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McGregor, Crawford e a superluta que nunca aconteceu: confira os motivos

Conor McGregor não precisou entrar no octógono do UFC Freedom 250 para voltar aos holofotes. O irlandês acabou protagonizando um dos assuntos mais comentados da semana ao trocar provocações com Terence Crawford, aposentado dos ringues e considerado um dos maiores boxeadores de sua geração. O estopim foi a derrota surpreendente de Ilia Topuria para Justin Gaethje, resultado que levou Crawford a ironizar o ex-campeão dos leves nas redes sociais.

A resposta de McGregor veio rapidamente, mas acabou revelando uma história muito mais interessante: os dois já estiveram próximos de um acordo multimilionário que poderia ter produzido um dos maiores eventos da história dos esportes de combate.

A troca de farpas reacendeu uma pergunta que durante anos intrigou fãs de boxe e MMA: por que a luta entre McGregor e Crawford nunca saiu do papel? Segundo o próprio irlandês, a resposta passa por uma diferença fundamental de visão entre os dois atletas sobre o que significa se testar em diferentes modalidades.

Uma proposta de 200 milhões de dólares

De acordo com McGregor, as negociações aconteceram há cerca de dois anos, em conversas lideradas pelo dirigente saudita Turki Alalshikh. O plano era ousado e buscava atender aos interesses de ambos os lados. A ideia consistia em uma série de duas lutas: primeiro uma disputa sob as regras do MMA e, posteriormente, um combate de boxe.

O valor total da operação chegaria a 200 milhões de dólares, divididos entre os dois atletas. Comercialmente, o projeto parecia perfeito. McGregor continuava sendo uma das maiores atrações do UFC, enquanto Crawford era considerado um dos melhores pugilistas do planeta. A mistura entre os dois mundos prometia audiência gigantesca e uma repercussão comparável à superluta entre McGregor e Floyd Mayweather em 2017. Mas, segundo o irlandês, a conversa terminou rapidamente.

McGregor revelou que, quando a proposta foi apresentada, Crawford não demonstrou interesse em disputar uma luta no octógono. Segundo o ex-campeão do UFC, o norte-americano não queria se expor aos riscos das artes marciais mistas, especialmente aos chutes e ao jogo de grappling.

Para o irlandês, a recusa foi difícil de compreender. McGregor argumenta que um atleta de alto nível deveria ter o desejo de testar seus limites em diferentes ambientes. Em sua visão, o espírito competitivo deveria falar mais alto do que os riscos envolvidos.

Essa diferença de pensamento acabou encerrando qualquer chance do acordo avançar. Embora a luta de boxe pudesse acontecer posteriormente, a ideia original dependia de que Crawford aceitasse entrar primeiro no território de McGregor, algo que nunca aconteceu.

As declarações recentes do irlandês mostram que o assunto ainda o incomoda. Após Crawford ironizar Ilia Topuria depois da derrota para Justin Gaethje, McGregor entendeu que havia uma certa contradição nas palavras do ex-boxeador.

Na visão do irlandês, Crawford estava criticando um lutador que havia sido derrotado em uma luta de MMA, modalidade que ele próprio não quis experimentar. Para McGregor, existiu uma falta de sensibilidade em zombar de alguém que acabou de sofrer uma derrota, principalmente estando presente no evento. Foi essa situação que levou o ex-campeão do UFC a sair em defesa de Topuria e reviver uma negociação que muitos sequer sabiam que havia existido.

McGregor e Crawford são de filosofias diferentes

Por trás das provocações existe uma diferença mais profunda entre os dois atletas. McGregor sempre enxergou o MMA como a forma mais completa dos esportes de combate. Ao longo da carreira, construiu sua imagem em torno da ideia de que os lutadores de artes marciais mistas são capazes de se adaptar a diferentes cenários e enfrentar desafios variados.

Crawford, por outro lado, construiu uma carreira impecável dentro do boxe. Terminou sua trajetória invicto, com 42 vitórias em 42 lutas, e encerrou a carreira após derrotar Saul “Canelo” Álvarez. Sua prioridade sempre foi preservar o legado construído nos ringues, e aventuras em outras modalidades nunca pareceram fazer parte dos planos. No fim das contas, talvez essa diferença de mentalidade tenha sido o principal motivo pelo qual a superluta jamais aconteceu.

Hoje, qualquer possibilidade parece definitivamente encerrada. Crawford está aposentado e McGregor se prepara para retornar ao UFC após cinco anos afastado das competições. Os dois seguem caminhos completamente diferentes.

Ainda assim, a simples revelação de que uma série de lutas avaliada em 200 milhões de dólares esteve em discussão é suficiente para alimentar a imaginação dos fãs. Afinal, não seria apenas um duelo entre dois campeões. Seria um choque entre duas modalidades, duas filosofias e dois dos maiores nomes de suas respectivas gerações. E, como acontece com tantas superlutas que nunca saíram do papel, talvez o fato de ela nunca ter acontecido seja justamente o que a torna tão fascinante até hoje.

(Foto: Getty Images)