Luke Shaw é, sem exagero, uma das histórias mais improváveis da temporada europeia. Em um Manchester United que vive uma reviravolta sob o comando de Michael Carrick, ninguém simboliza melhor essa mudança do que o lateral-esquerdo, um jogador que já foi chamado de “permanentemente lesionado” e agora virou praticamente um “homem de ferro”.
Sim, você não leu errado.
De coadjuvante a peça-chave
Desde a chegada de Carrick, em janeiro, o United mudou completamente de cara. Foram sete vitórias em dez jogos, um salto considerável em relação ao período sob Ruben Amorim, quando a equipe somou apenas oito triunfos em 21 partidas.
Resultado? O time voltou a sonhar com vaga na próxima UEFA Champions League.
E no meio dessa reconstrução, nomes como Bruno Fernandes seguem decisivos, enquanto o goleiro Senne Lammens também ganha destaque. Mas o dado mais curioso é outro: nenhum jogador atuou mais minutos na temporada do que Luke Shaw.
Logo ele. Para quem acompanha o United há alguns anos, isso parece roteiro de ficção. Shaw chegou ao clube em 2014 como uma das maiores promessas do futebol inglês, vindo do Southampton. Na época, virou o adolescente mais caro da história, custando cerca de €37,5 milhões.
A expectativa? Um dos melhores laterais do mundo. A realidade? Um caminho cheio de obstáculos.
A lesão que mudou tudo
O ponto de virada (negativo) na carreira de Shaw veio em 2015, quando sofreu uma fratura dupla na perna. Uma lesão gravíssima que o deixou meses fora e, pior, quase custou sua própria perna, segundo relatos do próprio jogador.
A partir daí, nunca mais foi o mesmo por um bom tempo. Entre idas e vindas, problemas físicos e dificuldade para retomar o auge, Shaw acumulou temporadas irregulares. Em seus primeiros quatro anos no United, fez apenas 43 jogos de liga.
E como se não bastasse, ainda teve que lidar com críticas públicas de José Mourinho, que questionava sua dedicação e mentalidade. Nada como uma pressãozinha extra, né?
A saída de Mourinho, em 2018, marcou um recomeço. Shaw finalmente começou a mostrar o futebol que se esperava dele, chegando a ser eleito o melhor jogador do clube em 2019 e entrando na seleção da Premier League em 2021.
Mas as lesões continuaram sendo um problema constante. Entre 2018 e 2023, o lateral ainda perdia, em média, 11 jogos por temporada. A impressão geral? Um talento enorme que nunca conseguiria ter sequência.
Tanto que, antes desta temporada, muita gente já tratava Shaw como um jogador “em fim de ciclo”.
A temporada da redenção
E aí veio 2025/26. Depois de somar apenas 19 jogos nas duas temporadas anteriores, Shaw simplesmente virou titular absoluto e mais do que isso: virou o jogador mais utilizado do elenco.
Ele começou todas as partidas da Premier League até aqui e está a caminho de registrar a temporada com mais minutos da carreira. Um salto gigantesco e completamente inesperado.
Até mesmo em comparação com Bruno Fernandes, conhecido por sua resistência física, Shaw aparece como o mais presente. Parte da resposta está no contexto criado por Carrick. O treinador reorganizou o time, deu mais estabilidade defensiva e, principalmente, confiança a jogadores que pareciam em baixa. Shaw, claramente, é um dos maiores beneficiados.
Além disso, o lateral parece ter encontrado um novo equilíbrio físico. Talvez não tenha mais a explosão de antes, mas compensa com leitura de jogo e posicionamento. É aquela clássica evolução de jogador experiente: menos correria, mais inteligência.
E o futuro?
Apesar da fase positiva, o futuro de Shaw no United ainda levanta dúvidas. O lateral entra no último ano de contrato e, sendo um dos salários mais altos do elenco, não há garantia de renovação, principalmente considerando sua idade e histórico de lesões.
O clube já observa o mercado em busca de um substituto a longo prazo. Nomes como Myles Lewis-Skelly, Lewis Hall e Nathaniel Brown aparecem como possíveis reforços.
Ou seja: a concorrência vem aí. Existe um cenário quase “perfeito” para encerrar essa história: Shaw liderando o United de volta à Champions League e, depois, passando o bastão para uma nova geração.
Mas, conhecendo o histórico do jogador, é difícil cravar qualquer coisa. Se tem uma coisa que Luke Shaw já mostrou, é que ele adora contrariar expectativas.
A temporada de Shaw é mais do que números. É sobre resiliência. De promessa a dúvida, de lesionado crônico a peça indispensável, o lateral escreveu um dos arcos mais interessantes do futebol recente.
E se alguém ainda duvida dele, talvez seja melhor repensar. Porque, dessa vez, o “perma-crock” virou protagonista. E parece que não pretende sair de cena tão cedo.
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