A Copa Libertadores de 1998 ficou marcada na história do Vasco da Gama como a realização de um sonho. Era o centenário do clube, e o time cruz-maltino entrou na competição determinado a alcançar a glória continental. Com um elenco experiente e talentoso, comandado por Antônio Lopes, o Vasco superou desafios e escreveu seu nome entre os gigantes do futebol sul-americano. Entre os protagonistas dessa campanha, três nomes se destacaram: Donizete “Infernal”, Luizão e Juninho “Monumental”. No fim, coube ao capitão Mauro Galvão erguer a tão desejada taça.
Fase de grupos: Um início promissor
O Vasco caiu no Grupo 2, ao lado de Grêmio, Chivas Guadalajara e América de Cali. A campanha começou de forma sólida, com vitórias e apresentações convincentes. A equipe mostrou força tanto em São Januário quanto fora de casa, garantindo a classificação para o mata-mata da Libertadores sem grandes sustos. O ataque formado por Luizão e Donizete funcionava bem, e a experiência de Mauro Galvão na defesa dava segurança ao time.
Mata-mata: A consolidação de um time campeão
Nas oitavas de final, o Vasco enfrentou o Cruzeiro, atual campeão da Libertadores. O duelo foi difícil, mas a equipe carioca mostrou sua força. No jogo de ida, em Belo Horizonte, empate por 1 a 1. Na volta, em São Januário, uma vitória por 2 a 1 garantiu a vaga para as quartas de final.
O adversário seguinte foi o Grêmio, velho conhecido da fase de grupos. Mais uma vez, o Vasco soube se impor. Venceu por 1 a 0 no Rio Grande do Sul e confirmou a classificação com um empate por 1 a 1 em casa. Com isso, a equipe chegou às semifinais da competição, aumentando a confiança da torcida na conquista do título.
Juninho ‘’Monumental’’ e o gol mais importante da história do Vasco
O adversário na semifinal foi o poderoso River Plate, uma das equipes mais temidas da América do Sul. Após uma vitória por 1 a 0 no Maracanã, o Vasco sabia que teria uma missão duríssima no Monumental de Núñez. Foi então que Juninho Pernambucano escreveu seu nome na história do clube.
No segundo tempo, com o River pressionando em busca do gol que levaria a disputa para os pênaltis, o Vasco teve uma falta a seu favor, distante da área. Juninho se posicionou e bateu com maestria. A bola viajou perfeita, encobrindo o goleiro Burgos e morrendo no fundo das redes. Era o gol da classificação! O silêncio no Monumental de Núñez contrastava com a explosão dos vascaínos presentes e daqueles que acompanhavam a partida pelo Brasil.
O feito foi tão grandioso que Juninho passou a ser chamado de “Monumental” pela torcida. Até hoje, esse gol é considerado por muitos como o mais importante da história do Vasco e virou música entoada pelos torcedores: “Contra o River Plate sensacional! Gol de quem? Gol do Juninho Monumental!”.
A final: Momento da Glória e a dupla de ataque ”Infernal”
A decisão foi contra o Barcelona de Guayaquil, do Equador. No primeiro jogo, em São Januário, o Vasco venceu por 2 a 0, com gols de Luizão e Donizete. O resultado dava uma ótima vantagem para a partida de volta, mas o time sabia que nada estava decidido.
Em Guayaquil, o Vasco administrou o jogo com maturidade. Mesmo com a pressão dos equatorianos, soube segurar o resultado e venceu novamente, dessa vez por 2 a 1. Donizete e Luizão marcaram mais uma vez, coroando a dupla de ataque que infernizou as defesas adversárias ao longo da campanha.
Ao apito final, a comemoração foi intensa. Mauro Galvão, capitão e símbolo de liderança, levantou a tão sonhada taça da Libertadores. Era a primeira vez que o Vasco conquistava o continente, um título que marcou o centenário do clube com chave de ouro.
O legado da conquista da Libertadores
A Libertadores de 1998 solidificou o Vasco como uma potência do futebol sul-americano. Juninho Pernambucano se tornou um dos maiores ídolos da história do clube, sendo reverenciado até hoje pela torcida. Donizete e Luizão marcaram seus nomes como uma das duplas de ataque mais letais que o time já teve. Mauro Galvão demonstrou liderança e experiência, sendo fundamental para o título.
A conquista da taça da Libertadores também abriu caminho para a disputa do Mundial de Clubes de 1998, onde o Vasco enfrentou o Real Madrid. Apesar de não ter levado o título mundial, a equipe se consolidou como um dos grandes times da década.
Mais de duas décadas depois, a torcida vascaína segue orgulhosa dessa conquista da Libertadores. O gol de Juninho no Monumental, as atuações decisivas de Donizete e Luizão, e o troféu erguido por Mauro Galvão são lembranças eternas de um dos momentos mais gloriosos do Gigante da Colina. A Libertadores de 1998 não foi apenas um título, foi a realização de um sonho centenário!
Foto: EDISON RIOFRIO / AFP / Jogada10