Michael Carrick vibra a vitória do Manchester United. Foto: Shaun Botterill/Getty Images
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Manchester United goleia em amistoso e dá pistas do futuro com Michael Carrick

O Manchester United enfim venceu pela primeira vez na pré-temporada 2026/27. Depois da derrota para o Wrexham, a equipe comandada por Michael Carrick respondeu com autoridade ao aplicar 5 a 0 sobre o Rosenborg, na Noruega. Mais do que o placar elástico, o amistoso serviu para mostrar uma identidade diferente daquela vista nos últimos meses, além de destacar jovens da base e reacender discussões sobre nomes importantes do elenco.

Ainda é cedo para tirar conclusões definitivas sobre o Manchester United. Afinal, trata-se apenas de um amistoso de preparação. Mas algumas mudanças ficaram evidentes, tanto na maneira como o United construiu suas jogadas quanto na participação de atletas que podem ganhar espaço ao longo da temporada.

Carrick começa a moldar um novo Manchester United

Quando assumiu o comando de forma interina na reta final da temporada passada, Carrick apostou em um modelo baseado em transições rápidas. A velocidade pelos lados, especialmente com Bryan Mbeumo e Patrick Dorgu, era uma das principais armas, enquanto Bruno Fernandes e Matheus Cunha eram responsáveis por acelerar os ataques.

Esse estilo deu resultado em alguns momentos, principalmente contra equipes que ofereciam espaço para contra-atacar. O problema aparecia quando o adversário recuava suas linhas e obrigava o Manchester United a controlar a posse de bola.

Contra o Rosenborg, entretanto, a sensação foi diferente.

Mesmo sem Bruno Fernandes e Matheus Cunha entre os titulares, o United mostrou mais paciência para trocar passes, circular a bola e construir jogadas com calma. O domínio territorial foi evidente durante praticamente toda a partida, algo que não era tão comum na equipe recentemente.

Naturalmente, o nível técnico do adversário precisa ser levado em consideração. Ainda assim, o Rosenborg já está em pleno andamento de sua temporada nacional e teoricamente possuía vantagem física sobre os ingleses, que estão apenas iniciando os trabalhos para 2026/27.

Mesmo assim, foi o Manchester United quem controlou completamente o ritmo do jogo.

Isso não significa que Carrick abandonará as transições rápidas. Pelo contrário. Alguns dos gols nasceram justamente em ataques velozes. A diferença é que agora a equipe parece trabalhar para ter mais alternativas quando precisar propor o jogo.

Talvez isso também ajude a explicar o interesse do clube em reforços com boa qualidade técnica no meio-campo, capazes de controlar a posse e acelerar apenas quando necessário.

Joshua Zirkzee faz sua melhor atuação em muito tempo

Entre todos os jogadores do United, ninguém chamou mais atenção do que Joshua Zirkzee.

Desde que chegou ao Old Trafford, em 2024, o atacante vive uma relação complicada com a torcida. Muitos ainda discutem qual é exatamente sua posição ideal. Como centroavante, nem sempre entrega presença de área suficiente. Como meia ofensivo, disputa espaço com Bruno Fernandes, um dos principais jogadores do elenco.

Na Noruega, porém, isso pouco importou.

Zirkzee participou diretamente de dois gols nos 60 minutos em que permaneceu em campo. Primeiro deu assistência para Shea Lacey abrir o placar. Depois marcou aquele que provavelmente foi o lance mais bonito da partida.

O holandês tabelou com Harry Amass, deixou dois marcadores para trás com dribles curtos e ainda enganou o goleiro antes de empurrar para as redes. Foi um gol daqueles que fazem qualquer torcedor levantar do sofá.

Além do momento mágico, Zirkzee também cumpriu muito bem uma função importante: serviu como ponto de apoio ofensivo. Recebeu bolas de costas, protegeu a posse e facilitou a aproximação dos companheiros.

Ainda assim, a grande dúvida permanece. Será que esse desempenho será suficiente para garantir mais minutos durante a temporada?

A tendência é que não. O ritmo do amistoso favoreceu suas características, enquanto a intensidade da Premier League costuma exigir um perfil físico diferente. Caso Benjamin Sesko realmente assuma a referência ofensiva do time, Zirkzee pode acabar sendo utilizado justamente nesse papel híbrido, aparecendo entre o ataque e o meio-campo.

Base do United volta a mostrar sua força

Poucas coisas combinam tanto com o Manchester United quanto revelar jogadores em Carrington. E o amistoso contra o Rosenborg foi mais um capítulo dessa tradição.

O primeiro destaque foi Shea Lacey. Atuando como camisa 10, o meia do United mostrou personalidade desde o início e abriu o placar com uma finalização colocada, sem chances para o goleiro. O jovem de 19 anos já havia dado pequenos sinais de seu talento anteriormente, mas desta vez teve protagonismo durante boa parte do confronto.

Depois de um período em que seu nome perdeu espaço nas conversas sobre os maiores talentos da base, Lacey voltou a lembrar por que era considerado uma das grandes promessas do clube.

Outro que aproveitou muito bem sua oportunidade foi Harry Amass.

O lateral entrou no intervalo e rapidamente participou do segundo gol ao combinar com Zirkzee. Mais tarde, apareceu novamente na área para marcar o quarto gol da equipe, demonstrando excelente leitura ofensiva. Na defesa, também apresentou segurança e qualidade na saída de bola.

Mesmo com a diretoria buscando um novo lateral-esquerdo no mercado, Amass mostrou que pode brigar por espaço como reserva imediato de Luke Shaw.

Kamason surpreende e rouba a cena

Embora os gols de Jacob Devaney e Ethan Williams tenham sido bastante comemorados, talvez o jovem mais interessante da segunda etapa tenha sido Jaydan Kamason.

O lateral-direito distribuiu duas assistências, participou constantemente das jogadas ofensivas e mostrou características pouco comuns para alguém da posição. Em vários momentos, parecia um ponta atuando pela direita, tamanha a facilidade para vencer os marcadores no um contra um.

É verdade que ainda apresentou algumas falhas de posicionamento defensivo, algo esperado para um jogador de apenas 19 anos. No entanto, seu potencial ofensivo chamou bastante atenção.

Outro detalhe importante foi a confiança demonstrada por Michael Carrick. Kamason permaneceu mais tempo em campo do que vários outros jovens que entraram durante a partida, sinal claro de que a comissão técnica observa sua evolução com bastante interesse.

E o fenômeno JJ Gabriel?

Se havia um nome que despertava enorme expectativa antes da bola rolar, esse era JJ Gabriel.

Aos apenas 15 anos, o atacante foi relacionado para viajar com o elenco principal e rapidamente virou assunto entre os torcedores, que esperavam vê-lo estrear.

Só que a estreia não aconteceu.

Gabriel permaneceu no banco durante os 90 minutos e sequer entrou em campo. A ausência naturalmente gerou questionamentos, mas dificilmente deve ser interpretada como um sinal negativo.

Antes da partida, Carrick já havia indicado que o jovem receberá oportunidades durante os próximos amistosos da pré-temporada. Ou seja, a comissão técnica parece trabalhar com cautela para evitar que toda a pressão criada em torno do garoto se transforme em um peso desnecessário.

No fim das contas, o 5 a 0 sobre o Rosenborg vale mais pelas respostas apresentadas do que pelo resultado em si. O Manchester United mostrou uma evolução coletiva, viu Joshua Zirkzee recuperar confiança, confirmou o talento de vários jogadores formados em Carrington e deu os primeiros indícios de como Michael Carrick pretende construir sua equipe para a temporada 2026/27. Se esse amistoso servirá como ponto de partida para uma nova fase dos Red Devils, apenas os próximos desafios dirão, mas os sinais iniciais certamente são animadores.

Foto: Shaun Botterill/Getty Images