Robert Lewandowski abriu o jogo em entrevista para a BBC e falou de tudo um pouco: o passado, o presente e até um “quase acerto” com o Manchester United lá em 2012. Hoje no Barcelona, o artilheiro polonês vive um momento de equilíbrio entre manter seu alto nível e aprender com a nova geração que vem subindo para o time principal.
O camisa 9 admitiu que já não tem a mesma explosão física de antes, mas compensa com experiência, inteligência e leitura de jogo. E, mais do que isso, ele percebeu que não precisa “competir” diretamente com os garotos — afinal, cada um tem o seu papel no elenco. Segundo ele, “não posso lutar com eles, mas posso ajudá-los, e eles também podem me ajudar. Aprendo muito com eles. Não pensei que fosse acontecer assim”.
Essa visão mostra uma faceta menos “máquina de gols” e mais “líder de vestiário”. Lewa entende que, mesmo aos 36 anos — ele completa 37 em agosto —, ainda tem o que mostrar, mas sem perder a humildade de absorver o que essa nova geração tem a oferecer. Para ele, essa troca mantém a chama competitiva acesa.
E, no meio dessa galera jovem, um nome brilha mais do que qualquer outro: Lamine Yamal. O polonês não escondeu a admiração pelo garoto. “Nunca vi um jogador assim nessa idade”, confessou, ainda surpreso com o que viu desde os primeiros treinos. Para Lewandowski, Yamal é um talento raro e já merece ser colocado como um dos favoritos para disputar a Bola de Ouro no futuro próximo.
Lewa fala sobre o fenômeno Lamine Yamal e a Bola de Ouro
Lewandowski contou que, depois de apenas 50 minutos vendo Yamal em campo, já percebeu que tinha algo especial ali. A sensação foi de descrença: “Não achei que fosse possível ver isso aos 15 anos”. E olha que o polonês já dividiu gramado com alguns dos maiores nomes da história recente do futebol.
A temporada de Yamal foi simplesmente absurda, quebrando recordes de precocidade e mostrando maturidade em jogos decisivos. Lewa acredita que o prêmio de melhor do mundo é apenas questão de tempo. “Se não for este ano, talvez no próximo”, comentou. Mas também fez questão de lembrar que o Barcelona tem outros nomes de destaque, como Raphinha, que segundo ele “também teve uma temporada incrível”.
Essa admiração de Lewandowski por Yamal reforça a ideia de que o Barça vive um momento de renovação promissor. Enquanto o time tenta equilibrar as contas e voltar a brigar de igual para igual na Europa, talentos assim são a chave para o futuro. E ter um veterano como Lewa guiando o processo pode ser o diferencial.
Além disso, é curioso ver um jogador que já esteve tão perto da Bola de Ouro reconhecer o potencial de outro para conquistá-la. Lewa sabe o que é estar nesse patamar e entende o peso de um prêmio desse tamanho — talvez até mais do que gostaria, já que a sua história com a Bola de Ouro tem um capítulo amargo.
A Bola de Ouro que escapou em 2020
O ano de 2020 foi o auge da carreira de Lewandowski. Ele ganhou tudo com o Bayern de Munique: Bundesliga, Copa da Alemanha, Champions League, Supercopa Europeia e Mundial de Clubes. Os números eram de videogame e, para muitos, não havia dúvida de que ele seria o melhor jogador do mundo.
Só que veio a pandemia e, com ela, a decisão da France Football de cancelar a premiação daquele ano. Uma escolha que até hoje levanta debates e, para Lewa, deixou um gosto amargo que nunca vai sair. “Estava no melhor momento da minha carreira, ganhei tudo com o meu clube. O mais difícil é que até hoje não sei por que não acabei ganhando”, desabafou.
O prêmio não entregue em 2020 virou quase uma “Bola de Ouro moral” para o polonês. A própria FIFA tentou amenizar a situação dando a ele o troféu de The Best naquele ano, mas a tradição e o peso da Bola de Ouro são diferentes. Para muitos fãs, aquele foi um dos maiores “roubos” da história da premiação.
Ainda assim, Lewandowski não se deixou abalar a ponto de perder o foco. Ele seguiu acumulando gols, títulos e recordes, agora levando essa bagagem para ajudar o Barcelona a voltar ao topo.
O “quase acerto” com o Manchester United
Antes de todo esse sucesso, Lewa esteve perto de mudar totalmente sua trajetória. Em 2012, quando ainda jogava no Borussia Dortmund, ele teve conversas sérias para se transferir ao Manchester United. Segundo o próprio, era um desejo real na época, mas o negócio não se concretizou por detalhes.
Se tivesse fechado com os Red Devils, talvez não tivesse escrito sua história no Bayern e, consequentemente, não teria conquistado tudo que veio depois. É uma daquelas “linhas do tempo alternativas” que fazem os torcedores imaginarem como seria o destino de um craque em outro cenário.
Essa revelação mostra como a carreira de um jogador pode mudar completamente por causa de decisões que, na época, parecem pequenas. Para o Barça, foi sorte: se Lewa tivesse ido para a Inglaterra, talvez sua história nunca cruzasse com a do clube catalão.
Hoje, olhando para trás, Lewandowski vê que seguiu o caminho certo. Ele viveu a fase mais vencedora de sua carreira na Alemanha, manteve o nível por mais de uma década e agora colhe o respeito e a admiração da nova geração — que, como Yamal, pode estar pronta para carregar o bastão.
Foto: Pedro Salado / Araba Press (Getty Images)