A história do Cruzeiro na Libertadores de 1976 foi escrita com talento, ousadia e gols, representada por um trio. Entre os protagonistas daquela campanha inesquecível, três nomes se destacaram como símbolos da conquista: Joãozinho, Palhinha e Nelinho. Cada um com suas características únicas, eles formaram um trio de lendas que marcou uma geração e colocou o Cruzeiro no topo do futebol sul-americano.
Com a camisa celeste, esses três craques ajudaram o time a superar desafios, golear adversários e garantir a primeira Libertadores da história do clube. Mais do que isso, eles entraram para a eternidade como alguns dos maiores ídolos do futebol mineiro.
O Cruzeiro dos anos 70
Na década de 1970, o Cruzeiro consolidou-se como uma das principais forças do futebol brasileiro. O time que já havia encantado o país com a conquista da Taça Brasil de 1966, goleando o Santos de Pelé na final, agora buscava um novo desafio: conquistar a América.
Para isso, contava com um elenco repleto de qualidade e comandado pelo técnico Zezé Moreira. Entre os principais nomes estavam Joãozinho, um ponta-esquerda habilidoso e decisivo; Palhinha, o artilheiro nato com faro de gol apurado; e Nelinho, um dos maiores laterais-direitos da história do futebol brasileiro, dono de um chute potente e preciso.
Com esse trio em grande fase, o Cruzeiro fez uma campanha impressionante na Libertadores de 1976.
A campanha na Libertadores de 1976
A jornada rumo ao título começou com uma fase de grupos avassaladora. O Cruzeiro caiu na chave ao lado de Internacional, Alianza Lima e Universitario, ambos do Peru. O time celeste venceu cinco dos seis jogos, garantindo a classificação para a próxima fase com autoridade.
Destaque para a goleada por 4 a 0 sobre o Alianza Lima, onde Palhinha brilhou com gols importantes e Joãozinho mostrou toda a sua habilidade pelas pontas. Já Nelinho, com sua tradicional precisão, também contribuiu com assistências e gols de falta.
Naquela época, as semifinais eram por grupos. O Cruzeiro novamente caiu com o Alianza Lima, mas também enfrentou a LDU. No seu grupo, a Raposa nadou de braçada, fazendo 18 gols e sofrendo apenas três, garantindo o seu ticket para a final contra o River Plate.
A final contra o River Plate
A decisão da Libertadores colocou Cruzeiro e River Plate frente a frente. No primeiro jogo, realizado no Mineirão, a equipe brasileira aplicou uma vitória maiúscula por 4 a 1, com show de Palhinha, que marcou duas vezes, e grande atuação de Joãozinho.
Na partida de volta, no Monumental de Núñez, o River Plate fez o placar de 2 a 1, forçando um terceiro jogo em campo neutro, já que, naquela época, não existia o placar agregado. A cidade escolhida para a finalíssima foi Santiago, no Chile.
O Cruzeiro abriu o placar com Nelinho, em um de seus famosos chutes de longa distância. O River Plate empatou, mas, nos minutos finais, Joãozinho brilhou. Em uma cobrança de falta perfeita, marcou o gol da vitória por 3 a 2, garantindo a primeira Libertadores do clube e entrando para sempre na história cruzeirense.
O legado do trio campeão
A Libertadores de 1976 não apenas consagrou o Cruzeiro como um gigante do futebol sul-americano, mas também eternizou Joãozinho, Palhinha e Nelinho como ídolos imortais da torcida celeste.
Joãozinho, o “pé de anjo”, se tornou um dos maiores pontas da história do clube, sendo decisivo em momentos cruciais e conquistando títulos até os anos 1980. Palhinha, com seus gols e presença de área, foi um dos grandes artilheiros da história do Cruzeiro, deixando sua marca em várias conquistas. Nelinho, com sua potência e qualidade técnica, foi um dos maiores laterais do futebol mundial, sendo peça-chave tanto no Cruzeiro quanto na seleção brasileira.
A história desse trio na Libertadores de 1976 não é apenas uma memória gloriosa para os cruzeirenses, mas um marco do futebol brasileiro. Até hoje, poucos clubes conseguiram repetir o feito de ter um trio tão forte em sua história.
(Foto: Arquivo/Cruzeiro)