Guehi Manchester City
Futebol Premier League UEFA Champions League UEFA Europa Conference League

Manchester City reage no mercado e vê em Marc Guéhi a resposta para sua crise defensiva

Se alguém acha que o Manchester City se acomodou e está distante da briga pelo título da Premier League, talvez seja a hora de repensar nesta leitura. O time de Pep Guardiola pode até ter tropeçado nas últimas rodadas, com empates seguidos contra Sunderland, Chelsea e Brighton, mas fora de campo a mensagem é clara: o City não saiu da corrida. E a movimentação para contratar Marc Guéhi é o maior símbolo disso.

Não se trata apenas de mais um reforço. A chegada do zagueiro inglês carrega um peso estratégico enorme e ajuda a explicar por que esse movimento soa como um verdadeiro ponto de virada na temporada dos Citizens. Muito por conta do principal problema dos Sky Blues, a defesa.

O City tropeçou, mas não caiu

É verdade que o Manchester City perdeu parte da aura de invencibilidade nas últimas semanas. A solidez defensiva, que sempre foi uma marca registrada da equipe de Guardiola, deu sinais de fragilidade, como tem ocorrido nas últimas temporadas. Lesões importantes bagunçaram o planejamento, e a equipe passou a depender de improvisações que claramente não estavam no roteiro original.

Mesmo assim, achar que isso significa desistência seria ingenuidade, ou uma pura loucura. O City segue vivo em todas as competições relevantes e, mais importante, mostrou no mercado que está disposto a corrigir problemas de forma cirúrgica. Sim, dinheiro está longe de ser uma questão mal resolvida por parte do time de Guardiola.

A contratação de Antoine Semenyo, por exemplo, já deu retorno imediato. O atacante teve atuação dominante contra o Newcastle na Carabao Cup e mostrou que pode oferecer intensidade, força física e agressividade ofensiva, algo que faltava em certos momentos do time.

Mas se Semenyo empolga, Guéhi resolve.

Por que o Manchester City foi atrás de Marc Guéhi?

Até poucos meses atrás, Marc Guéhi parecia ter destino certo: Liverpool. O Crystal Palace chegou a negociar seriamente com os Reds, mas puxou o freio de mão no último segundo, devido as opiniões e vontades de Oliver Glasner, que já havia perdido Eberechi Eze, e não queria ver mais um nome importante dizer adeus. Mesmo assim, com o contrato do zagueiro entrando no último ano, uma saída parecia inevitável, fosse em janeiro ou no fim da temporada.

O Manchester City, porém, não estava no radar… até estar.

O cenário mudou drasticamente durante o período festivo, quando Josko Gvardiol e Rúben Dias passaram a lidar com problemas físicos mais sérios. John Stones também virou desfalque recorrente. De repente, Guardiola se viu com um elenco curto no setor mais sensível do time, tendo de optar por peças que não estavam nos planos de serem titulares.

Trazer Max Alleyne de volta de empréstimo foi uma solução emergencial, mas ninguém no Etihad acredita que uma dupla improvisada com Abdukodir Khusanov seja resposta para uma equipe que briga por tudo. Por conta disso, movimentações maiores precisaram ser feitas por parte do Manchester City.

Nesse contexto, pagar cerca de £20 milhões por Marc Guéhi soa quase como uma pechincha. Estamos falando de um dos zagueiros mais consistentes da Premier League, com idade ideal, experiência internacional e margem enorme de crescimento. E com grandes chances de aparecer na próxima Copa do Mundo, nas mãos de Thomas Tuchel.

O que Guéhi entrega dentro de campo?

Desde que deixou o Chelsea, em 2021, Marc Guéhi fez do Crystal Palace o seu território. Não virou apenas titular, virou líder. Capitão, referência técnica e emocional, e um defensor que passa tranquilidade mesmo quando o jogo pega fogo.

Guéhi não é do tipo que grita como Vincent Kompany fazia, mas compensa isso com exímia leitura de jogo. É capaz de antecipar jogadas, domina duelos individuais e raramente entra em pânico sob pressão, é esperado que haja um outro nome mais emocional ao seu lado, capaz de fazer as coisas sem pensar muito, porque equilibraria os dois lados da moeda. Para um time que constrói desde trás, isso é ouro.

Outro ponto crucial: Guéhi faz o jogo parecer simples. Não costuma forçar passes impossíveis, escolhe bem quando acelerar e quando pausar, e dificilmente se posiciona mal, não se sabe ao certo se num dos principais palcos da Inglaterra, manterá essa movimentação. É o tipo de zagueiro que melhora quem joga ao lado dele, algo fundamental em um sistema tão exigente quanto o de Guardiola.

Se mantiver o nível que mostrou em Selhurst Park, o City pode estar garantindo um pilar defensivo para os próximos dez anos.

Impacto direto na briga por títulos

Vamos ser honestos: alcançar o Arsenal não será simples, mas já ocorreu esse mesmo cenário em outras oportunidades… O time de Mikel Arteta segue forte, consistente e confiante. Mas o futebol já mostrou inúmeras vezes que vantagens evaporam rápido quando a pressão aumenta.

Com Guéhi, o Manchester City ganha profundidade, segurança e alternativas. Isso permite rotações mais inteligentes, protege jogadores que voltam de lesão e reduz o risco de novos colapsos defensivos.

Além disso, os Citizens já estão bem encaminhados para disputar a final da Carabao Cup e seguem vivos em outras frentes. Mesmo que a Premier League escape, é difícil imaginar o City terminando a temporada de mãos vazias, algo que já melhora bastante a realidade do clube, ainda mais com as dúvidas sobre a continuidade de Pep no esporte.

E se tem algo que essa janela deixou claro é o seguinte: o Manchester City não vai entregar o título sem brigar até o último minuto. Arsenal que se cuide e abra bem os olhos. Porque basta um tropeço, um jogo atravessado, uma noite ruim… e o City estará ali, farejando sangue.

Foto: Getty Images