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Mateta, o joelho e um verão decisivo: a novela que mexe com o Crystal Palace

Jean-Philippe Mateta vive um daqueles momentos em que a carreira parece entrar num cruzamento perigoso, e no caso, nenhuma das placas indica um caminho totalmente confortável. O atacante do Crystal Palace, que vinha costurando nos bastidores uma mudança importante para o futebol italiano, viu seu sonho de vestir a camisa do Milan ruir na última curva da janela de inverno. O motivo? Um velho conhecido: o joelho.

A transferência para o time rossonero, avaliada em cerca de £26 milhões, caiu após os exames médicos apontarem problemas na articulação do francês. Não houve clima de ruptura entre os clubes. O Palace foi transparente desde o início e enviou os registros médicos do jogador para a Itália antes mesmo das negociações entrarem na fase final. Ainda assim, o alerta vermelho acendeu, tanto para o momento, quanto para o futuro.

Por que o Milan desistiu de Mateta?

Ciente da situação clínica de Mateta, o Milan optou por cautela máxima. Além de analisar os exames enviados pelo Crystal Palace, o clube italiano mandou seu próprio médico a Londres para uma avaliação mais detalhada. Após a inspeção, os rossoneros decidiram não seguir com o acordo. Para uma equipe que precisa de soluções imediatas, entrar nesse barco no meio de uma maré complicada, é pedir para sofrer.

A Juventus, que mantém interesse antigo no atacante francês, também monitorou o desfecho da negociação e chegou a avaliar um movimento tardio, na intenção de não permitir que os Eagles sofram tanto com o melar das conversas, mas também, poderiam pechinchar os valores. No entanto, o problema no joelho afastou os bianconeri da mesa de negociações. Nenhuma proposta oficial foi feita.

No fim das contas, o mercado falou mais alto: sem segurança médica, o risco era alto demais.

O que pouca gente sabia, ou fingia não saber é que Mateta já convivia com dores no joelho desde novembro. Nos últimos meses, ele tem atuado no famoso “modo sobrevivência”, com o departamento médico do Palace administrando a situação jogo a jogo. Algo que fica muito difícil de encontrar sentido.

Não se trata de uma lesão recente ou pontual, mas de um problema crônico que exige atenção. A queda da transferência apenas jogou luz sobre algo que já vinha sendo tratado internamente com cautela, levantando muitas dúvidas sobre o que o clube inglês almejava, e ainda mais, o jogador.

Cirurgia ou Mundial? A decisão que pode definir a carreira

Agora, Mateta se vê diante de uma escolha complicada. O atacante vai se reunir com um especialista para discutir a possibilidade de cirurgia, algo que poderia resolver o problema de forma definitiva, mas que também o deixaria fora de combate por alguns meses. E essa última questão, é capaz de jogar um balde de água fria em tudo o que 2026 acaba representando.

O timing é cruel. Aos 28 anos, o francês sonha em estar na Copa do Mundo deste verão defendendo a seleção da França. Operar agora pode significar perder ritmo, espaço e até a chance de ser convocado, permitindo apenas que a próxima oportunidade apareça quando chegar aos 32 anos, se surgir. Seguir jogando com dor, por outro lado, é uma aposta arriscada com o próprio corpo.

A decisão será tomada em conjunto com o Crystal Palace, equilibrando saúde, desempenho e ambições pessoais.

Frustração, redes sociais e saída anunciada

A frustração com o desfecho da janela foi visível. Mateta ficou devastado com o colapso da transferência e deu sinais públicos de insatisfação ao deixar de seguir o Crystal Palace nas redes sociais e postar um emoji de cansaço. O francês viu Michael Olise ir para o Bayern de Munique, Eberechi Eze em direção ao Arsenal, e recentemente, contou com a saída de Marc Guehi para o Manchester City.

Com apenas 18 meses restantes de contrato, a tendência é clara: independentemente da cirurgia, o francês deve deixar Selhurst Park no próximo verão europeu. A dúvida agora é em que condições físicas e emocionais, ele chegará ao mercado.

Sua presença no clássico contra o Brighton, no domingo, ainda é incerta, não se sabe ao certo quais serão os próximos passos do atacante, que ainda deve estar buscando um chão para si. Resta saber se Mateta estará em condições de ajudar Oliver Glasner ou se a cabeça já está em outro lugar.

Caso Mateta fique fora, o Palace pode promover a estreia de Jorgen Strand Larsen, contratação mais cara da história do clube. O norueguês chegou do Wolves por £48 milhões no último dia da janela de transferências e já carrega a expectativa de quem chega com status de protagonista.

Além dele, Evann Guessand surge como alternativa interessante. Emprestado pelo Aston Villa, com obrigação de compra avaliada em £28 milhões caso metas sejam atingidas, o marfinense foi peça ativa na negociação e demonstrou forte desejo de defender o Palace.

Versátil, Guessand pode atuar em diferentes funções no ataque e agrada à comissão técnica pela capacidade de adaptação a diferentes sistemas.

Um Deadline Day caótico fora das quatro linhas

Nem tudo deu certo nos bastidores do clube. A negociação por Dwight McNeil, do Everton, ruiu nos minutos finais da janela. O acordo, que poderia chegar a £20 milhões, esbarrou em entraves na estrutura de pagamento e na falta de tempo para finalizar a documentação. Permitindo que Mateta não fosse o único a ver seu desejo não ser atendido no final das contas.

A repercussão foi pesada, especialmente após a parceira de McNeil criticar publicamente o Palace nas redes sociais, citando o impacto emocional do colapso do negócio. Internamente, o clube afirma que sempre deixou claros os riscos envolvidos na operação.

Entre lesões, frustrações e apostas de mercado, o Crystal Palace entra em um período decisivo, principalmente por saber que Glasner não continuará no cargo na próxima temporada. Para Mateta, especialmente, o próximo passo pode redefinir não apenas a próxima temporada, mas toda a trajetória profissional.

Foto: ADRIAN DENNIS / AFP