Matheus Cunha
Futebol Premier League

Matheus Cunha no Manchester United: encaixe ideal com Rúben Amorim, mas risco para ambas as partes

A iminente contratação de Matheus Cunha pelo Manchester United, em um negócio que deve superar as 60 milhões de libras, sinaliza uma tentativa clara de reconstrução do clube sob um novo comando técnico. Com a chegada de Rúben Amorim, os Red Devils estão moldando uma nova identidade de jogo, e Cunha pode ser uma peça estratégica nesse plano. No entanto, embora o encaixe tático pareça promissor, o histórico do jogador e o ambiente instável do United acendem alertas importantes.

Rúben Amorim é conhecido por sua preferência por um sistema tático baseado no 3-4-2-1, com dois meias ofensivos que flutuam por trás do centroavante, pressionam alto e atacam os espaços com intensidade. Em seu modelo, não há espaço para meias que apenas cadenciam o jogo. Ele quer movimentação, agressividade e versatilidade, e é aí que Matheus Cunha entra como uma peça-chave.

Durante sua passagem pelo Wolverhampton, o brasileiro provou ser um atacante multifuncional. Atuando tanto como centroavante móvel quanto como segundo atacante, Cunha cresceu ao lado de Marshall Munetsi e Jorgen Strand Larsen, se destacando por sua capacidade de condução em velocidade, leitura de espaços e presença física. Sob o comando de Vitor Pereira, Cunha joga no mesmo esquema que jogaria com Amorim: um meia ofensivo numa formação “árvore de natal”.

No United, Cunha pode ser exatamente o que o treinador busca para potencializar Bruno Fernandes, liberando o português para agir mais como organizador e finalizador, enquanto Cunha arrasta defensores, pressiona na saída e invade o espaço entre linhas. A dupla pode se complementar, com Bruno no controle do passe e Cunha no dinamismo do ataque.

Outro ponto a favor da contratação é o fato de Cunha já estar adaptado ao futebol inglês. A Premier League é, sabidamente, a liga mais intensa do mundo, e a adaptação física e mental costuma ser um obstáculo para novos contratados. Cunha, no entanto, já conhece o ritmo, o tipo de marcação, os zagueiros mais duros e os espaços reduzidos.

Essa familiaridade com o campeonato evita uma curva de adaptação longa e permite que Amorim conte com uma peça confiável já nas primeiras rodadas da temporada 2025–26. Em um time que ainda luta para encontrar uma identidade sólida, isso não é pouco.

O risco de repetir erros do passado

Por outro lado, há uma grande interrogação que paira sobre a cabeça de Matheus Cunha, e ela tem a ver com seu desempenho em clubes de maior expressão. No Atlético de Madrid, o atacante nunca se firmou. Sob o comando de Diego Simeone, mostrou lampejos, mas não teve sequência, e sua tomada de decisão em momentos decisivos ainda é uma lacuna perceptível.

O Manchester United, mesmo com o prestígio da camisa, tem sido um cemitério de talentos ofensivos nos últimos anos. Nomes como Jadon Sancho, Antony, Donny van de Beek, e até Rasmus Højlund, em determinado momento, chegaram com expectativa e não conseguiram se desenvolver no ambiente conturbado de Old Trafford.

É um clube em transição permanente, com crises internas, pressão midiática constante e torcedores impacientes. Para Cunha, esse é o maior risco: sair de um contexto em que era protagonista em um sistema mais reativo, com menos holofotes, para tentar render sob os olhos do mundo, em um gigante europeu em busca de redenção. Além disso, é um investimento alto. 62 milhões de libras é uma quantia que pressiona qualquer jogador, ainda mais um com trajetória de altos e baixos.

Amorim será o diferencial para Matheus Cunha?

A esperança do United é que Rúben Amorim possa criar um sistema funcional e blindado o suficiente para proteger jogadores como Cunha, oferecendo clareza tática e uma cultura de trabalho definida, algo que faltou com Ten Hag, Solskjaer e tantos outros. O treinador português tem histórico de fazer jogadores crescerem sob sua orientação, como provou no Sporting com nomes como Pedro Gonçalves, Viktor Gyokeres e Ugarte, que voltou a ser seu jogador no United.

Se conseguir repetir essa fórmula, há um caminho para Matheus Cunha finalmente se firmar em um clube de primeira linha. O encaixe tático existe. A oportunidade é real. Mas o ambiente do United continua sendo o maior obstáculo.

(Foto: Ryan Pierse/Getty Images)