O Brentford protagonizou um dos jogos mais eletrizantes da temporada ao vencer o Burnley por 4 a 3, em Turf Moor. O roteiro teve de tudo: reação, gol anulado no apagar das luzes e muito drama.
The Bees abriram três gols de vantagem, permitiram a reação dos mandantes e pareciam caminhar para um empate dramático. Aos 93 minutos, porém, Mikkel Damsgaard recolocou o Brentford na frente. Ainda houve tempo para mais tensão: Ashley Barnes empatou aos 98, mas o VAR anulou o gol por toque de mão após quatro minutos de revisão.
Não foi o cenário ideal para celebrar a renovação contratual de Keith Andrews, assinada nesta semana. Sobre o jogo, ele foi reconheceu o roteiro dramático:
“Teve de tudo. Os neutros devem ter adorado, mas foi drama demais para mim”
Ainda assim, o resultado mantém o Brentford na sétima colocação, a cinco pontos do quinto lugar — ocupado pelo Liverpool —, com apenas dez rodadas restantes. O sonho europeu, antes distante, agora é palpável.
De aposta arriscada a projeto consolidado
Quando Andrews assumiu após a saída de Thomas Frank para o Tottenham Hotspur, o ceticismo era inevitável. Promover o treinador de bolas paradas para substituir o responsável pela ascensão do clube à Premier League parecia ousado demais. Somavam-se a isso as saídas de peças importantes como Christian Norgaard, Bryan Mbeumo e Yoane Wissa. O cenário projetava dificuldade, mas o que veio foi evolução.
Andrews manteve a base estrutural do trabalho anterior, mas colocou sua assinatura. Menos rupturas, mais ajustes pontuais. Foi assim que o Brentford venceu 17 dos 34 jogos sob seu comando, 13 deles na liga. Fora de casa, o desempenho é ainda mais impressionante: cinco vitórias nos últimos seis compromissos da Premier League.
No ataque, o crescimento coletivo é evidente. Igor Thiago — este sendo um dos artilheiros do torneio, com 18 gols — Kevin Schade e Dango Ouattara dão profundidade e intensidade ao sistema ofensivo. Além da participação fundamental de Mikkel Damsgaard na criação. O dinamarquês, inclusive, elogiou Keith Andrews e foi objetivo na análise do ambiente:
“Ele é uma ótima pessoa. Aprendemos muito com ele. É o encaixe perfeito.” — festejou Mikkel.
Europa no horizonte
O Brentford jamais disputou uma competição europeia em seus 134 anos de história. Mas, o contexto favorece, uma vez que a Inglaterra lidera o ranking de coeficientes da UEFA. Com isso, o sétimo lugar pode ser suficiente para garantir vaga na Conference League.
Mesmo com a boa fase, Andrews prega cautela:
“Não olhei a tabela. Vamos jogo a jogo.”
Embora toda a postura mais comedida do técnico, o discurso interno já mudou. Há confiança, consistência e, o mais importante: um grupo que acredita.
Se a equipe mantiver o ritmo nas rodadas finais — começando pelo confronto contra o Bournemouth —, o que parecia utopia pode virar marco histórico. Andrews já calou os críticos e agora tenta transformar sonho em realidade.
Créditos da foto de capa: Divulgação/Brentford FC