O Manchester City vive um dos momentos mais importantes de sua recente história. Depois de anos com um meio campo considerado referência no futebol europeu, o clube começa a enfrentar uma transformação que pode mudar completamente a estrutura da equipe. A possível saída de Rodri, somada às mudanças recentes no elenco, coloca o setor no centro das decisões para a próxima temporada.
A chegada de Enzo Maresca ao comando da equipe aumenta ainda mais a expectativa. O treinador recebeu um elenco construído durante a era Pep Guardiola, mas terá que encontrar novas soluções para uma equipe que começa a perder algumas de suas principais referências. Rodri pode deixar o clube, Bernardo Silva já saiu e Tijjani Reijnders também está a caminho de outra equipe.
O City, portanto, não precisa apenas contratar jogadores. Precisa reconstruir uma identidade no meio campo. E essa reconstrução pode custar uma fortuna.
Rodri pode deixar um vazio impossível de preencher

Rodri se tornou uma das peças mais importantes da história recente do Manchester City. O espanhol chegou ao clube em 2019 e rapidamente assumiu uma posição central no sistema de Guardiola. Sua capacidade de proteger a defesa, controlar o ritmo das partidas e participar da construção das jogadas fez dele muito mais do que um volante tradicional.
O momento mais simbólico de sua passagem pelo clube aconteceu em 2023. Rodri marcou o gol da vitória sobre a Inter de Milão na final da Champions League, resultado que garantiu ao Manchester City o primeiro título europeu de sua história e completou a tríplice coroa.
Nos anos seguintes, sua importância aumentou ainda mais. Rodri conquistou a Bola de Ouro e foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo, consolidando sua posição entre os principais meio campistas do futebol mundial.
Por isso, uma eventual saída seria muito mais complicada do que simplesmente perder um jogador titular.
O City teria que encontrar uma nova maneira de organizar seu meio campo.
A situação fica ainda mais delicada porque Bernardo Silva também deixou o clube após o fim de seu contrato. O português foi outro jogador fundamental na era Guardiola, principalmente pela capacidade de atuar em espaços curtos, pressionar os adversários e controlar o jogo com qualidade técnica.
Reijnders também está deixando Manchester, com transferência para o Al Qadsiah por £51 milhões. O holandês teve participação importante na última temporada e chegou a disputar mais partidas do que a maioria dos jogadores do elenco.
Ao mesmo tempo, o clube já encontrou uma possível peça para o futuro. Elliot Anderson chegou por £116 milhões, tornando-se o meio campista mais caro da história. Aos 23 anos, ele chega depois de uma boa participação na Copa do Mundo e é visto como um jogador capaz de ocupar uma posição central no novo projeto.
Mas Anderson não é Rodri.
Essa diferença é fundamental.
O inglês possui suas próprias características e poderá assumir responsabilidades maiores, mas não seria lógico esperar que simplesmente reproduzisse o futebol do espanhol. A tendência é que Maresca tenha que construir um sistema diferente ao redor dele.
Enzo Fernández, Bouaddi e uma conta que pode chegar a £300 milhões

O Manchester City já trabalha com nomes importantes para completar a reformulação. Enzo Fernández é um dos principais alvos. O argentino já conhece o trabalho de Maresca, pois atuou sob o comando do treinador no Chelsea.
Fernández, porém, possui características diferentes das de Rodri. Durante o período com Maresca, ele frequentemente atuou ao lado de Moisés Caicedo, um meio campista com características mais defensivas. Em determinados momentos da última temporada, o argentino também foi utilizado como camisa 10.
Isso significa que uma eventual chegada de Fernández não resolveria automaticamente a ausência de Rodri.
Outro nome observado é Ayyoub Bouaddi. O jovem marroquino possui enorme potencial, mas ainda não tem a experiência necessária para assumir sozinho uma responsabilidade tão grande. A diferença de idade e de experiência em relação a Rodri é enorme.
Por isso, uma possibilidade seria utilizar Anderson ao lado de Fernández ou Bouaddi, formando um meio campo no qual as responsabilidades defensivas seriam distribuídas entre os jogadores.
O problema é o custo.
Caso o Manchester City contrate os dois, Fernández e Bouaddi, o investimento total na reconstrução do meio campo poderia chegar a aproximadamente £300 milhões. Esse valor seria parcialmente compensado pelas vendas de Reijnders e, caso aconteça, Rodri.
Mesmo assim, trata-se de uma transformação financeira gigantesca.
O cenário mostra como o City entrou em uma fase diferente. Durante a era Guardiola, o clube conseguiu manter uma estrutura de meio campo extremamente estável. Rodri, Bernardo Silva, Kevin De Bruyne e outros nomes formaram uma base que permaneceu competitiva durante anos.
Agora, essa geração começa a desaparecer.
Mateo Kovacic afirmou que pretende continuar no clube e Nico González também indicou que deseja permanecer. Ainda assim, a chegada de novos jogadores pode alterar essas decisões e aumentar a concorrência.
Maresca também terá que lidar com decisões que não dependem exclusivamente dele. Reijnders, por exemplo, já havia decidido seguir outro caminho, tornando difícil convencer o jogador a permanecer.
A situação de Rodri parece seguir uma direção semelhante. O espanhol tem mais um ano de contrato, mas existe a possibilidade de uma transferência para o Barcelona. Caso isso aconteça, Maresca terá que reconstruir praticamente todo o setor.
O treinador reconhece que está diante de um período de mudanças. Jogadores que permaneceram no clube durante muitos anos estão saindo, enquanto novos nomes chegam com a missão de construir uma nova identidade.
O grande desafio será transformar esse processo de transição em uma equipe novamente competitiva.
Anderson pode ser o primeiro grande passo. Fernández pode oferecer qualidade técnica e capacidade de chegada ao ataque. Bouaddi representa uma aposta de longo prazo. Kovacic e Nico González podem fornecer experiência e estabilidade.
Mas nenhum deles será capaz de simplesmente substituir Rodri sozinho.
É justamente por isso que a reformulação do meio campo será uma das grandes histórias do Manchester City na nova temporada. O clube passou anos construindo uma das melhores equipes do futebol mundial e agora precisa reconstruir uma parte essencial dessa estrutura.
A questão não é apenas quanto o City vai gastar. É se os novos jogadores conseguirão formar um meio campo capaz de manter o nível de controle, intensidade e qualidade que marcou a equipe durante a era Guardiola.
Com uma possível conta de £300 milhões, a responsabilidade será enorme. Maresca terá que transformar um investimento gigantesco em uma nova identidade para o Manchester City.
(Foto de capa: Getty Images)



