A transferência de Noni Madueke do Chelsea para o Arsenal, por 52 milhões de libras no último verão europeu, causou estranheza na época. O atacante inglês de 23 anos dividia opiniões em Stamford Bridge: flashes de talento intercalados com atuações apagadas, números promissores, mas irregulares. Para muitos torcedores, vendê-lo não parecia um grande risco. Mas bastaram poucos meses para a narrativa mudar. Madueke chegou ao Emirates com status de “aposta” de Mikel Arteta, que chegou a ser criticado por priorizar sua contratação em detrimento de outros nomes como Eberechi Eze.
Hoje, ele é um dos destaques da equipe e também da seleção inglesa. A cada partida, o camisa 11 vem mostrando o que se esperava dele quando saiu do PSV para o Chelsea em 2023. O que parecia um reforço controverso virou solução imediata, especialmente com a lesão de Bukayo Saka na segunda rodada da Premier League. Madueke ocupou a vaga no lado direito do ataque e respondeu com desempenho acima das expectativas.
Números que justificam a aposta de Arteta
Os números confirmam a boa fase: em quatro jogos pelo Arsenal na Premier League, Madueke está em terceiro lugar no ranking do campeonato de chances criadas por 90 minutos (2,76) e em quarto em dribles bem-sucedidos por partida, com 58,3% de aproveitamento. Na vitória por 3 a 0 sobre o Nottingham Forest, por exemplo, ele liderou em chances criadas, dribles, cruzamentos e duelos vencidos. Para completar, vem sendo elogiado também pela seleção inglesa – seu gol e atuação no 5 a 0 sobre a Sérvia reforçaram a impressão de que vive um novo patamar de confiança.
O próprio Gary Neville, ex-lateral do Manchester United e hoje comentarista, se disse surpreso. “Madueke é muito melhor do que eu imaginava”, declarou. “Algumas das corridas que ele fez pela Inglaterra lembraram as de Arjen Robben contra mim”. A fala sintetiza bem o momento: Madueke ainda não está no nível dos grandes craques, mas suas movimentações e tomadas de decisão têm sido de alto nível.
Madueke é um jogador mais coletivo e adaptado
Outro ponto destacado pela imprensa inglesa é a mudança de postura do atacante. No Arsenal, ele vem tendo menos finalizações por jogo do que na temporada passada pelo Chelsea, com um foco maior em construir jogadas, entender o timing dos companheiros e abrir espaços para as ultrapassagens de Jurrien Timber no corredor direito. Essa paciência vem sendo vista como sinal de amadurecimento, algo que faltava em Stamford Bridge.
A temporada passada mostrou que Madueke tinha potencial: foram 11 gols e cinco assistências em todas as competições pelo Chelsea. Agora, os torcedores dos Gunners esperam que esses números sejam superados, mas já se dão por satisfeitos com a entrega e a regularidade. O que antes era uma aposta arriscada de Arteta hoje é uma peça-chave num elenco que busca desafiar novamente Manchester City e Liverpool no topo da Premier League.
Chelsea em busca de substitutos à altura
Do outro lado, o Chelsea ainda tenta encontrar a fórmula certa para preencher o espaço deixado por Madueke. A política de contratações seguiu focada em jovens talentos. Alejandro Garnacho chegou do Manchester United, Estevão desembarcou após o Mundial de Clubes e Jamie Gittens veio do Borussia Dortmund. Juntos, custaram cerca de 120 milhões de libras – mais do que os Blues receberam por Madueke.
Mas o início dos três não foi animador. Gittens, por exemplo, recebeu críticas após atuação discreta no empate com o Brentford, sendo substituído no segundo tempo para a entrada de Cole Palmer, autor do gol de empate minutos depois. Garnacho mostrou lampejos positivos em sua estreia, mas falhou na marcação de Fabio Carvalho no gol do adversário nos acréscimos. Já Estevão empolgou em alguns momentos e conseguiu sua primeira assistência contra o West Ham, mas ainda busca regularidade.
Tempo para adaptação ou erro estratégico?
O Chelsea lembra que Madueke também precisou de tempo para se adaptar quando voltou da Holanda. O mesmo pode acontecer com Gittens, que brilhou no Dortmund mas agora enfrenta defesas mais fechadas e um ritmo mais intenso na Premier League. A questão é que o elenco dos Blues não permite tantos erros ou partidas discretas – a concorrência é grande e a paciência dos torcedores, limitada.
No momento, fica a sensação de que Arteta acertou ao insistir em Madueke e de que o Chelsea pode ter se precipitado ao abrir mão dele. Se os substitutos engrenarem, a história pode mudar. Mas, por enquanto, cada drible e cada chance criada pelo camisa 11 no Emirates aumenta o arrependimento em Stamford Bridge.