O primeiro jogo da série entre New York Knicks e Philadelphia 76ers deixou uma mensagem bem clara: Nova York encontrou um caminho direto para atacar a defesa adversária, e esse caminho passa por Joel Embiid. A vitória dos Knicks não foi apenas resultado de um bom aproveitamento ofensivo, mas sim de uma estratégia bem definida e executada com precisão, baseada em explorar o pivô camaronês em situações de pick-and-roll.
Desde os primeiros minutos, o plano ficou evidente. Os Knicks buscaram envolver Embiid em praticamente todas as ações ofensivas possíveis. O objetivo era simples: tirá-lo da zona de conforto, forçá-lo a defender longe da cesta e testar sua mobilidade. E os números mostram o quão eficiente essa abordagem foi.
De acordo com dados de rastreamento da Synergy Sports, Nova York converteu 11 de 14 arremessos quando conseguiu forçar Embiid a defender diretamente o portador da bola no pick-and-roll. Isso resultou em 29 pontos em apenas 16 posses, o que representa impressionantes 1,81 ponto por posse. Para efeito de comparação, um ataque considerado eficiente na NBA costuma girar em torno de 1,10 a 1,20 ponto por posse. Ou seja, o desempenho dos Knicks esteve muito acima do padrão da liga.
Ataque inteligente e leitura de jogo refinada
O grande destaque da execução ofensiva foi Jalen Brunson, que terminou a partida como cestinha e comandou o ritmo do jogo. Brunson não apenas pontuou com eficiência, mas também tomou decisões rápidas e inteligentes, explorando cada ajuste defensivo feito pelo técnico Nick Nurse.
Quando os Sixers optaram por uma defesa mais recuada, Brunson aproveitou o espaço para arremessos de média e longa distância. Quando a marcação subia para pressionar, ele acelerava em direção ao garrafão, criando oportunidades para si ou para os companheiros. Essa capacidade de adaptação foi essencial para desmontar a defesa de Philadelphia.
Além disso, jogadores como Mikal Bridges, OG Anunoby e Josh Hart contribuíram com movimentação constante e boa leitura de jogo. Mesmo quando a primeira ação ofensiva não gerava um arremesso imediato, os Knicks mantinham a posse viva, girando a bola até encontrar a melhor opção. Esse estilo de “ler e reagir” dificultou ainda mais a vida da defesa adversária.
Outro ponto importante foi a capacidade de explorar mismatches. Sempre que possível, Nova York buscava colocar seus melhores criadores contra defensores mais vulneráveis, especialmente em situações envolvendo Embiid. Isso gerou uma série de jogadas de alto aproveitamento, seja em infiltrações, arremessos livres ou passes para companheiros desmarcados.
Desafios para os Sixers e possíveis ajustes
Do lado dos Sixers, o cenário exige mudanças rápidas. Joel Embiid teve uma atuação abaixo do esperado, com números modestos e pouca influência defensiva. Parte disso pode ser explicada por questões físicas, já que o pivô vem de uma sequência desgastante de jogos e também lida com problemas recentes de lesão. Ainda assim, sua limitação em quadra acabou sendo explorada de forma consistente pelos Knicks.
Uma das alternativas para Nick Nurse é tentar proteger melhor Embiid defensivamente, evitando que ele seja constantemente envolvido no pick-and-roll. Isso pode ser feito com ajustes de marcação, como trocas mais rápidas ou até mudanças na formação do time. No entanto, como o próprio jogo mostrou, os Knicks estão preparados para reagir a essas variações.
No ataque, há sinais positivos. Tyrese Maxey e Paul George conseguiram criar boas oportunidades, especialmente no segundo quarto. Maxey, em particular, teve bons momentos, mas não converteu arremessos que normalmente acertaria. Isso indica que há espaço para evolução sem necessariamente depender de grandes mudanças táticas.
Outro fator relevante é a chamada variância de arremessos. Segundo métricas da PBP Stats, os Knicks tiveram um aproveitamento acima do esperado no Jogo 1, enquanto os Sixers ficaram abaixo. Em uma série longa, essa diferença tende a diminuir, o que pode equilibrar os confrontos futuros.
Ainda assim, confiar apenas nessa regressão estatística seria um erro. O nível de organização e execução ofensiva do Knicks sugere que o desempenho não foi apenas um acaso. O time terminou a temporada regular entre os melhores em eficiência de arremessos e manteve esse padrão nos playoffs.
No fim das contas, o Jogo 1 deixou claro que os Sixers precisam encontrar soluções, especialmente na defesa. Se não conseguirem limitar o impacto das ações envolvendo Embiid, os Knicks continuarão encontrando bons arremessos com frequência. E, nesse cenário, a tendência é que a vantagem siga do lado de Nova York.
(Foto: Brad Penner)