A reformulação do meio-campo do Manchester United ganhou novos capítulos nos últimos dias. Se há uma semana tudo indicava que Ederson, da Atalanta, seria o primeiro reforço para a nova era de Michael Carrick, o roteiro mudou completamente.
O primeiro a desembarcar em Old Trafford foi Andrey Santos, contratado junto ao Chelsea. Apenas um dia depois, o brasileiro ganhou companhia: Youri Tielemans também foi anunciado e passou a integrar o novo projeto dos Red Devils.
Com isso, Carrick passa a contar com um grupo formado por Bruno Fernandes, Kobbie Mainoo, Mason Mount, Andrey Santos e Tielemans. O setor ganhou qualidade e diferentes características, mas a sensação dentro do clube é de que ainda falta uma peça para completar o quebra-cabeça.
O que o novo meio-campo do United oferece?

Os protagonistas seguem conhecidos. Bruno Fernandes continua sendo o cérebro criativo da equipe. É quem acelera o jogo, encontra passes improváveis e dita o ritmo ofensivo. Já Kobbie Mainoo representa a ligação entre defesa e ataque, conduzindo a bola com inteligência e oferecendo fluidez à saída de jogo.
Mason Mount, por sua vez, ainda busca afirmação em Old Trafford. Apesar de nunca ter conseguido sequência desde que chegou ao clube, segue sendo um jogador importante pela intensidade na pressão, movimentação constante e capacidade de atacar os espaços.
As novidades trazem outro perfil. Andrey Santos chega para reforçar a proteção defensiva. Durante a última temporada da Premier League, destacou-se pela eficiência nos desarmes, duelos individuais e recuperação de posse. Não é apenas um volante marcador: também entrega qualidade na circulação da bola e consegue acelerar a transição ofensiva.
Já Youri Tielemans surpreendeu por fugir do perfil inicialmente buscado pelo United. Enquanto Ederson era visto como um volante de características mais físicas, o belga oferece construção, visão de jogo e capacidade de quebrar linhas com passes verticais.
Na última Premier League, inclusive, nenhum jogador executou mais passes rompendo linhas defensivas do que Tielemans — superando até Bruno Fernandes nesse quesito.
Além da qualidade com a bola, o belga também entrega competitividade sem ela. Sua média de desarmes por partida foi superior à de Andrey Santos, formando uma dupla que pode oferecer equilíbrio entre construção e recuperação da posse.
Ainda falta intensidade

Mesmo com os reforços, existe um ponto que ainda preocupa o departamento de futebol: a capacidade física do setor.
Os números de distância percorrida por jogo mostram que nenhum dos atuais meio-campistas do United está entre os atletas mais intensos da Premier League.
Mainoo foi o melhor do elenco no quesito, com média de 11,9 quilômetros por partida, enquanto Andrey Santos registrou 11,5 km, Bruno Fernandes 11,3 km e Tielemans 11,1 km.
Embora todos apresentem índices superiores aos de Casemiro na última temporada, o brasileiro compensava a menor mobilidade com posicionamento e leitura de jogo acima da média.
Sem um volante desse perfil, a tendência é que Carrick procure um jogador capaz de cobrir grandes espaços e dar mais energia ao meio-campo.
Quem pode completar o setor?
Diversos nomes seguem ligados ao Manchester United. Entre eles aparecem João Gomes, do Wolverhampton, Carlos Baleba, do Brighton, e Alex Scott, do Bournemouth.
João Gomes se destaca pela agressividade defensiva. Foi um dos líderes da Premier League em desarmes e recuperações de bola no campo defensivo. Baleba também chama atenção pela capacidade de interceptação, embora ambos não estejam entre os meio-campistas que mais percorrem distância durante os jogos.
Alex Scott surge como uma alternativa mais dinâmica. Além de boa intensidade física, participa da construção ofensiva e oferece versatilidade, mas seus números defensivos ainda ficam abaixo dos principais especialistas da posição.
Outros nomes observados anteriormente pelo clube incluem Manu Koné, Ayyoub Bouaddi e até um possível retorno às negociações por Ederson, caso os valores se tornem mais acessíveis.
James Garner aparece como opção interessante

Há, porém, um nome que ganha força nos bastidores e reúne características muito próximas do que Carrick procura: James Garner.
Revelado pelo próprio Manchester United e atualmente no Everton, o volante vive a melhor fase da carreira. Na última edição da Premier League, foi o jogador que mais percorreu distância entre todos os atletas da competição.
Além disso, figurou entre os líderes em desarmes, interceptações e recuperações de posse no campo defensivo — exatamente os indicadores que o United busca reforçar.
Uma eventual volta de Garner talvez não tenha o impacto midiático de outros nomes do mercado. Ainda assim, do ponto de vista tático, poucos jogadores parecem preencher tão bem as lacunas que ainda existem no novo meio-campo de Michael Carrick.
Com Andrey Santos e Tielemans, o Manchester United deu passos importantes na reconstrução do setor. Mas, para alcançar o equilíbrio ideal entre técnica, intensidade e proteção defensiva, a diretoria ainda parece determinada a buscar mais um reforço antes do fechamento da janela.
Créditos da foto de capa: Reprodução/Manchester United FC



