Mbappé
Futebol La Liga UEFA Champions League

Mbappé se reencontra no Real Madrid e encanta além dos gols!

Kylian Mbappé foi sonho por anos em Madrid, agora é realidade. Camisa 10 do maior campeão da Champions, o francês finalmente vestiu branco após flertar com a transferência em tantas janelas passadas. E apesar do peso da expectativa, o “Tartaruga Ninja” começa a mostrar que não veio só pelos números, mas também pelo futebol que encanta.

Depois de reinar absoluto no PSG, onde tudo girava em torno dele, Mbappé precisou de um choque de realidade em sua chegada à Espanha. O contexto era outro, o time tinha mais protagonistas, e o jogo coletivo exigia sacrifício e adaptação. E é aí que entra a parte mais curiosa: ele aceitou isso. Saiu da bolha do estrelismo puro e, aos poucos, foi se ajustando, tática e mentalmente.

Adaptação difícil, mas artilharia intacta 

Mbappé Champions
Foto: REUTERS

No início, Mbappé não conseguia dominar os jogos como fazia em Paris. Ele já não era o dono de cada ação ofensiva, não recebia todas as bolas, nem era o centro absoluto do universo merengue. Mas quando a bola chegava, ele resolvia. Simples assim. Tanto que, mesmo sem tanta influência na criação, terminou a temporada com a Chuteira de Ouro, sendo o maior artilheiro da Europa.

Essa fase de transição, que poderia ter gerado crise, acabou servindo como amadurecimento. E com a chegada de Xabi Alonso ao comando técnico para 2025/26, Mbappé ganhou um aliado. A nova comissão técnica, que também está em processo de afirmação, entendeu como usar o camisa 10 da melhor forma.

No sistema do ex-Bayer Leverkusen, Mbappé não é um centroavante clássico, atua com liberdade, alternando entre a função de segundo atacante e ponta-esquerda. Já dividiu o setor ofensivo com Vinicius Jr., Rodrygo, Endrick e até Gonzalo García, em esquemas que permitem variações e favorecem o talento natural do francês.

Hoje, dá pra dizer que Mbappé conseguiu o que tanto buscava: espaço, liberdade e respeito.

No PSG, controle tático e estresse fora de campo

Luis Enrique Mbappé
Foto: James Gill – Danehouse/Getty Images

A realidade atual contrasta com o final turbulento da passagem pelo Paris Saint-Germain. Lá, Mbappé bateu de frente com Luis Enrique, que impôs um estilo mais rígido e coletivo, mesmo com a presença de craques. O treinador espanhol chegou a criticar publicamente a postura tática do jogador:

“Mbappé era um jogador que se movimentava para onde queria, o que criava situações no jogo que eu não conseguia controlar. Agora vou controlar todas, sem exceção.”

O projeto de Luis Enrique no PSG foi bem-sucedido: o clube conquistou sua primeira Champions League, com um elenco jovem, funcional e “low profile”. O protagonista da final contra a Inter de Milão foi Désiré Doué, enquanto Dembélé também se destacava. O recado era claro: o PSG já não era sobre ego e estrelismo.

Mbappé, deslocado da ponta para atuar como falso 9, muitas vezes de costas para o gol, não se adaptou. A relação esfriou, e o craque decidiu finalmente dar o passo que tanto adiava: rumar a Madrid.

Mbappé chega ao protagonismo sem sobrecarga

Mbappé
Foto: JOSE JORDAN (Getty Images)

No Real Madrid, Mbappé reencontrou sua posição preferida e um ambiente mais leve. O elenco estrelado permitia rodízios, dava descanso à sua mente, e ainda entregava competitividade. Ele não precisou mais ser o herói solitário, só ser ele mesmo já bastava.

E nesse contexto, ele floresceu de novo. Se tornou uma referência técnica e emocional dentro de um time em construção, que, com a chegada de Xabi Alonso, busca não só títulos, mas também uma nova identidade de jogo.

Mbappé não voltou a brilhar apenas pelos gols. Voltou a curtir o futebol, algo que já andava escasso no final da sua trajetória em Paris. E agora, com 26 anos, segue escrevendo um novo capítulo, talvez o mais maduro e encantador da sua carreira.

Foto: Javier Soriano/AFP