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Libertadores: qual a situação dos brasileiros indo para a parte decisiva da fase de grupos?

A Libertadores costuma ser aquele campeonato que muda completamente o humor de um clube em uma semana. Um empate fora pode parecer excelente na terça-feira e virar tragédia na quinta. E nesta reta decisiva da fase de grupos, os brasileiros vivem praticamente todos os cenários possíveis: tem time já pensando em liderança geral, equipe fazendo conta desesperada e até estreante surpreendendo o continente sem muito alarde.

Entre tranquilidade absoluta, drama sul-americano digno de novela mexicana e partidas que já ganharam cara de final antecipada, Flamengo, Fluminense, Cruzeiro, Mirassol e Palmeiras chegam às duas últimas rodadas vivendo momentos completamente diferentes.

Brasileiros e suas realidades na fase de grupos da Libertadores

Fluminense precisa de milagre, mas ainda está vivo

O cenário do Fluminense é, sem exagero, o mais delicado entre os brasileiros. O time tricolor somou apenas dois pontos em quatro jogos e caiu para a quarta colocação do Grupo C depois de uma campanha muito abaixo das expectativas.

Tudo começou com um empate sem gols contra o La Guaira, fora de casa, num jogo em que o Flu já deixou escapar uma chance importante. Depois disso, veio a derrota para o Rivadavia no Maracanã por 2 a 1, resultado que acendeu o primeiro alerta mais sério. Na sequência, a equipe ainda perdeu para o Bolívar na altitude por 2 a 1 e empatou novamente com o Rivadavia, desta vez na Argentina.

Traduzindo para a linguagem do torcedor: o Fluminense chegou ao momento em que não pode mais “administrar situação”. Agora é sobrevivência pura.

O confronto diante do Bolívar no Maracanã ganhou status de decisão absoluta. Não basta vencer. O Tricolor precisa ganhar por três gols de diferença para recuperar saldo e entrar realmente vivo na última rodada. Depois disso, terá obrigação de atropelar o La Guaira no Rio de Janeiro.

E existe um detalhe importante: o problema não é apenas matemático. O desempenho preocupa bastante. O Fluminense até consegue ter posse de bola em vários momentos, mas tem sofrido demais defensivamente e perdido intensidade quando os jogos ficam físicos. Na Libertadores, especialmente fora do Brasil, isso costuma custar caro rapidamente.

Ainda assim, ninguém gosta de enfrentar um brasileiro pressionado dentro do Maracanã. E se existe uma competição onde “impossível” às vezes dura só até o primeiro gol, é justamente a Libertadores.

Flamengo vive rara paz e sonha com melhor campanha geral

Enquanto o Fluminense faz conta, o Flamengo vive exatamente o oposto. E isso talvez seja a parte mais surpreendente.

O atual campeão da Libertadores chega à reta final completamente tranquilo, algo raro nos últimos anos considerando o nível absurdo de cobrança no clube, e pensando no histórico, porque a última vez que passaram em primeiro lugar na fase de grupos foi em 2022. A campanha até aqui foi sólida, madura e sem grandes sustos.

A estreia teve vitória por 2 a 0 sobre o Cusco, fora de casa, mostrando logo de cara uma equipe confortável jogando longe do Maracanã. Depois veio o atropelo por 4 a 1 diante do Independiente Medellín no Rio de Janeiro, numa atuação daquelas que fazem o torcedor começar a pesquisar passagem para a final antes mesmo das oitavas.

Na Argentina, o Flamengo empatou por 1 a 1 com o Estudiantes num jogo equilibrado, e depois venceu o Medellín na Colômbia por 3 a 0 devido ao W.O., ampliando ainda mais sua vantagem no grupo.

Agora, o cenário ficou perfeito para os cariocas: dois jogos seguidos no Maracanã contra Estudiantes e Cusco. Além da classificação encaminhada, o Flamengo pode terminar com uma das melhores campanhas da competição, algo que pesa demais no mata-mata.

E talvez o ponto mais impressionante seja a sensação de controle. Diferente de outros anos em que o time parecia viver entre caos e genialidade, agora o Flamengo parece saber exatamente quando acelerar e quando apenas administrar. Na Libertadores, isso costuma ser sinal perigosíssimo para os adversários.

Cruzeiro transforma grupo equilibrado em drama absoluto

Se o Fluminense vive desespero e o Flamengo navega em águas tranquilas, o Cruzeiro está naquele famoso meio-termo que faz o torcedor perder alguns anos de vida por rodada.

A Raposa ocupa a segunda colocação do grupo com sete pontos, exatamente a mesma pontuação da líder Universidad Católica. Só que o Boca Juniors aparece logo atrás com seis pontos. Ou seja: basicamente ninguém pode piscar.

A campanha do Cruzeiro mistura bons resultados com algumas oscilações importantes. O time venceu o Barcelona-EQU fora de casa por 1 a 0, resultado excelente pensando em Libertadores. Depois sofreu uma derrota dura para a Católica no Mineirão por 2 a 1, num confronto bastante equilibrado.

Mas a vitória sobre o Boca Juniors por 1 a 0 em Minas recolocou completamente os mineiros na briga pela liderança. E agora vem o teste que provavelmente vai definir o grupo: Boca Juniors na Argentina.

Poucos cenários são mais desconfortáveis para um brasileiro na Libertadores do que decidir classificação em La Bombonera. É pressão o tempo inteiro, jogo físico, arbitragem cercada e um ambiente que transforma lateral no meio-campo em evento histórico.

Por outro lado, o Cruzeiro chega vivo justamente porque conseguiu competir bem até aqui. Se sobreviver ao confronto na Argentina, terá a chance de fechar a fase de grupos no Mineirão contra o Barcelona-EQU dependendo apenas de si. Nada tranquilo. Mas totalmente aberto.

Mirassol vira uma das histórias mais legais da fase de grupos

Se alguém falasse antes do torneio que o Mirassol chegaria à reta final liderando grupo na Libertadores, muita gente provavelmente iria rir. E honestamente? Nem o torcedor mais otimista imaginava isso com tanta convicção. Mas o futebol sul-americano adora essas histórias.

O clube paulista começou vencendo o Lanús por 1 a 0 em São Paulo, depois sofreu sua primeira derrota ao perder por 2 a 0 para a LDU na altitude. Até aí, tudo relativamente dentro do esperado, dá para falar que até melhor, porque o time argentino não estava para brincadeira, atual campeão da Recopa Sul-Americana. Só que depois disso o Mirassol simplesmente respondeu como time experiente de Libertadores.

Venceu o Always Ready por 2 a 0 e repetiu o placar contra a própria LDU em casa, assumindo a liderança do Grupo G e mudando completamente o panorama da chave.

Agora, a equipe terá um duelo contra o Always Ready em Assunção, longe da altitude boliviana graças aos problemas políticos e sociais enfrentados pela Bolívia e fecha a primeira fase diante do Lanús na Argentina.

Ou seja: o caminho continua difícil, mas o Mirassol já fez muito mais do que apenas “participar”. O time compete, incomoda e mostra personalidade. Em Libertadores, isso às vezes vale mais do que camisa pesada.

Palmeiras segue invicto e pode crescer ainda mais no mata-mata

Fechando a lista dos brasileiros, o Palmeiras talvez seja o time que mais passa sensação de estabilidade competitiva ao lado do Flamengo.

A campanha ainda invicta teve empate por 1 a 1 com o Junior Barranquilla na Colômbia, vitória sobre o Sporting Cristal por 2 a 1 em casa, novo empate diante do Cerro Porteño no Paraguai e triunfo por 2 a 0 contra o Sporting Cristal no Peru.

Não é uma campanha explosiva em números, mas é extremamente sólida.

O Palmeiras parece exatamente aquele time que entende perfeitamente como jogar Libertadores: sofre pouco, controla ritmo, sabe competir fora de casa e dificilmente se desespera.

Agora terá dois jogos consecutivos no Allianz Parque, diante de Cerro Porteño e Junior Barranquilla, cenário perfeito para confirmar classificação e talvez até buscar uma campanha mais forte na Libertadores, pensando no chaveamento do mata-mata.

E existe algo que costuma assustar rivais continentais: quando o Palmeiras entra em “modo copeiro”, normalmente vira um dos times mais difíceis de eliminar do torneio.

A reta final da fase de grupos promete emoções completamente diferentes para os brasileiros. Enquanto Flamengo e Palmeiras enxergam liderança e vantagem nas oitavas, Cruzeiro vive tensão máxima, o Mirassol tenta confirmar uma campanha surpreendente e o Fluminense luta para transformar um cenário quase impossível em mais uma noite histórica de Libertadores.

Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense FC