O Estudiantes de La Plata conquistou a Copa Libertadores pela quarta vez em sua história em 2009, encerrando um jejum que durava desde 1970. A equipe argentina superou o Cruzeiro na final ao vencer por 2 a 1 no Mineirão, após um empate sem gols no jogo de ida. Mesmo saindo atrás no placar, com um gol de Henrique, os argentinos reagiram e garantiram a vitória com tentos de Gastón Fernández e Mauro Boselli, o grande goleador daquela campanha. O principal nome do time, no entanto, foi o meio-campista Juan Sebastián Verón, que retornou ao clube em 2006, após uma década jogando na Europa.
Para chegar à final, o Estudiantes iniciou sua trajetória na Libertadores de 2009 eliminando o Sporting Cristal, do Peru, na fase preliminar. No grupo classificatório, terminou na segunda colocação e avançou para as oitavas de final, onde superou o Libertad, do Paraguai. Nas quartas, eliminou o Defensor Sporting e garantiu vaga na decisão ao vencer o Nacional, do Uruguai, na semifinal.
Na grande final contra o Cruzeiro, o primeiro confronto, disputado em La Plata, terminou em 0 a 0. No duelo de volta, no Mineirão lotado, os brasileiros saíram na frente com um gol de Henrique, mas os argentinos empataram rapidamente com ‘La Gata’ Fernández. Pouco depois, Mauro Boselli virou o placar e garantiu o tetracampeonato para o Estudiantes.
Com essa vitória histórica, a equipe argentina voltou a erguer a taça da Libertadores após quase 40 anos. Verón, capitão e referência do time, foi eleito o melhor jogador da final e consolidou-se como um dos maiores ídolos do clube. A conquista resgatou o orgulho do Estudiantes, que não vencia o torneio desde os tempos gloriosos de Osvaldo Zubeldía e Juan Ramón Verón, o pai de Sebastián, nos anos 60.
Após o título, Verón emocionou os torcedores ao dizer: “Foi isso que os velhos campeões nos pediram. A magia está viva e passará de geração em geração.”
O duelo entre Cruzeiro e Estudiantes na final da Libertadores de 2009
Mesmo jogando em casa e tendo a vantagem após o empate sem gols na ida, o Cruzeiro abriu o placar, mas acabou sofrendo a virada diante de um Mineirão lotado. O time de Belo Horizonte chegou à final da Libertadores em um período de domínio brasileiro na competição, com nove decisões consecutivas envolvendo equipes do país. No entanto, entre 2006 e 2009, clubes do Brasil sofreram derrotas para rivais sul-americanos, como o Grêmio para o Boca Juniors e o Fluminense para a LDU – e o Cruzeiro acabou se juntando a essa lista ao perder para o Estudiantes.
Os times já haviam se enfrentado na fase de grupos da Libertadores, onde cada equipe venceu um jogo de maneira categórica. O Cruzeiro aplicou 3 a 0 no Mineirão, enquanto o Estudiantes devolveu com uma goleada por 4 a 0 na Argentina. A Raposa avançou em primeiro no grupo, três pontos à frente dos argentinos.
Na fase de mata-mata, o Cruzeiro eliminou a Universidad de Chile, o São Paulo e o Grêmio para chegar à sua quarta decisão de Libertadores. Já o Estudiantes passou pelo Libertad, Defensor Sporting e Nacional antes de garantir presença na final pela quinta vez, a primeira desde 1971.
Apesar de não ser considerado um time estelar, o Estudiantes contava com um elenco sólido. No gol, Mariano Andújar se destacava e garantiria vaga na seleção argentina para a Copa de 2010. A defesa era formada por Rolando Schiavi e Leandro Desábato, enquanto Enzo Pérez e Verón comandavam o meio-campo. No ataque, Mauro Boselli foi o artilheiro do torneio, com oito gols, ao lado de Gastón Fernández.
O Cruzeiro, treinado por Adilson Batista, tinha Fábio no gol e uma defesa composta por Jonathan, Thiago Heleno, Leonardo Silva e Gérson Magrão. No meio, Henrique, Marquinhos Paraná, Ramires e Wagner eram os responsáveis pela armação, enquanto Kléber e Wellington Paulista formavam a dupla de ataque.
No jogo decisivo, com 65 mil torcedores presentes no Mineirão e a presença de figuras políticas como Aécio Neves e do técnico da Seleção Brasileira, Dunga, o Cruzeiro abriu o placar com Henrique, que acertou um chute de fora da área aos sete minutos do segundo tempo. No entanto, cinco minutos depois, Verón iniciou a jogada que resultou no empate de Gastón Fernández. Aos 28 minutos, o capitão argentino cobrou escanteio na medida para Boselli marcar de cabeça e virar o jogo. O Cruzeiro ainda teve uma chance no fim, com Thiago Ribeiro acertando a trave, mas a festa no Mineirão foi argentina.
Com o título, o Estudiantes ergueu sua quarta Libertadores (1968, 1969, 1970 e 2009), enquanto o Cruzeiro, que buscava seu terceiro troféu (1976 e 1997), viu o sonho escapar diante de sua torcida.
Os destaques do Estudiantes na conquista da Libertadores de 2009
Além de Verón e Boselli, outros jogadores brilharam na campanha vitoriosa do Estudiantes na Libertadores. O goleiro Mariano Andújar se consolidou como um dos melhores do continente, ganhando espaço na seleção argentina. Outros nomes como Clemente Rodríguez e Enzo Pérez também tiveram passagens pela equipe nacional nos anos seguintes.
O zagueiro Rolando Schiavi, veterano e líder defensivo, estrearia pela seleção argentina alguns meses depois, tornando-se o mais velho a debutar pela Albiceleste. Rodrigo Braña, Christian Cellay, Leandro Desábato e Mauro Boselli também receberam oportunidades na seleção, embora envoltos em polêmicas sobre supostas preferências do técnico Alejandro Sabella.
Sabella, por sua vez, iniciava ali sua trajetória como treinador. Ex-assistente de Daniel Passarella, ele assumiu o Estudiantes em 2009 e, anos depois, comandaria a Argentina na Copa do Mundo de 2014, levando o país ao vice-campeonato mundial.
Essa conquista de 2009 não foi apenas um troféu para o Estudiantes, mas um resgate de sua identidade vencedora, com Verón repetindo os feitos de seu pai e consolidando-se como um dos maiores ídolos do clube.
(Foto: Getty Images)