Lamine Yamal talvez ainda não tenha mostrado sua melhor versão nesta Copa do Mundo, mas isso não significa que a França esteja tranquila. Muito pelo contrário. Bastou o nome do jovem atacante espanhol aparecer nas entrevistas coletivas para o assunto dominar o ambiente da seleção francesa. O histórico recente pesa, e Didier Deschamps sabe que conter o camisa 19 pode ser o detalhe que separa os Bleus da final.
Mesmo com apenas um gol no Mundial, marcado na vitória sobre a Arábia Saudita, Lamine Yamal continua sendo tratado como um dos jogadores mais perigosos do futebol mundial. Afinal, quando o assunto é enfrentar a França, o atacante do Barcelona já deixou marcas difíceis de esquecer.
Lamine Yamal assombra a França desde a Eurocopa
O receio francês não nasceu nesta Copa do Mundo. Ele vem sendo construído nos últimos dois anos, período em que Lamine Yamal se tornou um verdadeiro pesadelo para os Bleus.
O primeiro golpe aconteceu na semifinal da Eurocopa de 2024. Naquela partida, o jovem espanhol acertou um chute espetacular de fora da área para empatar o jogo e iniciar a virada da Espanha por 2 a 1.
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Pouco tempo depois, veio outro capítulo doloroso.
Na semifinal da Liga das Nações de 2025, Lamine Yamal marcou dois gols na eletrizante vitória espanhola por 5 a 4 sobre a França. Foram três gols em apenas dois confrontos contra a mesma seleção, um retrospecto que explica por que o atacante voltou a ser tema recorrente nas entrevistas dos franceses.
Por isso, mesmo sem viver seu torneio mais brilhante até aqui, Lamine Yamal continua ocupando boa parte das preocupações da comissão técnica adversária.
França evita falar em medo, mas admite respeito
Nas entrevistas antes da semifinal, os defensores Ibrahima Konaté e Maxence Lacroix tentaram minimizar a ideia de que existe um plano específico para parar Lamine Yamal.
Konaté foi direto ao responder sobre o assunto.
Segundo o zagueiro, a França não está pensando exclusivamente em um jogador, mas sim na força coletiva da Espanha. Para ele, concentrar toda a atenção em Lamine Yamal seria um erro, já que a seleção espanhola conta com diversos atletas capazes de decidir uma partida.
O discurso é compreensível.
Nenhum treinador gosta de admitir publicamente que monta toda uma estratégia para neutralizar apenas um adversário. Ainda assim, nos bastidores, é evidente que Deschamps prepara mecanismos específicos para evitar que o camisa 19 tenha liberdade.
Lacroix seguiu exatamente a mesma linha. O defensor afirmou que não existe medo, apenas respeito pela qualidade da Espanha, destacando que os Bleus confiam no trabalho desenvolvido durante toda a competição.
Os números mostram uma França defensivamente sólida
Se existe um ponto que dá confiança aos franceses, ele está no desempenho defensivo.
A França chegou às semifinais depois de sofrer apenas dois gols em seis partidas da Copa do Mundo. Além disso, construiu uma campanha baseada em organização, intensidade sem a bola e muita disciplina tática.
A imprensa francesa, inclusive, apontou a evolução defensiva como uma das principais razões para o sucesso da equipe até aqui.
O problema é que Lamine Yamal costuma justamente desafiar sistemas defensivos muito bem montados.
Sua capacidade de acelerar jogadas, partir para o drible e encontrar espaços praticamente do nada faz com que qualquer estrutura precise de ajustes constantes durante os 90 minutos.
É exatamente isso que preocupa Deschamps.
O maior dilema está no lado esquerdo da defesa
Grande parte da estratégia francesa passa por uma única posição: a lateral esquerda.
É por aquele setor que Lamine Yamal normalmente atua, cortando para o meio com sua perna esquerda e buscando finalizações ou passes decisivos.
A tendência é que Lucas Digne seja novamente o titular.
O lateral do Aston Villa ganhou espaço durante a Copa do Mundo, superando Theo Hernández na disputa pela posição. Suas atuações seguras contra Paraguai e Marrocos convenceram Deschamps de que ele oferece maior equilíbrio defensivo. Entretanto, existe uma preocupação importante.
Digne não possui a mesma velocidade de Lamine Yamal em disputas de longa distância. Se ficar exposto em situações de um contra um, pode encontrar enormes dificuldades para acompanhar o espanhol.
Por isso, a ideia francesa é que o lateral receba ajuda constante.
Deschamps prepara uma “gaiola” para Lamine Yamal
Segundo a imprensa francesa, o plano da comissão técnica passa por impedir que Lamine Yamal receba a bola em condições favoráveis.
A estratégia prevê uma marcação em superioridade numérica sempre que o atacante receber aberto pela direita.
Além do lateral, o ponta esquerdo francês deverá fechar os espaços imediatamente, enquanto um volante se aproxima para impedir que o espanhol corte para dentro com facilidade.
Em algumas jogadas, até mesmo o zagueiro mais próximo poderá sair da linha para oferecer cobertura.
A ideia é simples. Criar uma espécie de “gaiola” ao redor de Lamine Yamal, obrigando o atacante a tocar para trás ou conduzir a bola para regiões onde a Espanha tenha menos opções ofensivas.
Não existe uma fórmula mágica para pará-lo.
Existe apenas a tentativa de reduzir o máximo possível o espaço disponível.
Theo Hernández e Lucas Hernández seguem como alternativas
Embora Lucas Digne apareça como favorito, Deschamps ainda possui outras opções para o setor.
Theo Hernández oferece maior velocidade e explosão física, características importantes para acompanhar Lamine Yamal em corridas mais longas. Porém, perdeu espaço após cometer um pênalti na estreia da Copa do Mundo e ainda não conseguiu recuperar totalmente a confiança do treinador.
Já Lucas Hernández representa uma alternativa mais agressiva defensivamente.
Acostumado a confrontos físicos e marcações individuais, ele poderia oferecer outra característica ao setor. No entanto, ainda não disputou nenhum minuto nesta edição do Mundial, o que torna sua utilização menos provável em um jogo de tamanha importância.
Espanha aposta novamente no talento de Lamine Yamal
Mesmo sem repetir as atuações mais brilhantes da temporada, Lamine Yamal continua sendo uma das principais armas da Espanha para buscar uma vaga na decisão da Copa do Mundo.
Sua capacidade de decidir partidas grandes já ficou evidente contra a própria França nas últimas temporadas, e isso basta para manter o alerta ligado do outro lado.
No fim das contas, a grande pergunta feita pelos jornalistas franceses continua sem resposta. Como impedir um jogador que já decidiu duas semifinais consecutivas contra a mesma seleção?
Deschamps pode montar esquemas, dobrar marcações e reforçar a proteção pelo lado esquerdo. Ainda assim, a sensação é de que nenhuma estratégia oferece garantia absoluta.
Afinal, quando Lamine Yamal encontra espaço para jogar, basta um único lance para transformar uma partida equilibrada em mais um capítulo memorável de sua ainda curta e já impressionante carreira.
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