Mastantuono estrela Yamal
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Mastantuono: o nascimento de um ídolo no Real Madrid e na Argentina

O meia-atacante Franco Mastantuono chegou ao Real Madrid carregando um peso que muitos da sua idade não aguentariam. Com apenas 18 anos, ele sabia que cada minuto em campo poderia definir seu futuro. Diferente de outras promessas, que costumam iniciar no Castilla (o time B), Mastantuono recebeu um voto de confiança direto do técnico Xabi Alonso, e não decepcionou. Foram apenas 28 minutos em campo, mas o suficiente para conquistar torcedores, comissão técnica e até quem apenas assistia curioso.

Sua estreia não veio no momento mais tranquilo. O Real ainda busca se adaptar ao novo treinador, e o clima de pressão era evidente. Mesmo assim, o argentino não se abalou. Entrou com calma, sem tentar resolver tudo em uma jogada, sem forçar a barra. Não se apressou para mostrar serviço, apenas deixou o futebol fluir, no seu tempo, do seu jeito, como se já estivesse em casa. E isso, para um garoto com quatro treinos no clube, é coisa de gente grande.

Mastantuono não fez gol, nem deu assistência, mas deixou uma marca. A torcida percebeu isso, e fez questão de mostrar. Os gritos de “Franco, Franco, Franco” ecoaram no estádio, enquanto ele se soltava a cada toque na bola. Sua perna esquerda parecia ter vivido ali por anos, com entrosamento que não se explica, só se sente. E ele sentiu. O Real Madrid também.

Mastantuono com espaço para se infiltrar

Mastantuono
Foto: Divulgação/Real Madrid

 

Antes mesmo de entrar em campo, a situação para Mastantuono parecia difícil. Afinal, o elenco já tem nomes como Rodrygo, Arda Güler, Brahim Díaz, entre outros. Mas o cenário começou a virar a seu favor. O turco Güler vem sendo testado mais recuado, numa função que tira ele da disputa direta com o argentino. Rodrygo, por sua vez, vive um momento instável, cercado de rumores de saída. Já Brahim teve a mesma oportunidade que Mastantuono e… ficou devendo.

Essa diferença na primeira impressão pode ser decisiva. O argentino mostrou força física, inteligência para se posicionar, técnica apurada, e talvez o mais importante: coragem para vestir a camisa mais pesada do mundo sem tremer.

Vale lembrar que Mastantuono foi criado no River Plate, um dos clubes mais exigentes do continente. Lá, aprendeu a importância da responsabilidade, do respeito, do esforço coletivo e da pressão constante por desempenho, dentro e fora de campo. O Real Madrid pagou 45 milhões de euros por ele, valor que causou incômodo no River, já que o garoto sequer teve tempo de atingir seu ápice com a camisa do clube argentino.

A torcida dos Millonarios lamentou profundamente não ter visto Mastantuono brilhar por completo no Monumental. O clube não teve forças para segurar a investida do Real, que chegou com a maleta cheia. Agora, o jogador começa a escrever sua história em outro cenário e parece estar fazendo tudo certo para se tornar um personagem marcante no futebol espanhol e mundial.

Na Argentina, já se fala com carinho, e expectativa sobre seu nome nas convocações futuras da seleção principal. Ele é figurinha carimbada nas categorias de base, mas com o desempenho que vem mostrando, o salto pode chegar mais cedo do que o esperado.

Não dá para cravar que ele será o novo ídolo merengue. Mas os sinais são fortes. O talento está lá, a personalidade também. Se tiver sequência, espaço e seguir com essa maturidade absurda para a idade, Mastantuono tem tudo para ser mais um argentino a brilhar com a camisa branca, e fazer história não só em Madri, mas também com a camisa da Albiceleste.

Então, se ainda restava dúvida: sim, é bom ficar de olho nele. Simplesmente, Franco Mastantuono.

Foto: JAVIER GANDUL