O título da Libertadores de 2011 marcou o Santos como tricampeão do torneio continental, encerrando um jejum de 48 anos desde a última conquista, em 1963, ainda na era de Pelé. A campanha do Peixe foi recheada de momentos marcantes, com uma equipe talentosa liderada por Neymar, Paulo Henrique Ganso e um elenco que mesclava juventude e experiência.
O título de 2011 foi fundamental para consolidar Neymar como estrela mundial, impulsionando sua carreira até sua transferência para o Barcelona em 2013. Além disso, a conquista mostrou a força do trabalho de base do Santos, que revelou mais uma geração de craques, pouco depois de ter revelado outros grandes jogadores, como Diego e Robinho, que levaram o time ao sucesso no Brasileirão.
Esse título também foi a coroação de um dos melhores times da história do Santos. Apesar de não ter conquistado o Brasileirão, esse time foi campeão da Libertadores, Copa do Brasil e Paulistão. Neste texto, vamos relembrar todo o contexto daquela campanha histórica que deu o terceiro título continental para o Peixe.
O Santos campeão
O Santos de 2011 era treinado por Muricy Ramalho, que chegou ao clube durante a fase de grupos para substituir Adilson Batista. Com um esquema bem montado, o Peixe contava com nomes importantes em todas as posições. Neymar era o grande craque do time, decisivo em vários jogos e responsável por lances geniais. Paulo Henrique Ganso, apesar de sofrer com lesões ao longo do ano, era o maestro do meio-campo.
Elano, jogador experiente, era peça-chave nas bolas paradas e na organização do meio de campo. Danilo, jovem e versátil, destacou-se como lateral e volante, marcando gols importantes ao longo da campanha, enquanto Arouca foi uma surpresa na época e se tornou um dos grandes motores do meio de campo, com sua incansável movimentação, ajudando na marcação e saída de bola.
Rafael, o goleiro titular, fez defesas fundamentais, especialmente nas fases eliminatórias. A defesa também contava com a experiência de Edu Dracena, Durval e Léo, que garantiram solidez ao setor defensivo, sendo fundamentais para o título. Outros nomes, como o volante Adriano e o centroavante Zé Eduardo, cresceram bastante durante a campanha.
A campanha
O Santos começou a Libertadores de maneira irregular, empatando os três primeiros jogos da fase de grupos. A estreia foi contra o Deportivo Táchira, na Venezuela, e terminou com um empate sem gols. Na segunda rodada, um novo empate, desta vez contra o Cerro Porteño, na Vila Belmiro, pelo placar de 1 a 1. O cenário começou a preocupar quando o time empatou mais uma vez, agora diante do Colo-Colo.
Com três pontos em três partidas, a classificação ficou ameaçada, mas o time mostrou poder de reação na segunda metade da fase de grupos. No jogo de volta contra o Colo-Colo, no Chile, o Santos conquistou sua primeira vitória na competição ao vencer por 3 a 2, em uma partida onde Neymar e Elano brilharam. Em seguida, o Peixe voltou a enfrentar o Cerro Porteño, desta vez no Paraguai, e venceu, apresentando um futebol mais envolvente. No último jogo da fase de grupos, precisando vencer para garantir a classificação, o Santos derrotou o Deportivo Táchira, avançando para as oitavas de final.
Nas oitavas de final, o Santos enfrentou o América do México, que vinha sendo um carrasco dos brasileiros nos últimos anos. No primeiro jogo, disputado na Vila Belmiro, o Peixe venceu por 1 a 0, com um gol importante de Ganso. No jogo de volta, no Estádio Azteca, o Santos segurou um empate sem gols e garantiu a classificação para as quartas de final.
O adversário seguinte foi o Once Caldas, da Colômbia. Jogando fora de casa, o Santos venceu por 1 a 0, em uma partida muito disputada. No jogo de volta, na Vila, o empate por 1 a 1 foi suficiente para levar o Peixe às semifinais, onde eles reecontrariam o Cerro Porteño, adversário da fase de grupos.
No primeiro jogo, na Vila Belmiro, a equipe venceu por 1 a 0, com um gol de Edu Dracena, mas a emoção estava reservada para o Paraguai. O Santos abriu 3 a 1, com gols de Zé Eduardo, Neymar e Danilo, mas o Cerro reagiu e empatou, deixando o final do jogo dramático. Mesmo assim, o Santos garantiu a vaga na grande final contra o Peñarol.
Final contra o Peñarol
A final da Libertadores de 2011 ainda era disputada em dois jogos. O primeiro confronto, no Uruguai, terminou em 0 a 0. O Peixe segurou a pressão do Peñarol e levou a decisão para a Vila Belmiro. O segundo jogo, realizado no dia 22 de junho de 2011, foi histórico para o Santos e para sua torcida. Desde o apito inicial, o time comandado por Muricy Ramalho se impôs em campo, dominando as ações ofensivas e criando boas oportunidades de gol. O primeiro tempo terminou sem gols, mas o Santos demonstrava um futebol mais envolvente e seguro.
Logo no início do segundo tempo, a estrela de Neymar brilhou. Após uma jogada bem trabalhada pela esquerda, Arouca tocou para Ganso, que encontrou Neymar livre dentro da área. O jovem atacante bateu de primeira, sem chances para o goleiro do Peñarol, abrindo o placar e levando a Vila Belmiro ao delírio.
Pouco depois, Danilo ampliou o marcador. Em uma jogada individual, ele avançou pela direita, cortou para o meio e finalizou com precisão, marcando um golaço e encaminhando o título para o Peixe. O Peñarol ainda conseguiu descontar com um gol contra de Durval, após um cruzamento na área, mas o Santos soube administrar o resultado e segurar a vitória até o apito final.
Neymar foi eleito o melhor jogador da final e Muricy Ramalho consolidou seu nome como um dos grandes técnicos brasileiros. Os jogadores comemoraram o título ao lado da torcida no Pacaembu, e a festa se estendeu por toda a cidade de Santos. A conquista da Libertadores de 2011 colocou o Santos novamente no topo do futebol sul-americano e garantiu a vaga para o Mundial de Clubes, onde enfrentaria o Barcelona de Messi e Guardiola em dezembro.
(Foto: Ricardo Saibun/Santos)