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Mbappé faz história, mas a Bola de Ouro ainda escapa: o que falta para o francês?

Kylian Mbappé já alcançou um patamar reservado para poucos jogadores na história do futebol. Aos 27 anos, o atacante soma números impressionantes, que o colocam entre os maiores goleadores de sua geração e o fazem quebrar recordes tanto por clubes quanto pela seleção francesa. Ainda assim, uma discussão continua cercando sua carreira: por que um jogador com estatísticas tão extraordinárias ainda não conquistou a Bola de Ouro?

A resposta não é simples. Ao longo dos últimos anos, Mbappé acumulou atuações decisivas, títulos nacionais e campanhas históricas em Copas do Mundo, mas acabou vendo outros jogadores receberem o prêmio individual mais prestigiado do futebol. A temporada 2026 voltou a levantar esse debate. Mesmo sendo um dos principais destaques da Copa do Mundo e mantendo um excelente desempenho individual pelo Real Madrid, o francês terminou mais uma temporada sem conquistar os títulos coletivos mais importantes.

Essa situação faz surgir uma discussão interessante sobre os critérios utilizados para definir o melhor jogador do mundo. Afinal, números individuais são suficientes ou os títulos conquistados continuam sendo o fator determinante?

Números colocam Mbappé entre os maiores da história

Mbappé - França
Créditos da foto: Getty Images.

Poucos atletas conseguiram transformar expectativa em realidade da maneira como Mbappé fez. Desde sua explosão no Monaco, passando pelo PSG e agora no Real Madrid, o atacante construiu uma carreira marcada por regularidade e eficiência ofensiva.

Os números ajudam a explicar esse impacto. Somando clubes e seleção francesa, Mbappé já ultrapassou a marca de 430 gols na carreira, além de registrar mais de 180 assistências. Sua média superior a 0,75 gol por partida o coloca em um nível comparável ao de Cristiano Ronaldo durante boa parte da carreira do português.

Na Copa do Mundo, o desempenho é ainda mais impressionante. Mbappé tornou-se o maior artilheiro da história da competição, superando nomes históricos do futebol mundial. Além disso, conquistou duas Chuteiras de Ouro do torneio e voltou a ser protagonista em mais uma edição do Mundial, encerrando a competição com dez gols e quatro assistências.

Esses números mostram que seu rendimento individual dificilmente pode ser questionado.

Na UEFA Champions League, o francês também mantém regularidade. Terminou duas temporadas como artilheiro da competição e segue sendo um dos atacantes mais decisivos da Europa. Mesmo assim, o principal título continental ainda não chegou.

Essa ausência pesa quando se observa o histórico recente da Bola de Ouro. Em praticamente todas as últimas edições, os vencedores combinaram grandes atuações individuais com conquistas coletivas relevantes.

Foi exatamente isso que aconteceu com Ousmane Dembélé, vencedor da edição mais recente após liderar o PSG na campanha do título europeu.

A falta de grandes títulos coletivos pesa na disputa pela Bola de Ouro

Mbappé - Real Madrid

Apesar dos números impressionantes, Mbappé vive uma situação curiosa.

Desde a conquista da Copa do Mundo de 2018, a França sempre chegou como uma das favoritas aos grandes torneios, mas não conseguiu repetir aquele sucesso. No Real Madrid, a expectativa também era enorme desde sua chegada, porém o clube atravessou uma temporada decepcionante, ficando sem conquistar os principais títulos.

Esse contexto influencia diretamente a disputa pela Bola de Ouro.

Historicamente, o prêmio costuma valorizar jogadores que conseguem aliar desempenho individual e conquistas coletivas. Em muitos casos, levantar a UEFA Champions League ou vencer uma Copa do Mundo acaba funcionando como fator decisivo.

Foi assim com Luka Modrić em 2018, quando conquistou a Liga dos Campeões pelo Real Madrid e levou a Croácia à final da Copa do Mundo. Da mesma forma, Rodri fortaleceu sua candidatura após liderar a Espanha ao título mundial e ser eleito o melhor jogador da competição.

Enquanto isso, Mbappé apresentou números superiores aos de muitos concorrentes, mas viu seus times falharem justamente nos momentos decisivos.

Outro detalhe frequentemente citado é a ausência de uma grande rivalidade geracional.

Durante mais de uma década, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo dividiram protagonismo, enfrentaram-se constantemente na Espanha e elevaram ainda mais o prestígio um do outro. Ambos quebravam recordes simultaneamente, disputavam títulos entre si e monopolizaram a atenção do futebol mundial.

Mbappé nunca viveu algo semelhante.

Erling Haaland apareceu como possível rival, mas ainda não construiu uma disputa constante. Vinícius Júnior tornou-se seu companheiro no Real Madrid, enquanto Lamine Yamal pertence a uma geração mais jovem e começa apenas agora a disputar espaço entre os melhores do mundo.

Essa ausência de um confronto direto entre dois grandes protagonistas talvez também explique por que o francês não recebeu o mesmo destaque individual que Messi e Cristiano tiveram durante tantos anos.

O futuro continua favorável para o atacante francês

mbappe chuteira de ouro real madrid

Mesmo sem conquistar a Bola de Ouro até agora, poucas carreiras parecem tão promissoras quanto a de Mbappé.

Aos 27 anos, ele ainda entra naquela que costuma ser considerada a fase mais produtiva da carreira de um jogador. Além disso, o Real Madrid inicia um novo projeto esportivo que pode oferecer ao francês melhores condições para disputar novamente a Champions League e voltar a brigar pelos principais títulos.

Há ainda outro fator importante. A última temporada foi marcada por lesões que afetaram diversos jogadores importantes do elenco merengue, como Jude Bellingham e outros titulares. Um grupo mais saudável pode aumentar significativamente o rendimento coletivo da equipe.

Na seleção francesa, Mbappé também continuará sendo o principal nome do projeto para os próximos anos. Embora a campanha na Copa do Mundo tenha terminado apenas com o quarto lugar, o atacante voltou a demonstrar sua capacidade de decidir partidas importantes e liderar uma equipe repleta de talentos.

A discussão sobre a Bola de Ouro também permanece aberta porque o futebol vive um momento de renovação. Rodri, Lamine Yamal, Dembélé, Haaland e até Lionel Messi seguem aparecendo entre os candidatos, tornando a disputa muito mais equilibrada do que durante o período de domínio absoluto de Messi e Cristiano Ronaldo.

Independentemente do resultado das próximas premiações, o legado de Mbappé já está praticamente garantido. Seus recordes em Copas do Mundo, a impressionante regularidade como artilheiro e o protagonismo em clubes e seleção o colocam entre os grandes atacantes da história do futebol.

A Bola de Ouro certamente enriqueceria ainda mais sua trajetória, mas dificilmente será ela quem definirá o tamanho de sua carreira. Se conquistar a UEFA Champions League e conduzir o Real Madrid de volta aos títulos de maior peso, o prêmio individual provavelmente será consequência. Até lá, Mbappé segue construindo uma carreira que, mesmo sem todas as grandes taças possíveis, já ocupa um lugar de destaque entre os maiores nomes do futebol mundial.

(Foto de capa: Isabel Infantes/REUTERS)

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Kaique