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Por que McGregor não deve enfrentar “lutador favorito” de Trump na Casa Branca

Os rumores de que Conor McGregor pode enfrentar Jorge Masvidal no chamado “UFC Casa Branca”, em junho deste ano, ganharam força no último final de semana. A especulação aumentou após Masvidal conceder entrevista ao site MMA Junkie e adotar um tom enigmático ao ser questionado sobre um possível grande anúncio. O norte-americano, que costuma se autodenominar “lutador favorito” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evitou confirmar o duelo, mas deixou a dúvida no ar.

“Parte disso é acesso restrito ao nível cinco, então não posso falar muito, mas estou treinando para algo grande”, disse Masvidal. “… Nunca se sabe, né? Dê a eles o que eles querem, não o que eles esperam. Posso dizer que são grandes novidades. Em breve terei notícias sobre uma luta, e serão notícias muito importantes.”

Em seguida, o ex-campeão do BMF reforçou o mistério. “Não posso confirmar nem negar nada disso agora, mas talvez em breve eu possa… Talvez em 10 dias, algo assim, eu deva ter mais confirmações sobre isso”, acrescentou.

As declarações, somadas à proximidade de Masvidal com Trump e à ideia de um evento simbólico do UFC em 14 de junho, na Casa Branca, foram suficientes para alimentar a imaginação dos fãs. No entanto, uma análise mais fria do cenário atual indica que a chance de McGregor e Masvidal realmente se enfrentarem é bastante pequena.

Por que a luta não deve acontecer

O principal obstáculo para a realização do confronto é esportivo e contratual. Jorge Masvidal não luta pelo UFC desde 2023, quando sofreu sua quarta derrota consecutiva dentro da organização. A sequência negativa minou completamente sua relevância no ranking e culminou em sua saída do octógono. Desde então, o “Gamebred” competiu apenas uma vez, em uma luta de boxe contra Nate Diaz, na qual acabou derrotado. Ou seja, para estar presente em um evento oficial do UFC, especialmente um de tamanho simbolismo político, Masvidal precisaria ser recontratado pela organização.

Esse retorno, contudo, parece improvável. O UFC historicamente valoriza desempenho recente e apelo competitivo, e Masvidal chega a 2026 sem vitórias há vários anos e fora do MMA profissional. Mesmo tendo uma relação próxima com Trump e grande apelo midiático, seria difícil justificar sua presença em um card tão especial após tantas derrotas consecutivas.

McGregor está afastado há mais tempo

Do outro lado, a situação de Conor McGregor é ainda mais delicada. O irlandês não luta desde 2021, quando foi derrotado por Dustin Poirier e deixou o octógono com a perna gravemente fraturada. Desde então, McGregor passou por cirurgias, reabilitação e inúmeros episódios fora do cage que colocaram em dúvida sua capacidade — e até mesmo seu interesse — em retornar ao mais alto nível do MMA.

Durante boa parte dos anos seguintes, seu nome esteve fortemente associado a um retorno contra Michael Chandler. O confronto chegou a ser promovido oficialmente, com ambos participando de um reality show do UFC, mas nunca saiu do papel. Recentemente, o próprio presidente da organização, Dana White, descartou de vez esse plano, indicando que McGregor não estava mais nos rumos esportivos traçados pela empresa.

White, aliás, também pareceu esfriar qualquer possibilidade de McGregor lutar em um evento na Casa Branca. Embora a ideia tenha apelo midiático e político, o dirigente costuma ser pragmático quando se trata de viabilidade esportiva e comercial. Colocar dois atletas inativos, sem vitórias recentes e com contratos indefinidos no evento mais simbólico da história do UFC seria um risco alto demais.

Assim, apesar do barulho gerado pelas falas de Masvidal e do fascínio natural que o nome de McGregor ainda exerce sobre o público, o duelo entre ambos parece mais fruto de especulação do que de um plano concreto. No cenário atual, a luta que muitos querem ver dificilmente sairá do campo das ideias para a realidade do octógono.

Foto: Getty Images