Mesmo com Robert Lewandowski vivendo sua última temporada no Barcelona, o principal objetivo da diretoria catalã segue sendo Harry Kane. O inglês atravessa uma campanha de altíssimo nível em 2025/26, tanto pelo Bayern de Munique quanto pela Seleção Inglesa, pela qual marcou mais dois gols neste domingo, em amistoso diante da Albânia. Há alguns dias, o tradicional jornal britânico The Guardian voltou a relacionar o atacante dos bávaros a um possível futuro no clube catalão como substituto natural do polonês após a Copa do Mundo de 2026.
Antes de tudo, porém, a imprensa já havia destacado que, caso a janela de verão de 2026 transcorra como previsto, com a aplicação da regra de um jogador por clube, o nome mais bem posicionado na lista do Barcelona é o do argentino Julián Álvarez, de 25 anos, atualmente no Atlético de Madrid. Ainda assim, isso não descarta outros candidatos, enquanto Lewandowski — concentrado na seleção polonesa na busca por uma vaga direta no Mundial de 2026, no Canadá, nos Estados Unidos e no México — afirma que definirá em breve seus planos para a temporada 2026/27.
Mesmo assim, tem sido inevitável traçar paralelos entre a chegada de Lewandowski ao Barcelona em 2022, vindo justamente do Bayern de Munique, e a possibilidade de que um acordo semelhante esteja sendo articulado para Kane. Na última semana, o The Guardian foi ainda mais longe ao noticiar que a intenção do Barça seria substituir o polonês — cujo contrato acaba em 30 de junho de 2026, quando terá 37 anos — por Harry Kane, atualmente com 32 anos e detentor de uma cláusula de rescisão de 65 milhões de euros no Bayern.
A ironia desse cenário é que o desempenho contínuo de Lewandowski no Barcelona, autor de 108 gols em pouco mais de três temporadas, só reforça a percepção positiva entre torcedores sobre a contratação de Kane, que, em sua segunda temporada em Munique, já havia ultrapassado a marca dos 100 gols pelos bávaros. Em 2022, os blaugranas tiveram de negociar com o Bayern para fechar a transferência do centroavante por 45 milhões de euros, mais 5 milhões em variáveis, em grande parte graças à postura colaborativa do próprio Lewandowski.
Naquele momento, o principal obstáculo era a idade do polonês, então com 33 anos, apesar de seu currículo lendário. Hoje, prestes a completar sua última temporada de contrato com o Barcelona, Lewandowski ainda demonstra alto rendimento — como prova o hat-trick sobre o Celta, em Balaídos. Seu nível faz com que Kane, que iniciou a temporada atual com 26 gols em 22 partidas pelo Bayern, seja visto como um sucessor natural: aos 32 anos, ele é cinco anos mais jovem do que Lewa e mantém números de artilheiro constante.
Além de Lewandowski, o histórico recente do Barça no setor ofensivo também fortalece a candidatura de Kane como futuro centroavante. Desde a pandemia, o clube precisou ajustar sua política de transferências à realidade financeira, em um cenário em que competir com a Premier League se tornou inviável. Nesse período de austeridade relativa, tanto em relação ao próprio Barcelona quanto à concorrência, fatores como reputação, idade e necessidades específicas do elenco levaram a contratações que demonstraram o valor da experiência para um atacante.
Cada jogador, dentro de expectativas diferentes, cumpriu bem seu papel antes da chegada de Lewandowski. Mesmo com minutos limitados, Luuk de Jong foi eficiente nos Culés. Ele chegou por empréstimo do Sevilla em setembro de 2021, aos 31 anos, e, na temporada 2021/22, participou de 29 jogos oficiais, marcando 7 gols e distribuindo 1 assistência.
Seu impacto foi decisivo em momentos críticos da equipe de Ronald Koeman: De Jong garantiu vitória sobre o Levante, arrancou empate com o Espanyol e contribuiu para o triunfo sobre o Mallorca. Depois, retornou ao PSV Eindhoven, onde voltou a atuar como titular absoluto. Outro caso de contribuição imediata foi o de Pierre-Emerick Aubameyang. Sem espaço no Arsenal, chegou ao Barcelona no inverno de 2022, aos 33 anos, por custo zero — após Lewandowski assumir o protagonismo do ataque azulgrana.
Apesar do contrato até 2025, permaneceu apenas meia temporada antes de ser vendido ao Chelsea por 12 milhões de euros, em um negócio extremamente vantajoso para o Barça. Em 24 jogos oficiais, Aubameyang marcou 13 gols só na La Liga, tornando-se o artilheiro do time em quatro meses. Entre seus grandes momentos estão o doblete na vitória por 4 a 0 sobre o Real Madrid no Bernabéu e o hat-trick contra o Valencia no Mestalla, em sua primeira partida como titular. Toda essa memória recente de artilheiros experientes favorece Kane entre os torcedores catalães, que o enxergam como o substituto ideal de Lewandowski.

Lewandowski vira garantia silenciosa para o Barcelona mirar Harry Kane, que observa repetir o caminho do polonês rumo ao Camp Nou
O impacto prolongado de Robert Lewandowski no Barcelona se tornou argumento central para que o clube mantenha firme o plano de investir em Harry Kane, atualmente no Bayern. A longevidade técnica do polonês — que chegou aos 33 anos e redefiniu o ataque catalão — é prova concreta de que um centroavante consagrado pode seguir decisivo em La Liga e na Champions mesmo após os 30.
Dentro do clube, a conclusão é simples: se Lewandowski sustentou números de elite e liderança mesmo após deixar a Baviera, Kane tem todas as condições de trilhar caminho semelhante. O inglês, figura-chave no Bayern, vê no polonês um modelo — alguém que saiu da rotina da Bundesliga, abraçou um novo ambiente competitivo e encontrou renovação na carreira.
A comparação entre os dois é inevitável. Kane, assim como Lewandowski, reúne precisão na finalização, inteligência coletiva e capacidade de associar jogadas. O Barcelona acredita que esse conjunto de qualidades, aliado ao estilo de posse e criação da equipe, permitiria ao inglês causar impacto imediato tal qual o polonês em 2022.
Kane também enxerga na trajetória de Lewandowski uma oportunidade. O polonês mostrou que é possível deixar o Bayern no auge e, ainda assim, ampliar sua dimensão internacional. A mudança para Barcelona trouxe novos desafios, recordes e metas — exatamente o que o camisa 9 inglês vê como possível para os últimos anos de sua carreira.
No Camp Nou, a análise é pragmática: Lewandowski não só funcionou, como redefiniu o perfil desejado pela diretoria. A partir dele, o clube passou a compreender que jogadores experientes e fisicamente preparados podem agregar impacto imediato, liderança e regularidade competitiva.
É esse “efeito Lewandowski” que coloca Harry Kane no topo da lista blaugrana — e que faz o próprio atacante inglês imaginar uma transição parecida, seguindo os passos de um dos maiores goleadores da Europa recente.
(Foto: AFP/Getty Images)