É impossível não falar de Liverpool nos últimos anos, e não tocar no nome da principal estrela da equipe: Mohamed Salah. Desta vez, não dá para dizer que o camisa 11 se encontra como uma peça intocável no elenco de Arne Slot, principalmente pelo banho de água fria que os Reds andam tomando. Entretanto, o ponta-direita ainda é um nome importantíssimo no grupo, e agora, o clube inglês terá de se adaptar quanto a sua ausência por conta da Copa Africana de Nações.
Se o Egito for longe na competição, Salah pode desfalcar o Liverpool por até oito partidas, um número considerável em meio a Premier League, copas e compromissos europeus. A boa notícia? Slot já vem testando alternativas ao longo da temporada. A má? Nenhuma delas substitui Salah em impacto individual. Ainda assim, os Reds mostram que podem ser competitivos de várias maneiras.
Um Liverpool mais flexível do que nunca
Ao contrário do que muitos poderiam imaginar, a ausência de Salah não começou agora. Em sete jogos da temporada, o camisa 11 foi reserva ou sequer relacionado, seja por descanso, opção tática ou questões extracampo. Isso obrigou Arne Slot a mexer bastante no tabuleiro, e o Liverpool virou tratau de se transformar num laboratório tático.
Mais do que procurar “o novo Salah”, o treinador parece ter entendido que o caminho é adaptar o coletivo, não forçar uma reposição direta para quem se enquadra como a principal estrela do grupo, mesmo que não conte mais com o mesmo brilho. E aí entram formações diferentes, jogadores fora de posição e, claro, algumas apostas ousadas.
Uma das primeiras ideias foi transformar o Liverpool em um time mais vertical pela direita. Contra o Galatasaray, Slot escalou Jeremie Frimpong quase como um ala/ponta, explorando sua principal virtude: a velocidade. Como lateral-direito, o holandês não foi capaz de se adaptar, diante desta questões, foi colocado para trabalhar numa posição mais avançada, algo que ele gosta bastante.
No papel, fazia sentido. Um Liverpool mais reativo, atacando espaço e tentando pegar a defesa adversária desprevenida. Na prática, a execução ficou bem abaixo do esperado. Frimpong até começou bem, mas tomou as piores decisões possíveis quando foi necessário e perdeu importância ao longo do jogo. A derrota esfriou o plano, e as lesões impediram a sequência. Ainda assim, é uma alternativa interessante para jogos mais abertos.
Szoboszlai: o “coringa” do Liverpool
Se existe um jogador que simboliza a versatilidade do Liverpool sem Salah, esse nome é Dominik Szoboszlai. O húngaro já fez praticamente de tudo: meia aberto, meia por dentro, ala improvisado e até quase um segundo volante em alguns momentos. Pensa num profissional que quis brigar por uma vaga no time titular de todas as formas possíveis, até como lateral-direito ele jogou nesta temporada.
No 4-4-2, usado contra Frankfurt e Leeds, o Liverpool foi especialmente agressivo. Foram oito gols fora de casa, com Szoboszlai participando diretamente do placar. A ideia era clara: laterais avançados, meio congestionado e liberdade para o húngaro flutuar. Funcionou ofensivamente e mostrou que a equipe de Arne Slot consegue ser mais direta e intensa.
Em outro momento da temporada, Slot optou por um Liverpool mais cauteloso. Contra West Ham, Sunderland e Brighton, o treinador reforçou o meio-campo, priorizando equilíbrio defensivo após jogos em que o time sofreu muitos gols.
O resultado foi um Liverpool difícil de ser batido, apenas um gol sofrido, mas também menos criativo, não era vazado, só que também quebrava a cabeça para entrar dentro da área do adversário. Szoboszlai atuou mais aberto, ajudando na recomposição, e o ataque perdeu fluidez. Não foi bonito, mas foi eficiente. Em campeonatos longos, esse tipo de versão também soma pontos.
Curiosamente, o desempenho mais sólido veio em um jogo grande: contra a Inter de Milão, fora de casa na Champions League. Sem pontas disponíveis, Slot montou um 4-1-2-1-2, com dois atacantes e um meio de campo compacto.
Esse Liverpool foi intenso, organizado e extremamente competitivo. A Inter finalizou pouco, e Szoboszlai brilhou como meia pela direita, conectando defesa e ataque. Foi uma atuação que levantou uma pergunta importante: será que os Reds precisam mesmo de pontas clássicos o tempo todo?
Olho no mercado: o Liverpool pensa em Semenyo
Além das soluções internas, o Liverpool também observa o mercado. O nome da vez é Antoine Semenyo, destaque do Bournemouth. O ganês é forte, rápido, joga pelos dois lados e se encaixaria perfeitamente em um 4-3-3, sistema preferido de Slot. Diante desta dúvida quanto ao futuro de Mohamed Salah, não é bizarro considerá-lo uma peça interessante a ser somada no elenco.
Caso a negociação avance, o Liverpool ganharia não apenas um substituto momentâneo para Salah, mas uma peça valiosa para o elenco a longo prazo. A concorrência é pesada, mas Anfield segue sendo um destino sedutor. Por agora, o nome que anda sendo bem atrelado ao ponta é o Tottenham. A questão é que, qualquer entrada de um time com um projeto mais sólido, já colocaria o atual campeão da Europa League no chinelo.
Foto: Liverpool FC/Liverpool FC via Getty Images.