O Liam Rosenior conseguiu o que precisava: vitória, goleada e classificação. Mas, como quase tudo no futebol moderno, nem um 7 a 0 escapa de debate, principalmente quando envolve gestão de elenco e futuro de promessa.
O Chelsea atropelou o Port Vale pela FA Cup e garantiu vaga na semifinal. Até aí, tudo lindo. O problema? Nem todo mundo saiu satisfeito de Stamford Bridge e não estamos falando do adversário.
Vitória gigante… e questionamentos também
Pressionado após quatro derrotas seguidas antes da Data FIFA, Rosenior resolveu ir com força máxima. E deu certo. Nomes como Cole Palmer, João Pedro, Estevão e Pedro Neto começaram jogando, e o resultado foi um passeio em campo.
Agora, o próximo desafio é pesado: semifinal contra o Leeds United em Wembley. E, pelo histórico recente, não dá pra cravar favoritismo total. Mas, mesmo com tudo isso, o assunto que dominou as redes não foi o placar elástico. Foi um nome específico: Josh Acheampong.
Considerado um dos defensores mais promissores da Inglaterra, Acheampong virou tema quente e não foi por atuação dentro de campo. O jovem de 19 anos teve apenas alguns minutos contra um time que está no fundo da terceira divisão inglesa. Pouco, muito pouco para quem é tratado internamente como um talento geracional.
E aí começa o problema. A torcida já vinha de olho na situação do zagueiro, principalmente pelo histórico recente. Lá em 2024, ele chegou a ser afastado por se recusar a renovar contrato. Só voltou após assinar um novo vínculo e desde então vive uma relação meio “instável” com o clube.
Interesse não falta. Liverpool, Paris Saint-Germain e Real Madrid já monitoraram o jogador. Bayern de Munique e Crystal Palace também já demonstraram interesse no passado.
Ou seja: deixar esse cara no banco pode sair caro, ainda mais para Rosenior que está longe de viver um momento confortável nos Blues.
Números que explicam (e preocupam)
Acheampong soma pouco mais de 1.200 minutos na temporada. Para um jogador que ainda está em desenvolvimento, isso é um sinal de alerta. E o mais curioso: ele tem mais jogos pelo time principal do que pelas categorias de base. Foram apenas 27 partidas no sub-18 e 10 no sub-21 antes de subir.
Na prática, é um talento “cru”, que precisa jogar para evoluir, mas Liam Rosenior não tem pensado muito nisso, apesar de ter brilhado no Strasbourg, com jovens talentos em seu elenco.
Sem sequência, o diamante não evolui. E sem evoluir, começa a perder espaço. É um ciclo perigoso. Para piorar (ou melhorar, dependendo do ponto de vista), o Chelsea já planeja contratar um zagueiro experiente na próxima janela.
Nesse cenário, um empréstimo parece a solução mais lógica. Mas aí entra outra questão, o próprio jogador pode não aceitar sair temporariamente, principalmente se acreditar que merece chances reais no elenco principal. E, convenhamos, depois de ver minutos limitados até contra o Port Vale, o questionamento é válido, quando será que Rosenior pensaria em colocá-lo para trabalhar…
O “efeito Maresca” ainda existe
Tem um detalhe importante nessa história: Enzo Maresca, ex-comandante ligado ao projeto do Chelsea, sempre foi um grande fã de Acheampong.
Depois de uma partida na Conference League, ele chegou a dizer que “se apaixonou” pelo futebol do jovem e que ele tem potencial para ser um jogador de elite. Ou seja, existe um histórico de confiança interna. O problema é que, até agora, isso não está se refletindo nas decisões de Rosenior.
Oficialmente, o Chelsea não quer vender Acheampong. A diretoria vê o jogador como peça de futuro e não pretende liberá-lo de forma permanente. Mas futebol não é só sobre o que o clube quer.
Se o jogador não se sentir valorizado, se continuar sem minutos e perceber que seu desenvolvimento está travado, a pressão por uma saída aumenta, seja por empréstimo ou algo mais definitivo no futuro. E, com tantos gigantes europeus de olho, basta uma brecha.
Rosenior está brincando com fogo?
A situação de Acheampong coloca Rosenior em uma posição delicada. Por um lado, ele precisa de resultados imediatos. O Chelsea ainda briga para fechar bem a temporada e não pode se dar ao luxo de testar demais.
Por outro, ignorar um talento desse nível pode gerar um problema a médio prazo, tanto esportivo quanto financeiro. No fim das contas, é aquele clássico dilema do futebol moderno: apostar na experiência para sobreviver agora ou investir no futuro e correr riscos?
Rosenior, por enquanto, escolheu o presente. Mas, se não tomar cuidado, pode acabar comprometendo o futuro.
Foto: Imago