Manchester United, Premier League. Foto: Reprodução/Manchester United FC via site oficial.
Futebol Premier League

Manchester United: entre velhos hábitos e novas ideias, o que a derrota para o Hull City revela?

A derrota por 2 a 0 para o Hull City na estreia da Premier League foi apenas a nona do Manchester United em 35 temporadas da era moderna do torneio. No entanto, dessa vez, o revés teve um sabor ainda mais amargo, pelo fato de os Red Devils perderem pela primeira vez na rodada inicial para uma equipe recém-promovida.

De certo, não foi agradável para a equipe de Michael Carrick, principalmente por ter sido uma atuação muito ruim em termos de produção ofensiva. Todos os gols sofridos ocorreram no primeiro tempo, sendo que os dois vieram por meio de jogadas de bola parada. Na segunda etapa, o United melhorou, mas insuficiente para furar o bloqueio dos Tigers.

Os principais problemas

Apesar de o placar nos induzir a ser uma vitória contundente, na prática não foi bem assim. Os dois gols contradizem a performance muito comedida do Hull City em casa. Os mandantes ameaçaram pouco, enquanto os visitantes criaram chances, mas pecaram nas conclusões.

Mas, esse não é, de fato, o que mais chama atenção. Os dois tentos deram ao Hull City mais perigo de gol (xG ou ‘expected goals’) em momentos de bolas paradas, como escanteios e cobranças de falta. Com bola rolando não — e, nesse aspecto, quem teve mais expected goals foi o Manchester United.

Essa foi mais uma evidência de que as bolas paradas continuam sendo muito eficazes na Premier League. Mas não foi só isso que ficou provado no jogo no MKM Stadium. Ganhar divididas também foi o outro trunfo do Hull para vencer o duelo.

A dita “querência” dos Tigers foi maior. Por isso, esteve nítido nas estatísticas gerais do certame de que o time da casa venceu a maior parte dos duelos no chão e no ar. Sendo assim, além de fazer valer mando de campo, o Hull City venceu nos detalhes da partida.

O retorno de Rashford e um apagado Sesko

O empréstimo para o Barcelona na temporada passada pareceu renovar os ânimos de Marcus Rashford. Um desempenho satisfatório com a camisa blaugrana, porém, não foi suficiente para que a diretoria catalã adquirisse seu passe.

De volta ao Manchester United, Rashford teve uma atuação sem muitos brilhantismos, embora tenha sido um dos mais voluntariosos em campo, contra o Hull. Foi um fato: o time comportou-se melhor com o novo camisa 9 do que sem ele. Diferentemente de Sesko, que mal teve impacto ofensivo.

Mesmo oscilante na temporada de estreia, em razão de estar em período de adaptação, Benjamim Sesko anotou 11 gols na Premier League. Seu condicionamento físico, em função de lesões sofridas, o prejudicou em ter uma boa sequência como titular anteriormente. Esse foi o motivo para que ele estivesse ausente durante a pré-temporada do Manchester United.

O esloveno entrou em campo contra o Hull, saindo do banco e atuando por apenas 23 minutos. Foi sua primeira ação em quatro meses, o que dificilmente o traria ao seu ápice. Mesmo com os Red Devils melhor, Sesko teve poucos toques na bola (6), perdeu mais do que ganhou duelo e não chutou a gol.

Vai demorar para o Manchester United engrenar?

Michael Carrick, Manchester United. Foto: Reprodução/Manchester United FC via site oficial.
Michael Carrick, Manchester United. Foto: Reprodução/Manchester United FC via site oficial.

 

Sob o comando de Michael Carrick, ex-jogador do clube, o Manchester United teve uma recuperação seguida de uma exibição convincente no restante do calendário, ficando em 3° lugar na Premier League. O que resultou numa classificação para a Champions League de forma segura.

Só que, durante a pré-temporada, ficou evidente que os Red Devils tinham problemas na saída de jogo. Anteriormente, o time era comandado por Ruben Amorim, técnico oriundo de uma escola completamente diferente, em termos de filosofia, da Premier League.

Um torneio muito mais dinâmico, físico e intenso, que o obriga a ser rápido nos movimentos e jogar progressivamente. Dentro disso, Amorim seguia uma linha de pensamento de atrair seu adversário para um bote e atacar as costas dele, algo que não condiz muito com os times da Premier League. O problema é que os jogadores do United se acostumaram com essa ideia de jogo e terão que abandonar os velhos valores se quiserem jogar melhor e serem adeptos das táticas de Carrick.

Enquanto o atual treinador pede velocidade e objetividade, o antigo pregava pelo comedimento e paciência para sair. Ideias opostas, time claramente perdido.

Com o Hull City estando dois gols de vantagem, o trabalho para se recuperar no jogo teve de ser redobrado e dificilmente de ser feito. O mais lógico aconteceu: derrota e dificuldades para furar o bloqueio do Hull.

Os Tigers se fecharam e deixaram a bola com o oponente. O United, sem um driblador de ofício, mal infiltrou a grande área, pois estava sem um repertório de uma peça “abridora de latas”.

Próximos compromissos das equipes
  • Stoke City x Hull City – 25/08, 15h45 (de Brasília) – Copa da Liga
  • Manchester United x Ipswich Town – 30/08, 12h30 (de Brasília) – Premier League

Créditos da foto de capa: Reprodução/Manchester United FC via site oficial.