoma City e deixou o octógono cercado por dúvidas sobre o futuro da carreira. Aos 39 anos, o nigeriano garantiu que ainda não pensa em aposentadoria, mas a derrota levantou uma questão inevitável: qual é o melhor caminho para “The Nigerian Nightmare” a partir de agora?

A resposta não parece tão simples. Se, por um lado, Usman continua sendo um dos maiores nomes da história recente da organização, por outro, sua passagem pelos médios ainda não entregou os resultados esperados. Contra Dricus du Plessis, ficou evidente que talento e experiência nem sempre conseguem compensar diferenças físicas tão significativas.

Agora, o veterano terá que decidir se insiste na categoria até 84 kg ou se faz aquilo que muitos consideram o movimento mais lógico: voltar definitivamente aos meio-médios.

Aposta nos médios não saiu como o esperado

Kamaru Usman chegou para o duelo contra Dricus du Plessis embalado pela vitória sobre Joaquin Buckley, resultado conquistado mais de um ano antes. O triunfo teve um peso enorme para sua confiança, já que encerrou uma sequência de três derrotas consecutivas.

Parecia o momento ideal para reconstruir sua caminhada. No entanto, em vez de permanecer entre os meio-médios, onde construiu praticamente toda sua história no UFC, o ex-campeão decidiu subir novamente para enfrentar um antigo dono do cinturão dos médios.

A aposta era ousada. Também era bastante arriscada.

Dricus du Plessis mostrou por que o tamanho importa

Durante praticamente todos os cinco rounds, Dricus du Plessis controlou as ações.

O sul-africano utilizou sua vantagem física de maneira inteligente, impondo força no clinch, potência nos golpes e um volume ofensivo que dificultou qualquer reação de Usman.

A diferença de tamanho ficou evidente desde os primeiros minutos.

Sempre que encontrava espaço, Du Plessis conectava golpes limpos que abalavam o nigeriano. Ainda assim, Usman mostrou uma das características que marcaram toda sua carreira: resistência.

Mesmo bastante castigado, recusou-se a desistir da luta. Foi competitivo até o fim, mas isso não foi suficiente para convencer os juízes.

A vitória por decisão unânime para Du Plessis refletiu exatamente o que aconteceu durante os 25 minutos de combate.

Números deixam pouca margem para dúvidas

A derrota também trouxe um dado preocupante. Agora, Kamaru Usman acumula duas derrotas em duas lutas disputadas na divisão dos médios. Antes de enfrentar Du Plessis, ele já havia sido superado por Khamzat Chimaev.

Ou seja, a experiência até 84 kg ainda não trouxe qualquer vitória. Isso naturalmente aumenta a pressão para uma mudança de rota.

Embora o próprio Usman tenha evitado confirmar qual será sua próxima categoria, o retrospecto indica que insistir nos médios talvez não seja a decisão mais inteligente neste momento da carreira.

Usman ainda acredita nas oportunidades

Apesar do revés, Kamaru Usman deixou claro na entrevista coletiva que não pretende pendurar as luvas.

Muito pelo contrário. Segundo o ex-campeão, sua carreira sempre foi construída aproveitando oportunidades inesperadas.

Ele lembrou, por exemplo, que aceitou enfrentar Khamzat Chimaev em curto prazo e também citou lutas realizadas com poucos dias de preparação ao longo da carreira.

Usman ainda usou Michael Bisping como exemplo. O britânico conquistou o cinturão dos médios justamente ao aceitar uma oportunidade inesperada, algo que o nigeriano acredita que também pode acontecer novamente com ele.

É um pensamento compreensível para alguém que construiu boa parte da carreira apostando em desafios difíceis. Mas existe uma diferença importante.

Bisping venceu quando recebeu sua oportunidade. Usman, até aqui, ainda não conseguiu encontrar o mesmo sucesso entre os médios.

Voltar aos meio-médios parece ser a decisão mais lógica

Se existe um caminho que faz sentido neste momento, ele passa pela divisão até 77 kg.

Foi nela que Kamaru Usman construiu um dos reinados mais dominantes da história recente do UFC.

Durante anos, derrotou praticamente todos os principais nomes da categoria e consolidou seu legado como um dos maiores campeões dos meio-médios.

Mesmo já não vivendo o auge físico da carreira, ainda parece competitivo o suficiente para enfrentar atletas bem posicionados no ranking.

Além disso, o cenário atual da categoria pode oferecer confrontos interessantes sem exigir que ele enfrente imediatamente um candidato ao cinturão.

Antes de pensar em uma nova corrida pelo título, talvez seja hora de recuperar ritmo, confiança e sequência de vitórias.

Kevin Holland aparece como um adversário interessante

Entre os possíveis rivais, um nome chama atenção: Kevin Holland.

À primeira vista, o confronto pode parecer estranho, principalmente pelo histórico dos dois atletas. No entanto, analisando a situação do ranking, a luta faz bastante sentido.

Com a derrota para Du Plessis, a tendência é que Usman perca algumas posições e deixe o top 10 da categoria em que estava ranqueado anteriormente.

Enquanto isso, boa parte dos atletas posicionados entre a 11ª e a 15ª colocação já possui compromissos marcados ou vive sequência positiva que deve levá-los a desafios maiores.

Holland surge justamente como uma alternativa viável.

O norte-americano vinha de vitória sobre Randy Brown no UFC 327, encerrando uma sequência negativa de dois resultados desfavoráveis. Ele ainda estava escalado para enfrentar Jacobe Smith no último fim de semana, mas acabou deixando o card por causa de uma lesão.

Quando estiver recuperado, uma luta contra Kamaru Usman pode representar uma excelente oportunidade para ambos.

Para Holland, seria a chance de derrotar um ex-campeão. Para Usman, a possibilidade de provar que ainda pertence à elite da divisão.

Legado está garantido, mas o futuro exige escolhas inteligentes

Independentemente do que acontecer daqui para frente, Kamaru Usman já garantiu seu lugar entre os grandes nomes da história do UFC.

Seu reinado nos meio-médios, as vitórias sobre adversários de alto nível e o domínio exercido durante anos dificilmente serão apagados por derrotas no fim da carreira.

Ainda assim, o esporte vive de momentos. E o atual momento pede reflexão.

Insistir nos médios significaria continuar enfrentando atletas naturalmente maiores, mais pesados e fisicamente mais fortes. A luta contra Dricus du Plessis deixou isso muito claro.

Por outro lado, retornar aos meio-médios permitiria que Usman competisse em uma categoria onde conhece o caminho das vitórias e ainda possui respeito suficiente para protagonizar grandes eventos.

A decisão final continuará sendo dele.

Mas, olhando para o desempenho apresentado no UFC Oklahoma City, talvez seja a hora de deixar a aventura nos médios para trás e voltar ao lugar onde construiu seu legado. Afinal, às vezes o melhor golpe de um lutador não é um cruzado ou uma queda perfeita é saber reconhecer qual é o caminho mais inteligente para continuar vencendo.

Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC