Luka Modric não precisou de muito tempo para conquistar a Itália. Mesmo com 40 anos e cercado por dúvidas quando chegou ao Milan no último verão europeu, o craque croata calou qualquer cético e virou protagonista absoluto da atual temporada da Serie A. Seu talento, sua visão de jogo e sua classe em campo não impressionaram apenas os torcedores rossoneri e o técnico Massimiliano Allegri — que já o chamou de “um espetáculo para os olhos” —, mas também um dos principais dirigentes do rival Inter de Milão.
Giuseppe Marotta, presidente do clube nerazzurro, não poupou elogios a Modric durante a apresentação do livro “Il calcio del futuro, tra intelligenza artificiale e azioni sostenibili”, em Milão. Mesmo comandando o time que disputa diretamente o título com o Milan, o dirigente deixou o clubismo de lado para reconhecer a importância de ter um jogador desse nível atuando na Itália.
“Um comercial para o futebol italiano”
“Eu vejo em Modric um verdadeiro símbolo positivo para o futebol italiano”, afirmou Marotta, visivelmente encantado com o veterano. “Nossos filhos e netos se apaixonam vendo um jogador assim. Eles querem imitá-lo nos treinos, tentar repetir o que ele faz em campo. O futebol italiano está em um momento de transição, já não é mais o paraíso que era nos anos 2000, quando tínhamos o melhor ranking e dominávamos a Europa. Mas ter jogadores como Modric ajuda a reacender o encanto pelo nosso campeonato.”
As palavras do presidente da Inter ganharam repercussão imediata na imprensa italiana, que destacou o tom sincero e admirado de Marotta. Em tempos em que o Calcio busca se reinventar, ter um jogador do calibre de Modric em campo é um privilégio que transcende rivalidades. O meia, campeão de praticamente tudo pelo Real Madrid, trouxe não apenas experiência, mas também um toque de genialidade que tem elevado o nível técnico da Serie A.
O impacto em de Modric campo: números de um craque eterno
Aos 40 anos, Modric continua jogando como se tivesse 25. De acordo com dados da Opta, o croata é o líder em passes certos do Milan nesta temporada, com 300 acertos — e também lidera em passes realizados no campo adversário (169). Sua precisão e leitura de jogo têm sido fundamentais para a fluidez ofensiva do time, que reencontrou equilíbrio e criatividade desde sua chegada.
Mas o talento de Modric não se limita à construção de jogadas. Ele também se destaca na parte defensiva, algo muitas vezes ignorado ao longo da carreira. São 31 recuperações de bola e 10 interceptações até o momento, o que mostra que, além de pensar o jogo, o camisa 10 também sabe desmontar o adversário. Um dado ainda mais impressionante é o número de passes que quebram linhas defensivas — 46 —, confirmando sua habilidade em abrir espaços mesmo nas defesas mais fechadas.
De Madrid a Milão, a magia não envelhece
Quando Modric se despediu do Real Madrid, muita gente achou que seria o início do fim. Afinal, poucos jogadores conseguem manter o nível de elite depois dos 40. Mas o croata, conhecido por seu profissionalismo exemplar, contrariou as expectativas. Ele chegou ao Milan em forma física impecável, rapidamente se adaptou ao sistema de Allegri e virou uma das vozes de liderança do vestiário.
Sua influência vai muito além do campo. Jovens como Tijjani Reijnders, Yacine Adli e até Rafael Leão têm elogiado o modo como Modric compartilha experiência e cobra intensidade nos treinos. É um exemplo vivo do que significa ser um “campeão total” — termo usado pelo próprio Marotta para defini-lo. “Hoje, na Serie A, temos um jogador que é um verdadeiro campeão, e esse jogador é Luka Modric. Mesmo com 40 anos, ele mostra que talento e paixão não envelhecem”, declarou o presidente da Inter.
Um ídolo que inspira gerações
O efeito Modric vai além do Milan. Sua chegada à Serie A reacendeu o interesse de muitos jovens torcedores e trouxe um novo brilho ao campeonato. Nas redes sociais, vídeos de suas jogadas, passes milimétricos e dribles elegantes viralizam semanalmente. O croata virou uma espécie de “embaixador involuntário” do futebol italiano moderno, combinando experiência, classe e inteligência de jogo.
Em um cenário onde muitos craques preferem se aposentar em ligas menos competitivas, Modric escolheu o caminho mais difícil — e mais nobre: continuar desafiando a si mesmo em alto nível. Como bem resumiu Marotta, ele é “um comercial vivo do futebol italiano”. E, pelo visto, ainda há muito espetáculo por vir dos pés do eterno maestro de Zadar.