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Malott nocauteia Gilbert Burns, que se aposenta; Saiba mais do UFC Winnipeg

A noite em Winnipeg, no Canadá, ficará marcada como uma daquelas raras ocasiões em que o MMA entrega tudo ao mesmo tempo: técnica, violência, afirmações e despedidas. No UFC Fight Night deste sábado (18), o octógono foi palco do fim de uma trajetória marcante.

Gilbert Burns se despediu do esporte após ser derrotado por Mike Malott em uma luta que foi, ao mesmo tempo, estratégica e implacável. Apesar de ter sido a quinta derrota consecutiva do brasileiro, sua carreira terminou de forma emocionante.

Mike Malott prova que é de verdade e “aposenta” Durinho

Desde o início, ficou claro que Malott tinha um plano muito bem definido. Burns tentou impor seu estilo logo no primeiro round, buscando encurtar a distância e ameaçar com quedas, foram sete tentativas ao longo da luta. Nenhuma funcionou porque Malott defendeu todas.

Com isso, o canadense passou a controlar o ritmo do combate. Trabalhando com jabs, diretos e boa movimentação, ele foi pontuando com consistência e evitando os momentos de maior perigo. Burns ainda conseguia conectar alguns golpes, mas já não ditava o ritmo como em seus melhores dias.

No segundo round, o cenário se consolidou. Malott seguiu mais eficiente, conectando mais golpes significativos e frustrando completamente o jogo do brasileiro. A leitura de distância e o tempo de reação do canadense foram fundamentais.

Então veio o terceiro round e o momento que mudou tudo. Malott encontrou a brecha perfeita em uma troca franca. Conectou um uppercut limpo, seguido de uma mão direita que derrubou Burns. O brasileiro tentou se recuperar, mas já estava abalado. O canadense avançou com precisão, aplicou mais golpes e forçou o árbitro a interromper a luta no terceiro assalto, dando a vitória para o canadense por nocaute técnico.

Para Mike Malott, a vitória representa um divisor de águas. Não foi apenas vencer um grande nome. Foi como venceu. Ele anulou completamente as principais armas de Burns, manteve a calma durante toda a luta e escolheu o momento exato para acelerar.

A combinação de disciplina tática com capacidade de definição o coloca em outro nível dentro da categoria. Agora, seu nome entra de vez na conversa entre os principais meio-médios do mundo e no próximo duelo deve enfrentar um Top 5 da divisão.

Destaques do card principal: guerra, nocaute, vitória importante e dança

Charles Jourdain vence guerra contra Kyler Phillips e dá mais um passo para os grandes combates
Charles Jourdain vence guerra contra Kyler Phillips e dá mais um passo para os grandes combates (Imagem: Chris Unger/UFC/Zuffa LLC)

O restante do card principal entregou atuações fortes, cada uma com sua própria narrativa. Charles Jourdain protagonizou uma verdadeira guerra contra Kyler Phillips. A luta foi extremamente equilibrada, com alternância de domínio ao longo dos três rounds. No fim, Jourdain levou a melhor por decisão unânime (3x 29-28), graças ao maior volume e à capacidade de fechar melhor os assaltos. Um combate tão disputado que levou, com justiça, o bônus de “Luta da Noite”.

Jai Herbert foi responsável por uma das grandes surpresas. Enfrentando um adversário apontado como favorito, ele mostrou frieza. Absorveu a pressão inicial, encontrou a distância e, logo no primeiro round, desencadeou uma sequência precisa de socos que levou ao nocaute técnico. Uma vitória rápida, mas construída com leitura e timing.

Entre as mulheres, Jasmine Jasudavicius venceu Karine Silva por decisão unânime (3x 29-28), em uma luta bem mais equilibrada do que aparenta no papel. Jasudavicius conseguiu impor ritmo e controle posicional em momentos-chave, mas enfrentou resistência dura na trocação. Foi uma vitória baseada em consistência, não em domínio absoluto.

Na primeira luta entre as principais, o brasileiro Thiago Moisés foi bem no início, chegou a impor seu grappling, teve bons momentos no combate, mas cansou e viu Gauge Young dançar e quase nocaute-lo, vencendo na decisão dividida com justiça, impondo a segunda derrota seguida para o brasileiro.

Preliminares tiveram destaques por definições rápidas

Se o card principal trouxe equilíbrio em alguns momentos, as preliminares foram marcadas por objetividade e violência. Marcio Barbosa precisou de apenas 1’20” para nocautear Dennis Buzukja no primeiro round. Um golpe limpo encerrou a luta instantaneamente, garantindo uma das performances mais impactantes da noite.

Gokhan Saricam venceu Tanner Boser por nocaute técnico no segundo round. A luta foi construída na pressão constante, desgastando o adversário até encontrar o momento ideal para acelerar e definir.

Robert Valentin mostrou eficiência máxima: finalizou Julien Leblanc com um mata-leão antes da metade do primeiro round. Sem desperdício de movimento, levou para o chão cedo e encerrou rapidamente.

Por fim, na primeira luta do evento, John Yannis também resolveu cedo. Aos 2’43” do primeiro round, venceu Jamie Siraj por TKO após encurralar o adversário e conectar uma sequência agressiva de socos e cotoveladas.

As preliminares ainda tiveram as vitórias de Melissa Croden sobre Darya Zheleznyakova e JJ Aldrich sobre Jamy-Lyn Horth, ambas por decisão unânime, além do empate majoritário de John Castañeda e Mark Vologdin.

O evento deste sábado teve uma marca clara: eficiência. A maioria das lutas terminou antes do limite, com nocautes brutais e finalizações bem técnicas. Mas, acima de tudo, o UFC Fight Night de Winnipeg será lembrado pelo adeus de Gilbert Burns.

O último ato de Gilbert Burns

Gilbert Burns se aposenta após ter sido nocauteado por Mike Malott, no UFC Winnipeg
Gilbert Burns se aposenta após ter sido nocauteado por Mike Malott, no UFC Winnipeg (Imagem: Chris Unger/Zuffa LLC)

Logo após a interrupção do árbitro na luta principal, o clima mudou. A arena, que vibrava com a vitória do atleta da casa, passou a reconhecer o momento histórico. Gilbert Burns tirou as luvas e as deixou no centro do octógono. Um gesto simples, mas que carregou o peso de uma carreira inteira.

Durinho sai do UFC como um dos nomes mais respeitados de sua geração. Ex-desafiante ao cinturão dos meio-médios, ele construiu uma trajetória baseada em coragem e consistência. Enfrentou os melhores, nunca recusou desafios e se manteve competitivo por anos em uma das divisões mais difíceis do esporte.

Mais do que vitórias, Gilbert Burns deixou um legado de postura. Sempre agressivo, disposto e presente. Mesmo em sua fase final, com as derrotas acumuladas, Durinho não mudou sua essência. E talvez isso torne sua despedida ainda mais simbólica: ele saiu exatamente como lutou a vida inteira, encarando um desafio difícil, sem recuar.

A noite no Canadá chegou ao fim com um momento daqueles. Um grande lutador entendeu que chegou a hora de parar. Entretanto, Gilbert Burns terminou derrotado, mas saiu gigante. E isso é algo que nenhum resultado pode tirar.

(Imagem de capa: Chris Unger/Getty Images)