Substituir toda a história e trajetória de Antoine Griezmann no Atlético de Madrid não é uma tarefa fácil, porém é o que está se esperando de Lee Kang-in. Antes de chegar ao nome do sul-coreano, o plano inicial da diretoria do clube era o Bernardo Silva. O português, aos seus 31 anos, chegaria com grande status após, por nove anos, ter sido o motor criativo do Manchester City de Pep Guardiola, trazendo criatividade, experiência internacional e talento imediato ao Estádio Metropolitano. Apesar da expectativa de contar com Bernardo Silva, os rojiblancos sofreram um baque com a decisão do jogador de se transferir para o rival da capital, o Real Madrid.
Sem o português, o diretor de futebol Mateu Alemany acionou um plano alternativo que, a médio e longo prazo, se apresenta muito mais promissor. Em vez de investir em um atleta que completará 32 anos em agosto e ofereceria, no máximo, duas temporadas em alto nível, o Atlético de Madrid voltou seus olhos para o cobiçado Lee Kang-in.
Aos 25 anos, o sul-coreano chega com toda a carreira pela frente e ainda pode ser lapidado por Diego Simeone para que se transforme no craque mundial que o treinador argentino transformou o camisa 7 francês. A convicção de Alemany no potencial do asiático é antiga e profunda. Foi o dirigente quem apostou no talento do garoto quando ele tinha apenas 17 anos, promovendo sua estreia como profissional no Valência. Agora, a meta é repetir a receita de sucesso da era Cholo, unindo a visão de mercado da diretoria com a capacidade quase mística do treinador de reinventar e aprimorar atletas de elite.
Lee Kang-in terá mais espaço em Madrid
Substituir um dos maiores jogadores da história moderna do Atlético de Madrid é uma missão ingrata, mas o caminho trilhado por Griezmann para se converter em lenda colchonera guarda semelhanças com o momento atual de Lee Kang-in. O sul-coreano desembarca em Madrid com dois títulos de UEFA Champions League em seu currículo com o Paris Saint-Germain, mas é seduzido pelo Atlético com a promessa de dar à sua carreira o salto que o francês experimentou no passado.
Griezmann assinou com o clube aos 23 anos, após cinco temporadas de amadurecimento na Real Sociedad, onde viveu desde o acesso à segunda divisão até o destaque na elite. Da mesma forma, os 25 anos de Lee Kang-in representam a idade de maturação perfeita para que ele assuma o papel de protagonista que lhe faltava no estrelado elenco de Luis Enrique em Paris, consolidando as excelentes passagens por Valência e Mallorca.
Os pontos de contato vão além da idade e da trajetória na Espanha. Ambos chamaram a atenção do radar rojiblanco atuando pelos lados do campo, com Lee Kang-in desequilibrando pela ponta direita, enquanto o francês jogava pela ponta esquerda. As estatísticas de suas trajetórias antes de vestirem a camisa do Atlético também demonstram suas diferenças dentro de campo.
Griezmann era o artilheiro vertical, enquanto Lee Kang-in é o garçom cerebral. Juntar a precisão técnica do sul-coreano com o DNA competitivo de Diego Simeone é a fórmula ideal para criar o jogador total do futuro, juntando drible, passe e sacrifício tático.
Protagonismo na seleção
Um fator que o sul-coreano supera em relação à chegada do francês é o protagonismo internacional com a seleção de seu país. O impacto de Lee Kang-in na Coreia do Sul é muito maior do que o de Griezmann quando firmou seu primeiro vínculo com o Atlético de Madrid.
Quando chegou a Madrid, Griezmann tinha modestas nove partidas pela França e três gols marcados pela seleção, tendo integrado o grupo de Didier Deschamps na Copa do Mundo de 2014, no Brasil, apenas como uma peça de composição de elenco. Diferentemente do francês, Lee Kang-in já ostenta a marca de 48 jogos, 11 gols e 14 assistências pela Coreia do Sul.
Sua estreia na atual edição da Copa do Mundo provou que ele é o protagonista do futebol de sua nação. Esse status de líder internacional confirma que sua contribuição em campo vai muito além das quatro linhas.
A mudança de função
A grande cartada de Diego Simeone para viabilizar essa transição de Lee Kang-in está em repetir a mudança de função que transformou a carreira de Griezmann. Na Real Sociedad, o francês era um ponta agudo, veloz e focado no drible e no cruzamento. No Atlético, o argentino o trouxe para a faixa central, transformando-o em um segundo atacante com liberdade para ditar o ritmo do jogo, pisar na área e organizar o time desde o campo de defesa.
Os dados mais recentes de Lee Kang-in no Mundial servem como um convite irrecusável para essa mudança posicional. Sua capacidade de distribuir passes, simbolizada por 17 passes certos no terço final do campo e pela assistência cirúrgica para o primeiro gol da vitória coreana, mostra que o jogador teria uma boa adaptação atuando em um posicionamento centralizado.
Ao tirar Lee Kang-in da ponta direita e colocá-lo centralizado no meio-campo ofensivo do Atlético, Simeone dará ao jogador o espaço para que sua capacidade de visão de jogo controle as partidas. Junto com um sistema defensivo sólido e com alas que atacam o espaço, o sul-coreano terá o cenário ideal para acionar os atacantes com passes em profundidade e evoluir seu lado goleador. Com essa mudança posicional, o Atlético de Madrid conclui a transição de seu setor criativo, apostando na evolução técnica de Lee Kang-in para consolidar o planejamento tático das próximas temporadas.
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