Um dos confrontos mais empolgantes e aguardados no MMA atualmente também é um dos menos prováveis de acontecer em breve: Islam Makhachev contra Ilia Topuria. No papel, é tudo o que os fãs sonham: o campeão dos leves do UFC e número 1 no ranking peso por peso enfrentando um fenômeno invicto que já dominou uma categoria. Ainda assim, a luta parece distante. E não por lesões, problemas de agenda ou questões contratuais. Segundo Khabib Nurmagomedov, amigo e mentor de Makhachev, o motivo é simples: o campeão não quer a luta.
Ilia Topuria ainda pode não ser um nome amplamente conhecido pelo grande público, mas seu currículo fala por si. O lutador espanhol-georgiano está invicto com um cartel de 16-0 e foi responsável por nocautear dois dos maiores pesos-pena da história, Alexander Volkanovski e Max Holloway, em sequência. Essas vitórias o colocaram no topo da divisão e entre os principais nomes do ranking peso por peso do UFC.
O que tornou sua trajetória ainda mais interessante foi a decisão inesperada de subir para o peso leve e abrir mão do cinturão dos penas sem nunca tê-lo perdido. Volkanovski recuperou o título ao derrotar Diego Lopes no UFC 314, mas Topuria agora mira no trono dos 70kg, onde Islam Makhachev reina absoluto.
O desprezo de Makhachev e a justificativa de Khabib
O campeão dos leves do UFC não demonstrou nenhum interesse em enfrentar Topuria. E, de acordo com Khabib, há um motivo claro para isso. Em entrevista ao jornalista russo Adam Zubayraev, o ex-campeão explicou:
“Vamos imaginar que Topuria suba e receba uma disputa de cinturão direto, e o Islam o vença,” disse Khabib. “Depois o Topuria luta de novo nos leves e perde. Basicamente, ele seria um ninguém no peso leve.”
Na visão de Khabib, não há vantagem em aceitar a luta. Se Islam vencer, terá batido um lutador que “não pertence” à categoria. Se perder, sofrerá um grande abalo diante de um estreante na divisão. É, segundo ele, uma situação de alto risco e baixo retorno. Mas essa lógica não convence os fãs — e muito menos Topuria, que rebateu nas redes sociais:
“O Khabib sabe que sou eu quem vai tirar o cinturão do Islam. Essa é a única razão pela qual ele não quer que essa luta aconteça.”
A tensão ficou ainda mais visível com a última declaração de Topuria. Em entrevis ta à agência russa TASS, ele reforçou sua posição: só aceita lutar pelo cinturão.
“Quero lutar no verão. Mas se não acontecer, estou pronto para disputar o título no outono. Não estamos considerando outras opções.”
Essa rigidez pode atrasar sua estreia no peso leve, mas demonstra confiança. Topuria sabe que tem hype, vitórias expressivas e uma legião de fãs ao seu lado, atributos que o UFC valoriza muito na hora de promover uma luta. É verdade que ele poderia enfrentar um top contender como Charles Oliveira ou Arman Tsarukyan e calar de vez qualquer dúvida. Mas, por ora, sua mensagem é clara: ele já fez o suficiente.
Por que essa luta precisa acontecer
Independentemente das questões políticas ou estratégicas, Islam x Topuria é uma superluta. O UFC carece de eventos gigantes atualmente que não envolvam Conor McGregor ou Jon Jones. Este duelo tem tudo: um campeão dominante em seu auge, um desafiante invicto com carisma e uma tensão real entre as equipes.
Tecnicamente, é um confronto fascinante. O jogo de grappling sufocante de Makhachev contra o boxe afiado, a movimentação e a resistência de Topuria. É um duelo clássico entre striker e wrestler, mas com nuances. Topuria é faixa-preta de jiu-jitsu e tem boa defesa de quedas. Makhachev, por sua vez, evoluiu muito na trocação e se tornou um lutador completo.
Seria uma luta digna de evento numerado principal, talvez até em estádio. E, para Makhachev, vencer Topuria consolidaria ainda mais seu legado.
Neste momento, o confronto está travado. A equipe de Makhachev não parece inclinada a aceitá-lo. Topuria não aceita nada menos que o cinturão. E o UFC, embora atento ao barulho, talvez relute em colocar seu novo astro invicto em uma luta tão perigosa logo de cara. Mas o tempo pode mudar tudo. À medida que cresce a demanda por essa luta, torna-se mais difícil ignorá-la. Com a divisão dos leves sem um desafiante claro, e Topuria recusando ficar à margem, a pressão tende a aumentar.