Como diz o ditado: “o mundo dá voltas”. A grande final da UEFA Champions League da temporada 2024-25, mostrará isso com duas histórias de superação e afirmação dos técnicos de Paris Saint-Germain e Internazionale, Luís Enrique e Simone Inzaghi, respectivamente, que podem conquistar, seja pela segunda vez para o espanhol ou a primeira pra o italiano, o principal troféu de clubes do futebol mundial.
O discípulo de um gênio
Começando por aquele que já levantou a orelhuda. Pode parecer que foi ontem, mas já fazem 10 anos que o trio MSN de Lionel Messi, Luis Suarez e Neymar, derrotou a Juventus em Berlim, com Luís Enrique como treinador, para conquistar o pentacampeonato da Champions para o Barcelona e sacramentar a segunda tríplice coroa da história do clube. O sucessor de Pep Guardiola, que tem na sua forma de jogar os toques rápidos e efetividade no ataque, conquistou a Europa com o padrão que o mundo se acostumou a ver o Barça jogar.
Apesar do bicampeonato espanhol, Luís Enrique saiu do clube alegando desgaste em 2017. Após o fiasco da Espanha na Copa do Mundo na Rússia em 2018, assumiu o comando da Fúria e saiu de forma repentina em 2019. Descobriu-se mais tarde que se tratava da sua filha, Xana, que lutava contra um câncer (osteosarcoma). Ela faleceu em setembro daquele ano. Dois meses depois, ele retornava a seleção visando a Copa do Mundo no Catar.
Com um futebol de muita posse de bola e um início avassalador (6-1 diante da Costa Rica), sua passagem ficou marcada pelas oitavas-de-final contra o Marrocos. Mesmo dominando o jogo do início ao fim, foi eliminado nos pênaltis (3-0) e sua passagem pela seleção espanhola colocou uma sombra sob sua reputação no mundo do futebol.
Depois de um ano sabático, retornou em 2023 para comandar o projeto ambicioso do PSG. Na França, Luís Enrique conquistou os títulos locais em sua primeira temporada (Ligue 1, Copa da França e Supercopa da França). Mas o foco principal é a Europa e o primeiro título da Champions para o time da capital francesa. Uma eliminação na semifinal para o Borussia Dortmund colocou um ponto final no que seria um fim de um sonho. Com Kylian Mbappé a caminho de Madri, o time mudou de abordagem e foi ganhando corpo.
Muito disso se passa pelo dedo do técnico, recuperando o futebol de um de seus comandados dos tempos de Barcelona (Ousmane Dembele), apostando em nomes menos badalados no primeiro semestre da temporada para montar a base que passou aperto no começo da “Nova Champions”. A chegada de Kvicha Kvaratskhelia na janela de inverno era o que faltava para deixar esse time ainda mais letal.
Com duelos apoteóticos diante de Manchester City na fase de liga, Liverpool nas oitavas e Arsenal na semifinal, o time de Luís Enrique mostrou todo o seu poderio. O time chega a final pela segunda vez na história em cinco anos, e de uma forma improvável com menos medalhões e apostas. E para comandar um time assim, só um técnico de qualidade para extrair o que tem de melhor.

A intensidade italiana
No lado italiano, vem Simone Inzaghi. O ex-atacante faz a sua carreira como treinador em seu país natal. Iniciando como técnico do sub-20 da Lazio, e depois comandando o time principal, foi campeão da Coppa Itália e bicampeão da supercopa da Itália com o time da capital.
Desde a temporada 2021-22 na Inter de Milão, Simone Inzaghi tinha como objetivo ajudar o time a voltar ao status de time respeitado não só dentro da Itália como na Europa. Nos anos em que os times de Milão eram ofuscados pelo amplo domínio da Juventus, Inzaghi foi trabalhando aos poucos para montar a base de seu time que viria a recuperar o seu status de potência.
Seu estilo de jogo, apesar de atuar num 3-5-2 e até com linhas de cinco se for necessário, não significa apenas retranca e jogar por uma bola. É uma equipe aguerrida, onde todos se doam e jogam um pelo outro. Sejam aqueles que passaram por lá ou que ainda estão na Inter durante todo o período de Simone Inzaghi no comando, a correria e a raça sempre estiveram presentes.
A virada de chave veio na temporada 2022-23, quando os seus comandados conseguiram levar a neurazzuri para a decisão da Champions depois de 13 temporadas. A final em Istambul contra o Manchester City foi marcada pela noite iluminada de Ederson e o gol de Rodri para dar aos citizens a primeira orelhuda. A desconfiança em torno de Simone Inzaghi crescia, mas a Inter o bancou.
Duas temporadas depois e a Inter volta ao grande palco da Europa. Passando por gigantes como o Bayern e o Barcelona (numa semifinal histórica) mostra o quanto a Inter é valente. Por mais que as conquistas de relevância sejam apenas dentro do território italiano, a recuperação de uma gigante como a Internazionale se deve ao seu treinador.

Independente de quem vença a grande final em Munique, a história dos dois treinadores não pode ser ignorada. Cada um no estilo, porém mostrando que o mundo sempre dá voltas.