Camisa 10 do Liverpool, Mac Allister tenta escapar da marcação de três jogadores do Chelsea. Foto: Reprodução/Liverpool FC
Futebol Premier League

Liverpool tropeça em Anfield, e joia salva atuação apagada contra o Chelsea

É fato que Liverpool e Chelsea são dois gigantes da Premier League, com elencos recheados de talento e dois times pressionados pela vaga na próxima Champions League. No papel, tudo apontava para um grande jogo em Anfield, ontem (09), só que, na prática, o roteiro passou longe disso.

O empate deste sábado teve mais tensão do que futebol. Faltou intensidade, criatividade e qualidade técnica em vários momentos, especialmente de um Liverpool que até começou melhor, mas voltou a mostrar sinais preocupantes de queda de rendimento.

O golaço de Gravenberch logo aos seis minutos parecia indicar uma tarde diferente para os Reds. A jogada, construída com personalidade pelo jovem Rio Ngumoha, deu ao time de Arne Slot a vantagem cedo no placar e incendiou Anfield por alguns minutos. Só que o embalo parou aí.

Sem peças importantes como Salah, Wirtz e Ekitiké, o Liverpool ficou excessivamente dependente da inspiração individual de Ngumoha, que foi, disparado, o jogador mais criativo da equipe.

Do outro lado, o Chelsea também chegou desfalcado — incluindo a ausência de Estêvão —, mas encontrou no crescimento de Enzo Fernández o caminho para equilibrar o confronto e buscar o empate em uma cobrança de falta desviada que enganou Mamardashvili.

O resultado evita um cenário pior para os dois lados, mas também deixa um gosto amargo. O Liverpool segue ameaçado na disputa pelas primeiras posições, enquanto o Chelsea ainda corre o risco de se complicar na corrida por uma vaga europeia.

Rio Ngumoha: o futuro do Liverpool

Mesmo cercado por nomes mais experientes, Rio Ngumoha assumiu a responsabilidade criativa do Liverpool e foi quem mais tentou fazer algo diferente em campo. A promessa dos Reds transformou Malo Gusto em alvo constante de seus dribles e movimentações, mostrando personalidade rara para alguém tão jovem.

O lance do gol resume bem sua atuação. Em vez da decisão óbvia pela linha de fundo, Ngumoha levantou a cabeça e encontrou Gravenberch livre na entrada da área. O passe saiu na medida para o holandês finalizar com categoria no ângulo.

Além da assistência, chamou atenção sua capacidade de acelerar o jogo e quebrar linhas em um Liverpool extremamente previsível ofensivamente. Não por acaso, sua saída aos 66 minutos foi recebida com vaias da torcida — direcionadas à decisão de Arne Slot, e não ao garoto.

O protagonismo de Enzo Fernández e Marc Cucurella

Enzo Fernández foi o cérebro do Chelsea nos melhores momentos da equipe. Atuando mais avançado e próximo de Cole Palmer, o argentino explorou os espaços deixados pelo meio-campo do Liverpool e cresceu bastante ao longo da partida.

Mesmo desperdiçando uma grande chance, o argentino foi decisivo na mudança de postura dos Blues. Suas infiltrações bagunçaram a marcação rival, especialmente pela dificuldade de comunicação entre Ibrahima Konaté e Curtis Jones.

O Chelsea claramente depende da classificação para a Champions para manter suas principais estrelas satisfeitas, e atuações como essa só reforçam o tamanho da importância de Enzo para o projeto do clube.

Marc Cucurella segue acumulando atuações extremamente consistentes pelo Chelsea. E, em Anfield, mostrou mais uma vez sua capacidade de adaptação.

Utilizado em uma função mais avançada pela esquerda, o espanhol aproveitou as dificuldades defensivas de Curtis Jones e foi uma válvula de escape constante para os Blues. Intensidade, movimentação e participação ofensiva não faltaram.

Cucurella ainda participou diretamente de uma das melhores jogadas do segundo tempo, quando passou com facilidade por Frimpong antes da conclusão de Palmer. O lance acabou invalidado por impedimento, mas reforçou o quanto ele foi importante ofensivamente.

Frimpong e Gakpo, os pontos sensíveis dos Reds

Jeremie Frimpong ainda parece muito distante do jogador explosivo e decisivo que brilhou no Bayer Leverkusen.

É verdade que sua temporada foi atrapalhada por lesões e mudanças constantes de função. Ainda assim, o rendimento preocupa. Faltam confiança, agressividade e participação ofensiva. Contra o Chelsea, praticamente não ofereceu perigo pelo lado direito e pouco ajudou defensivamente.

Os números ajudam a explicar a frustração da torcida: nenhum drible certo, pouca produção ofensiva e quase nenhuma influência no jogo. Em um Liverpool tão carente de criatividade, a ausência de impacto de Frimpong pesa ainda mais.

Por sua vez, Cody Gakpo teve mais uma atuação extremamente apagada. Na verdade, em vários momentos parecia nem estar em campo.

O atacante holandês pouco participou da construção ofensiva, quase não tocou na bola e passou o jogo inteiro desconectado do restante da equipe. Levi Colwill teve uma tarde tranquila justamente porque raramente foi realmente ameaçado.

Arne Slot ainda demorou para mexer. Alexander Isak entrou antes, mas Ngumoha acabou sendo o sacrificado inicialmente, enquanto Gakpo permaneceu em campo mesmo sem entregar praticamente nada.

A sensação é de que sua confiança despencou completamente atuando centralizado. E, no momento, fica difícil justificar sua permanência como peça importante do time titular do Liverpool.

Liverpool e Chelsea na temporada

Na temporada, quem está mais próximo de garantir uma vaga em competições internacionais é o Liverpool. Restando dois jogos para o fim da Premier League, os Reds estão em 4° lugar, com 59 pontos.

Com 8 de vantagem em relação ao Brentford — primeiro time fora da zona de classificação —, o time de Arne Slot praticamente já terá compromissos continentais no próximo calendário. Resta agora apenas saber qual delas será, entre Champions League, Europa League ou Conference League. O Liverpool volta à campo no domingo que vem (17/05), às 8h30 (horário de Brasília) para enfrentar o Aston Villa em Villa Park.

O Chelsea segue o sonho de se recuperar e buscar, ao menos, o ingresso para as competições internacionais. Mesmo sem um técnico efetivo, os Blues seguem na caça ao G7. O clube de Stamford Bridge está em 9° lugar, com 49 pontos — 4 atrás do Brighton, primeiro dentro da zona de qualificação.

O time de Londres concentra suas atenções para o duelo de terã feira (19/05), quando medirá forças com o Tottenham, em casa. A partida será às 16h15.

Créditos da foto de capa: Reprodução/Liverpool FC