Loic Badé, Bayer Leverkusen
Futebol Bundesliga

Loic Badé surpreende e assume o papel de líder defensivo no Bayer Leverkusen

O Bayer Leverkusen vive um momento de renovação defensiva e encontrou em Loïc Badé não apenas um substituto para Jonathan Tah, mas um verdadeiro comandante para a retaguarda. Contratado junto ao Sevilla FC neste último verão europeu, o zagueiro francês de 25 anos chegou sob certa desconfiança, já que Tah vinha sendo um dos pilares do sistema defensivo da equipe. No entanto, em pouco tempo Badé dissipou qualquer dúvida com atuações seguras e personalidade marcante, a ponto de se tornar o novo “xerife” do BayArena.

Essa transformação ficou clara na vitória por 3 a 1 sobre o Eintracht Frankfurt, partida em que Badé foi titular pela primeira vez nesta temporada. O cenário não era fácil: o time de Kasper Hjulmand jogou mais de meia hora com dois jogadores a menos, após as expulsões de Robert Andrich e Equi Fernández. Em um contexto de pressão intensa do adversário, o defensor francês se agigantou, comandando a zaga, vencendo a maioria dos duelos e dando segurança ao restante do time. Cada corte, cada interceptação era comemorada quase como um gol pelos companheiros, em especial por Alejandro Grimaldo — autor de um inspirado doblete — que aplaudia a cada intervenção do novo parceiro.

Atuação imperial contra o Frankfurt

Os números traduzem a influência de Badé: 64% de duelos individuais ganhos e uma série de cortes decisivos, especialmente durante o período de inferioridade numérica. Mas mais do que números, o que impressionou foi a postura de liderança. Ele se comunicou o tempo todo com os companheiros, organizando a linha defensiva e orientando o posicionamento mesmo nos momentos de maior pressão. Essa capacidade de liderança, aliada a um perfil físico imponente, fez o Leverkusen não sentir tanto a ausência de Tah, que deixou o clube para reforçar o Bayern de Munique.

Simon Rolfes, diretor esportivo do Leverkusen, fez questão de destacar a importância de contratar alguém disposto a assumir o protagonismo: “Era essencial trazer um jogador que quisesse assumir o papel de líder. Badé demonstrou isso desde o primeiro treino”. As palavras do dirigente refletem um planejamento cuidadoso. O clube sabia que perderia uma referência defensiva e buscou no mercado um perfil específico — um jogador jovem, com experiência internacional e pronto para se comunicar com diferentes culturas no vestiário.

Adaptação rápida e multifacetada

Um dos fatores decisivos para a adaptação meteórica de Badé é sua facilidade em se comunicar em vários idiomas. Dentro do vestiário do Leverkusen, essa habilidade se torna uma vantagem competitiva: ele fala francês com Edmond Tapsoba, inglês com Mark Flekken e Jarell Quansah, além de espanhol com Grimaldo e Lucas Vázquez. Essa polivalência linguística permite uma integração muito mais fluida e reforça seu papel de organizador da defesa. Em um time que reúne atletas de diferentes origens, ter um zagueiro que consegue ser ponte entre culturas e instruções técnicas é um diferencial enorme.

Outro ponto que chama atenção é sua maturidade. Aos 25 anos, Badé já soma passagens por clubes como Rennes, Nottingham Forest e Sevilla, além de experiências em competições europeias. Essa bagagem tem se refletido no campo: mesmo em jogos tensos, sua postura é serena, transmitindo calma para o restante da equipe. Para um Leverkusen que sonha em se consolidar como presença constante na Champions League, esse tipo de liderança é indispensável.

Badé de olho na seleção francesa e no Mundial de 2026

Badé não esconde suas ambições pessoais. Ele já declarou internamente que quer se firmar em um clube de Champions League para, assim, aumentar suas chances de ser convocado para a seleção francesa rumo ao Mundial de 2026. Com a concorrência pesada no setor defensivo dos Bleus, cada atuação de destaque no Leverkusen é uma vitrine valiosa. O clube, por sua vez, também se beneficia: quanto mais sólido o defensor se mostrar, maior o potencial de valorização no mercado e de impacto esportivo na Bundesliga e nas competições europeias.

A ascensão de Badé no Bayer Leverkusen é, portanto, um caso de acerto mútuo. O jogador encontrou o ambiente ideal para dar um salto na carreira, enquanto o clube achou em seu novo camisa 4 um líder capaz de manter o nível competitivo mesmo após a saída de uma referência. Se manter esse ritmo, o francês tem tudo para não apenas apagar as saudades de Tah, mas também escrever seu próprio capítulo de sucesso no BayArena.