Noni Madueke começou a Copa do Mundo cumprindo um papel importante para a Inglaterra. Titular na estreia contra a Croácia, o atacante do Arsenal recebeu uma oportunidade relevante em um elenco cheio de opções ofensivas e mostrou que pode ser mais do que apenas uma alternativa durante a competição. Em um torneio curto, no qual cada atuação pode mudar o cenário interno de uma seleção, entrar bem logo no primeiro jogo é algo que pesa bastante.
O caso de Madueke chama atenção justamente porque o momento atual é bastante diferente daquele vivido pelo jogador há cerca de um ano. Quando deixou o Chelsea para defender o Arsenal, o atacante chegou cercado de desconfiança. Parte da torcida não entendia o investimento feito pelo clube e questionava se ele realmente tinha nível para ser uma peça importante no elenco de Mikel Arteta.
Desta forma, antes mesmo de mostrar qualquer coisa dentro de campo, Madueke já precisou lidar com um ambiente complicado. A pressão era grande, principalmente pelo valor envolvido na negociação e pela sensação de que o Arsenal precisava de reforços capazes de elevar o nível do time imediatamente. Sendo assim, o atacante sabia que teria que provar seu valor rapidamente para mudar a percepção dos torcedores.
E foi exatamente isso que aconteceu ao longo da temporada. Mesmo sem ser titular absoluto em todos os momentos, Madueke conseguiu ganhar espaço aos poucos com Arteta. O jogador ofereceu ao Arsenal uma opção diferente pelos lados do campo, com força no um contra um, velocidade e capacidade de acelerar jogadas em momentos nos quais a equipe precisava mudar o ritmo da partida.
Madueke conseguiu mudar o cenário no Arsenal
É verdade que a concorrência no Arsenal nunca foi simples. Em um elenco montado para brigar por títulos, qualquer jogador precisa aproveitar muito bem as chances que recebe. No caso de Madueke, isso ficou ainda mais claro pela presença de Bukayo Saka, um dos principais nomes do clube e também da seleção inglesa.
Mesmo assim, Madueke encontrou maneiras de ser útil. Em alguns momentos, apareceu pela direita. Em outros, foi utilizado pelo lado esquerdo. Além disso, conseguiu mostrar que poderia ser importante tanto iniciando partidas quanto saindo do banco para entrar em campo nos minutos finais de confrontos.
O resultado da temporada também ajudou a mudar a narrativa. O Arsenal conseguiu conquistar a Premier League e encerrou uma longa espera pelo título nacional. Neste cenário, Madueke passou a ser visto de outra maneira. O jogador deixou de ser visto apenas como o reforço questionado por parte da torcida, passando a ser um nome que contribuiu para uma campanha vitoriosa.
Essa mudança de ambiente também teve impacto na seleção inglesa. Em boa fase, mais confiante e inserido em um time campeão, Madueke passou a ganhar espaço com Thomas Tuchel. O treinador encontrou no atacante características importantes para o estilo que deseja implementar na Inglaterra, principalmente pela capacidade de atacar a profundidade e vencer duelos individuais.
Na estreia da Copa do Mundo, contra a Croácia, Madueke aproveitou bem a oportunidade. Titular em uma partida de grande peso, o jogador teve uma atuação positiva e participou de um dos lances decisivos do confronto. Ao sofrer o pênalti convertido por Harry Kane, o atleta dos Gunners ajudou a Inglaterra a construir uma vitória importante logo no começo da caminhada.
Inglaterra ganha uma disputa positiva com Madueke e Saka
A boa estreia de Madueke aumenta a discussão sobre o espaço que ele pode ter no restante da Copa. Naturalmente, Bukayo Saka segue sendo um nome muito forte dentro da seleção. Porém, o problema físico do atacante abriu caminho para Madueke aparecer, e o jogador do Arsenal mostrou que pode ser uma opção real para Tuchel.
Neste cenário, a disputa entre Madueke e Saka se torna uma das situações mais interessantes da Inglaterra. Curiosamente, os dois brigam por espaço tanto no clube quanto na seleção. No Arsenal, Arteta já precisou encontrar maneiras de utilizar ambos e administrar a concorrência. Agora, Tuchel vive um cenário parecido no comando inglês.
Longe de ser um problema, essa disputa pode ser uma ótima notícia para a Inglaterra. Em uma Copa do Mundo, ter alternativas de alto nível faz muita diferença. Nem sempre o mesmo jogador será a melhor opção para todos os jogos. Dependendo do adversário, do momento físico e da necessidade da partida, Tuchel pode escolher características diferentes para montar o ataque. Madueke é capaz de oferecer agressividade e capacidade de encarar o marcador. Saka, por sua vez, já tem um peso maior na seleção e costuma ser uma peça mais consolidada em grandes jogos.Desta forma, a briga entre os dois eleva o nível do setor e mostra que a Inglaterra tem opções interessantes para a sequência do torneio.
Além disso, existe a possibilidade de ambos atuarem juntos em determinados momentos. Arteta já encontrou soluções para isso no Arsenal, e Tuchel pode seguir o mesmo caminho se entender que a equipe precisa de mais velocidade e amplitude pelos lados do campo. Desta forma, a presença de Madueke não necessariamente diminui a importância de Saka, mas amplia o leque de possibilidades da seleção.
O fato é que Madueke chega à Copa do Mundo em um momento muito mais forte do que aquele vivido no início de sua trajetória no Arsenal. Depois de precisar dar a volta por cima, convencer parte da torcida e ganhar espaço em um time campeão da Premier League, o atacante agora tenta transformar a boa fase em protagonismo também pela Inglaterra.
A estreia contra a Croácia mostrou que ele está preparado para aproveitar as oportunidades. E, em um torneio no qual detalhes costumam decidir caminhos, Madueke pode se tornar uma peça muito importante para os ingleses. O jogador que chegou ao Arsenal sob desconfiança agora vive um cenário completamente diferente: campeão nacional, titular na estreia Copa do Mundo e cada vez mais capaz de mostrar que merece destaque seja no clube ou na seleção.
Créditos da foto de capa: Getty Images.