Tem jogador que melhora o time. E tem jogador que muda a equipe. Rodri é o segundo caso para o Manchester City. Quando ele está em campo, parece jogar com manual de instruções atualizado, completamente adaptado ao que o grupo precisa. Sem ele, é outro sistema operacional. E justamente agora, na reta decisiva da temporada, o volante espanhol começa a recuperar o nível que o transformou em peça-chave do esquema de Pep Guardiola.
O momento voltou a ser bom em Manchester, parece que quando a reta final chega, a chave gira. Durante a pausa forçada pela Liga dos Campeões, o City aproveitou para fazer o dever de casa: encurtou a distância para o Arsenal na Premier League, avançou na FA Cup e garantiu vaga na final da Copa da Liga. São cinco vitórias consecutivas somando todas as competições. A última derrota? Um tropeço surpreendente diante do Bodø/Glimt, que já deixou de ser apenas “azarão simpático” para virar pedra no sapato de gente grande.
Reforços de peso e Haaland de volta ao modo robô
O City também ganhou reforços importantes. O atacante Antoine Semenyo chega com status de arma nova para o ataque e pode estrear na Champions logo num jogo que não aceita adaptação lenta, algo que simplesmente não o ocorreu, pensa num jogador que cai como uma luva no elenco. Ao lado dele, o zagueiro Marc Guehi reforça o setor defensivo, dando mais opções a Guardiola para montar sua linha de quatro, ou de três, dependendo do humor tático do professor.
E como se isso já não fosse suficiente, Erling Haaland voltou a ser aquele Haaland que os zagueiros veem em pesadelos. O norueguês retomou o faro de gol, mas não só isso: tem participado mais do jogo, distribuído assistências e até ajudado defensivamente. Na vitória recente sobre o Newcastle United, mostrou que está disposto a fazer o trabalho sujo também. Quando o camisa 9 começa a correr atrás do lateral adversário, é sinal de que o City está com a chave geral ligada.
City x Real Madrid: um clássico moderno da Champions
Mas se o momento é bom, o destino parece gostar de um roteiro repetido. Mais uma vez, o caminho do City na Champions cruza com o do Real Madrid. E isso já virou praticamente tradição europeia, é possível considerar que existem duas certezas no mundo, uma é a morte, e a outra é que o time merengue se encontrará com os Sky Blues nas oitavas de final da Liga dos Campeões.
O City é o clube inglês que mais enfrentou o Real Madrid na história: estamos falando de 15 confrontos, com leve vantagem para os espanhóis, seis vitórias merengues, quatro empates e cinco triunfos dos ingleses. Em mata-matas de Champions, o equilíbrio é tenso, mas o Madrid leva vantagem: quatro classificações contra duas dos cityzens (em 2020 e 2023).
E o mais curioso: será a quinta temporada consecutiva em que os dois se enfrentam em eliminatórias. É praticamente um dérbi continental. Nas últimas quatro, o Real avançou em três. O Bernabéu, aliás, já foi palco de mais um capítulo recente dessa novela, com vitória inglesa por 2 a 1 na fase de liga, um recado de que o City também sabe jogar fora de casa.
Na temporada passada, o time de Carlo Ancelotti eliminou o City vencendo no Etihad por 3 a 2 e depois confirmando no Santiago Bernabéu com um 3 a 1 que teve hat-trick de Kylian Mbappé. Em 2023-24, o roteiro foi ainda mais dramático: 3 a 3 em Madrid, 1 a 1 em Manchester e classificação espanhola nos pênaltis. No fim, o Real levantaria mais uma taça da Champions.
Já em 2022-23, o City deu o troco com autoridade: 4 a 0 no Etihad na semifinal e, depois, o título europeu com vitória sobre a Inter de Milão por 1 a 0 na final, gol justamente de Rodri. A primeira “Orelhuda” da história do clube inglês teve a assinatura do volante que hoje volta a mudar o time.
E ninguém esquece 2021-22, quando Rodrygo marcou dois gols relâmpago no fim e levou o jogo à prorrogação, onde Karim Benzema decidiu. O Bernabéu, como sempre, servindo roteiro digno de série da Netflix.
Provável escalação e o papel de Rodri
A base do time que deve encarar o Real tem nomes conhecidos: Donnarumma; Nunes, Guéhi, Rúben Dias, O’Reilly; Rodri; Semenyo, Bernardo Silva, Foden, Doku; e Haaland.
Com Rodri como âncora, o City ganha equilíbrio. Ele dita o ritmo, fecha espaços, inicia jogadas e ainda aparece como elemento surpresa na área. É o tipo de jogador que não faz sempre o gol decisivo, embora já tenha feito, mas garante que o time esteja organizado o suficiente para sobreviver em noites grandes.
Contra o Real, isso não é detalhe. É necessidade.
Sorteio das oitavas: roteiro digno de videogame
Como se fosse combinado por algoritmo dramático, o sorteio das oitavas de final da UEFA Champions League colocou novamente Manchester City x Real Madrid frente a frente. Parece que a Europa decidiu que esses dois só podem resolver pendências em fevereiro e março.
Mas não para por aí. O chaveamento trouxe duelos pesadíssimos:
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Paris Saint-Germain x Chelsea
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Newcastle United x Barcelona
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Bodø/Glimt x Sporting CP
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Galatasaray x Liverpool
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Atalanta x Bayern de Munique
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Atlético de Madrid x Tottenham Hotspur
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Bayer Leverkusen x Arsenal
É confronto grande atrás de confronto grande. Não tem lado “fácil” da chave. É Champions raiz, daquela que a gente cancela compromisso para assistir.
E no meio de tudo isso, lá estão City e Real mais uma vez, prontos para escrever outro capítulo dessa rivalidade que já é um clássico moderno da Europa. Com Rodri em campo, o City acredita que pode mudar a história. O problema é que, do outro lado, a história costuma sorrir para o Madrid.
Foto: Reprodução/X