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Futebol Premier League

Manchester United quer voltar às raízes e Torpey lidera plano para transformar base na melhor do mundo

O Manchester United não é só um gigante dentro de campo, ele também construiu sua história com aquilo que vem de casa. E quando falamos de base, poucos clubes no mundo têm um currículo tão pesado. Dos lendários “Busby Babes” até a icônica geração de 92, com nomes como David Beckham, Paul Scholes e Ryan Giggs, o clube sempre fez questão de mostrar que revelar talento não é plano B, é simplesmente identidade.

E é exatamente nisso que entra Stephen Torpey.

Contratado em agosto de 2025 após uma passagem pelo Brentford, o diretor da academia chegou com uma missão nada simples: fazer do United, novamente, a referência número um do futebol mundial quando o assunto é formação de jogadores. Sem pressão, né?

Mas, curiosamente, o cenário atual mistura boas notícias com alguns sinais de alerta.

Dentro de campo, a base vem entregando. Os times sub-18 e sub-21 estão brigando na parte de cima das competições nacionais, além de campanhas sólidas em torneios eliminatórios, incluindo a tradicional FA Youth Cup. Ou seja, talento tem. E bastante. Só que nem tudo está redondo.

Em outubro, o coproprietário Jim Ratcliffe soltou uma declaração que caiu como uma bomba: segundo ele, os padrões da academia “caíram bastante”. Em um clube que se orgulha de ter um jogador formado em casa em cada elenco desde 1937, isso não é só crítica, é quase uma provocação histórica.

Torpey, por sua vez, preferiu um caminho mais diplomático. Para ele, o problema não está necessariamente no talento, mas sim na estrutura. Enquanto o time principal e o futebol feminino passaram por reformas pesadas no centro de treinamento de Carrington, a base acabou ficando um pouco para trás.

A explicação veio com uma analogia simples: é como reformar a sala de casa e deixar o quarto antigo. Funciona, mas a diferença incomoda. A boa notícia? Já existe um plano para modernizar tudo. A má notícia? Isso leva tempo e, no futebol atual, tempo é luxo.

Mas se você acha que o projeto do Manchester United de Torpey se resume a tijolo, concreto e gramado sintético, pode esquecer. O buraco é mais embaixo e passa, principalmente, pela forma como os jovens são tratados.

Não é sobre criar robôs no Manchester United

Se antes o controle era quase militar, basta lembrar que Alex Ferguson evitava ao máximo a exposição de jovens como Giggs, mas hoje o cenário é completamente diferente no Manchester United e no mundo deste esporte. Redes sociais fazem parte da rotina até de quem ainda nem tirou carteira de motorista.

E aí entra uma visão interessante de Torpey: não adianta tentar controlar tudo. Segundo ele, o objetivo não é criar jogadores “perfeitos” no papel, mas sim pessoas reais, com personalidade. Claro, com orientação, mas sem sufocar.

E faz sentido. Hoje, um garoto de 15 anos pode ter mais seguidores que muito jogador profissional. A pressão começa cedo e, muitas vezes, sem necessidade. Torpey até ironiza essa cultura: parece que, se o moleque não posta foto com emoji de foguinho ou “baller”, já não presta. Só que, na prática, ninguém sabe quem vai dar certo aos 17, 18 anos.

JJ Gabriel e a nova geração que empolga

Falando em hype… impossível não citar JJ Gabriel.

O atacante da base do Manchester United de apenas 15 anos é simplesmente o artilheiro das ligas sub-18 e vem empilhando gols com uma naturalidade assustadora. São números que chamam atenção e não só dentro da Inglaterra. Gigantes europeus já estão de olho.

Mas aqui entra o freio de mão puxado pelo clube. Internamente, existe preocupação com a adaptação física do jogador ao nível profissional. Ele ainda é considerado pequeno para os padrões mais altos do futebol, o que explica, por exemplo, sua ausência em convocações mais “adiantadas”.

E isso não é demérito. Muito pelo contrário. É planejamento. Porque, como o próprio Torpey destacou, é muito mais fácil estragar um talento do que desenvolvê-lo. E o United parece ter aprendido (ou reaprendido) essa lição.

Muito além de um nome

Gabriel é só a ponta do iceberg deste futuro do Manchester United. Outros nomes já começam a aparecer no radar do torcedor, como Shea Lacey, que já teve minutos no time principal, e os gêmeos Jack Fletcher e Tyler Fletcher, que também deram seus primeiros passos entre os profissionais.

Mais abaixo, jogadores como Dan Armer, Jim Thwaites e Bendito Mantato mostram que a famosa “esteira de talentos” continua funcionando.

E esse talvez seja o ponto mais importante: o United não parou de produzir jogadores. Só precisa ajustar o caminho entre a base e o time principal.

O desafio: voltar a ser referência

No fim das contas, o projeto de Torpey é ambicioso e necessário.

O Manchester United quer voltar a ser aquele clube que não só compra estrelas, mas as cria. Que revela jogadores que entendem o peso da camisa antes mesmo de estrear no profissional. E isso, convenhamos, não se constrói só com dinheiro. Se o plano vai dar certo? Ainda é cedo para dizer.

Mas uma coisa é clara: quando o United acerta na base, o impacto vai muito além de títulos. Vira história. Vira identidade. Vira legado. E, se depender de Torpey, essa próxima geração já está sendo preparada para isso.

Foto: Getty Images